MAFALDA FERNANDES
 
As fontes da antiga Vila
 
OPINIÃO | A água é da nascente do Castanhal
 
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No momento que ainda passa, ou que pode vir a agravar-se com o recrudescimento Covid-19, é salutar e propiciador de saúde mental pública recorrermos a temas leves, luminosos, para fornecer aos nossos prováveis leitores, nestes tempos de materialismo. E também de materialismo ateu que é o principal responsável pela supressão radical da noção de sagrado.
Lendo estes apontamentos breves e de aparente irrelevância, fica-se com a doce ilusão de que a História vai atingindo as suas metas sem o sacrifício de vítimas ou de sangue de culpados ou de inocentes.
Pelos anos iniciadores da década de 60, do século passado, a distinta Câmara Municipal de Arouca, de presidência do senhor engenheiro Aníbal Miranda de Barros, tomou a iniciativa de dotar a antiga vila de Cabeçais com água domiciliária. Fizeram-se as respectivas prospecções da nascente e ficou-se pela nascente do Castanhal, da freguesia de Fermedo, que foi avaliada em Lisboa nas exigidas análises, como a água mais pura que tinha aparecido nos laboratórios para o efeito.
E, como nem todos os moradores fizeram a respectiva instalação, ou prevendo isso mesmo, até porque a água de rua é sempre necessária, a edilidade mandou proceder à construção de três fontes públicas.
E para isso foram elaborados requintados projectos para ser executados em cantaria, isto é, em granito lavrado.
Assim, ainda temos na Praça Dr. Albano de Castro, bem no centro da antiga vila, o fontenário em cantaria modernista, isto é, de acordo com as tendências modernistas da escultura da época e, estilo mais clássico, a fonte da rua da Casa da Câmara, ou "Domus Municipalis", e a fonte da rua de Alexandrino Paiva Sousa, médico do tempo, grande amigo de Cabeçais que se deslocou, na altura, propositadamente, do Brasil, para angariar meios que permitissem levar a efeito a electrificação do fundo do concelho que se transformou numa realidade em 1956, fonte que fica próxima da Casa Museu da Professora Brilhantina.
A fonte da rua da Casa da Câmara foi lacrada, na medida em que os moradores próximos têm água canalizada e a dois passos desta fonte existe uma fonte rústica, que é a fonte do lugar, onde é possível obter água de rua.
A fonte que fica perto da Casa Museu permanece activa possuindo uma torneirinha que fornece a água necessária sem desperdícios.
A água que corre nestas fontes é da nascente do Castanhal, a antiga água domiciliária de Cabeçais, já que esta foi substituída pelas Águas Douro e Paiva, instaladas no fundo concelho durante a edilidade do senhor Dr. José Armando Pinho Oliveira, mais conhecido pelo senhor Dr. Armando Zola, ilustre causídico aposentado.
O fontenário da praça incluía um nicho que só foi humanizado pelo senhor António Gomes dos Santos, presidente cessante da Junta de Freguesia de Fermedo, logo num dos seus primeiros mandatos, com a colocação da imagem de Santo António nesse nicho, santo ilustre que foi o primeiro padroeiro da antiga vila.
A água do Castanhal, corre em duas bicas no fontenário, incessantemente Verão e Inverno e desaparece para um tanque em espaço inferior, onde a água também é incessantemente corredia e límpida e segue em canalizações subterrâneas para o rio Inha que desliza ao fundo do lugar dos Mascotes.
O rio Inha nasce em Belide, da freguesia de Escariz, vai avolumando já em leitos da Feira e desagua, directo, no rio Douro, entre a foz do rio Uima, que é um rio banha a cidade de Fiães a foz do rio Arda. Mais ou menos perto do lugar de Carvoeiro, os negociantes embarcavam os gados para serem levados para o porto de Leixões, onde, os esperavam os grandes paquetes. Na localidade de Pé de Moura.
E, chegados a este ponto, que nos revela uma grande parte da vida dos naturais deste fundo do concelho, resta-nos lembrar o poeta Gonçalves Crespo que compôs um belíssimo poema sobre a afectividade, já daqueles tempos, entre o homem e o animal e que é o final de "a venda dos bois":
"Naquela imensa nau, um velho, um lavrador
Entre a faixa do cais, fita a dolente olhar...
É que ali dentro vão os bois, o seu amor...
E àquela mágoa intensa
E inenarrável dor
Responde a descuidosa e gélida indiferença
Dos Homens, e dos Céus, e do profundo Mar..."
 
Arouca

Quinta, 13 de Agosto de 2020

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