CÁTIA CARDOSO
 
Proteger e valorizar... o património
 
OPINIÃO | Surpreende-me assaz a ausência de Arouca no concurso 7 Maravilhas da Cultura Popular
 
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A desclassificação do Areinho como praia fluvial é preocupante e triste. Sê-lo-ia sempre, no entanto, este ano é-o particularmente. Sem o reconhecimento oficial como praia fluvial, o Areinho perde assim a vigilância.
Deste modo, a possibilidade de ajuntamentos durante o verão - cada vez mais frequentes, nos últimos anos, naquela zona - vem à tona.
Em detrimento de tudo o resto, mais uma vez é o turismo a beneficiar. Sem controlo, os turistas (e todos) ficam "à vontade" para ocupar o espaço, sem atender às recomendações em vigor.
Passamos de qualidade de ouro a falta de qualidade. E pensar que já tivemos o rio menos poluído da Europa...
Na crónica anterior questionei quanto custa a natureza, e prossigo, quanto custa o rio Paiva?
A praia fluvial do Areinho era um dos ex-libris de Canelas. E escrever "era" é preocupante e triste. É preciso fazer mais pelo rio e pela qualidade das águas. E é preciso mais de todos, sociedade civil, empresas e entidades responsáveis. Não podemos aceitar que todos se alheiem da culpa e que ninguém trabalhe no sentido de proteger o rio. E é também o momento ideal para lembrar que se não remamos contra a corrente, se não impedimos que aconteça, estamos a compactuar com o curso das coisas.
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Numa altura em que o setor está ainda mais vulnerável, também as sensibilidades se intensificam no que à cultura diz respeito.
No caso concreto de Arouca, algumas atividades já ficaram por acontecer, muitas delas do seio das associações concelhias que se viram forçadas a reformular e adaptar os seus planos de atividades.
Também a Recriação Histórica, e muito provavelmente a Feira das Colheitas, não dispõe de condições para se realizar nos moldes a que estamos habituados - e tanto apreciamos! Também a riqueza dos Sons da Praça se perderá, entre tantas outras.
Na cultura popular, também as festas religiosas e as romarias caem por terra - como vimos, nem a padroeira Rainha Santa Mafalda foi exceção.
Entretanto, perante todo o espólio de cultura popular do concelho, surpreende-me assaz a ausência de Arouca no concurso 7 Maravilhas da Cultura Popular, especialmente depois de todo o entusiasmo aquando as Barrigas de Freira concorreram nas 7 Maravilhas Doces.
Das 594 candidaturas, resultaram 471 nomeações, nenhuma de Arouca. Terá havido candidaturas excluídas ou não as houve, efetivamente? Pois se não houve, não se compreende.
O concurso conta com sete categorias: artesanato, lendas e mitos, festas e feiras, músicas e danças, rituais e costumes, procissões e romarias e artefactos. Em todas, Arouca tem património de relevo que poderia, perfeitamente, concorrer.
Perdeu-se uma oportunidade para dar a conhecer sólidos elementos da nossa cultura popular e até mesmo para os valorizar.
Na lista de nomeados do distrito de Aveiro, apenas constavam os concelhos de Aveiro (2), Murtosa (1), São João da Madeira (1) e Castelo de Paiva a liderar (com 7 nomeações).
São agora finalistas distritais o chapéu de feltro de São João da Madeira; a Romaria de São Paio da Torreira, na Murtosa; as festas em honra de São Gonçalinho e a Ceia das Almas, em Aveiro; o alambique em cobre, o Enterro do Entrudo de Pedorido e a lenda da Ilha dos Amores de Castelo de Paiva.
Teria encaixado muito bem, na lista, uma Feira das Colheitas, uma das lendas associadas à Rainha Santa Mafalda, assim como as danças e cantares que todos conhecemos, entre tantos outros elementos que ajudam a construir a história da cultura popular de Arouca.
Não querendo com isto considerar que Arouca deve sempre aparecer, deve sempre concorrer. Mas também não deixando passar ao lado as oportunidades perdidas.
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Uma última nota no seguimento da mudança de instalações do Centro de Arqueologia para as antigas escolas de Várzea e de Mealha, na freguesia de Canelas.
Estas escolas, encerradas, devem, pois, continuar a servir a comunidade. Albergar património arqueológico deve ser motivo para que se continue a fazer a manutenção e que se evite que as escolas desapareçam cobertas pela vegetação.
Por outro lado, a descentralização deste património de todos poderá, eventualmente, sensibilizar outras populações para a sua importância.
Por último, assinalar que o património arqueológico não deve estar "escondido", mas sim protegido e ao alcance da exposição ao povo que o merece conhecer, pois só conhecendo o património o povo o pode valorizar.
 
Arouca

Quinta, 13 de Agosto de 2020

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"Ser padre é dar a vida, renunciar muitas vezes às minhas vontades, ouvir os sofrimentos das pessoas e sofrer com elas"

Misael Fermín Calderon, o novo vigário paroquial de Arouca

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