IVO BRANDÃO
 
Não à política aos ziguezagues
 
OPINIÃO | Esperamos de quem nos governa é que aja de forma organizada, mas também coerente
 
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Quando resolveu demitir João Soares do cargo de Secretário de Estado da Cultura, o Primeiro-Ministro António Costa sublinhou que um membro do Governo é-o em qualquer circunstância, até mesmo à mesa do café. Volvido este tempo, o mesmo Primeiro-Ministro declara-se apoiante de Luís Filipe Vieira, nas eleições para a presidência do Benfica, e diz que isso não é matéria que tenha a ver com política, logo, não comenta. Não é surpresa. Não é novidade. Não é escandaloso. É apenas o espelho perfeito de como o Primeiro-Ministro de Portugal encara a forma como deve governar o país que o elegeu para decidir, para optar, para o defender. Este caso é, assim, uma espécie de metáfora do que tem sido a acção do Governo nos últimos tempos.
De repente, a pandemia voltou, aparentemente com força redobrada. E logo as vozes se ergueram, que a culpa foi dos emigrantes, que a culpa foi dos turistas, que a culpa foi dos incumpridores e dos incautos. E, precisamente à imagem de como o Governo tem agido, o povo andou em círculos, preocupado em encontrar uma justificação, em vez de olhar em frente, agir de forma coerente e consequente, e resolver o problema com que se depara. O que é que o Governo nos tem dito? Tudo e o seu contrário. Os estádios devem estar vazios, mas as touradas podem ter público. Os espectáculos em sala não podem realizar-se de qualquer forma, mas a Festa do Avante sim. Não são permitidas concentrações de mais de não sei quantas pessoas, mesmo ao ar livre, mas as escolas vão iniciar as actividades lectivas, com professores e alunos a conviverem em salas de aula, por vezes com trinta ou mais pessoas. O Presidente da República, em jeito de comentador, foi dizendo que às vezes as coisas devem ser geridas do ponto de vista da percepção e da mensagem que passam, mais do que da organização. Disse-o em relação à Festa do Avante, mas facilmente o podemos adaptar a tudo. Nesta altura, o que esperamos de quem nos governa é que aja de forma organizada, mas também coerente. O que tem acontecido é que temos sido governados aos ziguezagues, até chegarmos aqui. Temos, agora, duas opções. Ou seguimos o caminho para a auto-estrada, ou alguém vai enjoar no caminho.
Vale a pena pensarmos, com base neste exemplo, que tipo de políticos queremos. Mesmo do ponto de vista local. Se queremos tacticistas, ou gente que se preocupe em traçar um rumo de desenvolvimento. Se queremos intriguistas e interesseiros políticos, ou gente que esteja, realmente, interessado em ouvir-nos a todos e procurar um equilíbrio. Se queremos quem nos diga coisas bonitas, ou quem nos defenda com a verdade. Os últimos dias mostraram-nos que rapidamente (e com extrema facilidade) passamos de exemplo a um estado de crise. E em situação de crise, tudo fica mais complicado de gerir. É mais difícil comunicar, porque está toda a gente demasiado focada no problema. É difícil mobilizar recursos para combater o problema, porque as frentes são muitas e as soluções quase sempre poucas. É mais difícil atender a alguns problemas, porque passa a ter prioridade o maior de todos, em detrimento dos restantes. Por isso se espera que a Oposição cumpra o que prometeu, promovendo a união de esforços no combate mais imediato, mais urgente e mais difícil de travar, neste momento.
Para fazer política aos ziguezagues, já temos gente que chegue.

Nota: Fui, recentemente, confrontado com uma publicação nas redes sociais, em que o que parece ser grupo de cidadãos diz que eu poderia ser uma alternativa válida para integrar uma eventual equipa autárquica. O facto de essa publicação ter apenas um 'like', pode querer dizer que se trata de um exagero. O meu bisavô António de Almeida Brandão escreveu nas suas memórias que queria ser recordado como um homem que tudo fez em prol do desenvolvimento da sua terra. Dele, herdei esse espírito. Assim como, da parte do meu outro bisavô, Ângelo Miranda, o de preferir os combates
políticos olhos nos olhos. Tal não aconteceu, por parte dos autores da publicação, da qual, aqui, me demarco.

 
Arouca

Quarta, 28 de Outubro de 2020

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"Continua a aposta (da CMA) 'quase irracional' no turismo"

Carlos Tavares, lider do PPM-Arouca, em entrevista ao RV

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