ANDRÉ VILAR
 
Setembro de (re)começos
 
OPINIÃO | Em Arouca é sinónimo de Feira das Colheitas, símbolo maior
 
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A cada viragem do ano prometemos, genuinamente, mudar hábitos enraizados e não é por mal que temos, tantas vezes, amnésia seletiva na hora de concretizarmos tal desígnio.
Janeiro é tempo de balanço e de novos começos ou pelo menos é assim que o interpretamos sempre que ele se aproxima. Entre listas intermináveis de resoluções e promessas perdidas no tempo e no espaço, abraçamos um novo ano confiantes na mudança que queremos ver nas nossas vidas e na nossa comunidade. Este ano a história repetiu-se. Fizemos promessas e acreditamos que íamos fazer diferente.
Mas estamos em setembro, como sabeis. Num ano normal, setembro seria, também ele, e à semelhança de janeiro, o mês em que nos estaríamos a preparar para recomeçar, teríamos recarregadas energias para, até ao Natal, nos focarmos em mais uma época de trabalho ou escola. No fundo, era tempo de nos focarmos em concretizarmos muitos dos projetos que tínhamos agendados para este ano.
Em Arouca, setembro é sinónimo de Feira das Colheitas, símbolo maior da cultura arouquense, pela qual esperámos entusiasticamente.
Mas este não é um ano normal. O entusiasmo com que "saltamos todos juntos" para 2020 foi-se desvanecendo com o passar dos meses. O fim do inverno ditou o confinamento obrigatório,
proporcionado por uma pandemia que parece não ter fim à vista. Em março, cada um de nós teve o desafio de um novo começo. A nossa casa foi cumulativamente espaço de descanso, de lazer e de trabalho. Adaptação foi a ordem.
Numa alusão ao poema de Manuel Alegre, voltamos à rua em maio "que é o mês da liberdade". Foi um novo recomeço na nossa vida e mais um em 2020. Desta vez, o regozijo para a sair à rua era muito pouco (ou nenhum). O medo fez-nos reféns, o vírus obrigou-nos à desconfiança nos nossos pares e foi "mascarados" que voltamos ao trabalho e à vida.
Num ano de muitos recomeços, sabemos agora, que pouco vale planearmos a vida a longo prazo e que afinal tudo é adiável.
É certo que este ano não haverá Feira das Colheitas como a conhecemos (e tínhamo-la como garantida). Reinventar a maior festa do concelho não é tarefa fácil. Somos seres resistentes à mudança, mesmo que esta seja uma das maiores certezas da vida. A não realização das Colheitas, deixa-nos entristecidos mas é intocável o orgulho arouquense que emana em cada um de nós. Orgulho esse que prova a nossa coragem em adiar um momento em prol do bem comum.
Embora saibamos que a edição 76 da Feira das Colheitas não se vai realizar, resta-nos a certeza de que a natureza prosseguiu o seu ciclo e o povo continuou e continuará a amanhar a terra, a semear, a cuidar, a regar e a colher. E é este ciclo da vida que nos faz acreditar num amanhã mais profícuo.

(texto publicado na edição impressa do RODA VIVA jornal de 2020.09.17)

 
Arouca

Segunda, 26 de Outubro de 2020

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"Continua a aposta (da CMA) 'quase irracional' no turismo"

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