ANSELMO OLIVEIRA
 
Ostracizar o passado
 
OPINIÃO | Parece que ninguém se lembra que ele existe
 
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O património histórico é cada vez mais votado ao abandono pelo poder político. Salvo raras excepções, onde o interesse em proteger é apenas para fins de turísticos e de publicidade a quem está no poder, o nosso passado encontra-se num estado de desleixo total.
As associações de salvaguarda do património, e são muitas por esse país, cada vez têm mais dificuldade em levar a cabo a missão para que foram criadas. Neste caso a culpa não é da pandemia. O COVID-19 tem servido de desculpa para tudo e mais alguma coisa. Até para problemas que já há muito se arrastam.
As referidas associações lutam com vários problemas. Um deles é a falta de trabalho visível e que não atrai para este tipo de associativismo as grandes massas. Outro dos problemas é não darem visibilidade a quem se insere nelas. Muitas vezes, o associativismo é usado como trampolim político. Isso é inegável. Mas se neste género de associações não se podem dar a conhecer ao público em geral, afastam-se. Talvez por isso, os apoios concedidos pelo poder político são cada vez menos e mais difíceis de conseguir.
Perante todo este cenário restam algumas pessoas para quem a preservação do passado é realmente um prioridade. Tudo fazem para que as associações se mantenham num nível de actividade aceitável muitas vezes com prejuízo pessoal a vários níveis.
Certo é que algum do património histórico tem sido incluído nas rotas turísticas da moda mas ou as intervenções de que foram alvo deixam muito a desejar ou então falta o devido enquadramento histórico no local para que quem lá chega saiba o que está a ver. Seria melhor não fazer nada? Claro que não! Mas já que o fazem, façam-no bem.
Há também que referir os caso de alguns monumentos nacionais em Arouca. Se o Dólmen 1 da Aliviada, em Escariz, é uma caso perdido devido a manifesta vontade política para resolver a situação, já com o caso do Calvário a coisa é bem diferente. Tão perto do centro da Vila e parece que ninguém se lembra que ele existe tal é a importância que (não) lhe dão.
A procura de Arouca a nível turístico tem aumentado. Disso não há dúvidas. Mas se a procura é tanta porque não aumentar a oferta. Arouca não é, nem pode ser, só geoparque, passadiços e ponte suspensa. Há muito mais que podemos mostrar. Uma aposta forte na investigação histórico-arqueológica certamente aumentaria a oferta. Haja apoios concretos que certamente investigadores não faltarão.
Já é hora de parar de ostracizar o passado. Já nos basta esses grupelhos de anarquistas que, a coberto de uma causa qualquer, se limitam a vandalizar e destruir símbolos do passado nem tendo a noção que alguns defenderam aquilo porque supostamente combatem.
A Humanidade não pode permitir que casos como os das Ruínas de Palmira se repitam. Cabe a todos nós preservar a história e os símbolos da mesma. Muitos erraram mas fizeram parte de um passado comum.
Por mais que muitos se esforcem, a História não se pode apagar. Apagar os símbolos da mesma é um acto de cobardia. Não o podemos permitir.
 
Arouca

Quinta, 13 de Agosto de 2020

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A Frase...

"Ser padre é dar a vida, renunciar muitas vezes às minhas vontades, ouvir os sofrimentos das pessoas e sofrer com elas"

Misael Fermín Calderon, o novo vigário paroquial de Arouca

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