ARMANDO ZOLA
 
Mil milhões!
 
OPINIÃO | Voltou-se às falas mansas, às palmadinhas nas costas no interior dos gabinetes
 
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Não, não me refiro ao reforço superior a 1.000 milhões de euros que o Estado, a breve trecho, à custa de todos nós, terá de meter mais no buraco sem fundo do Novo Banco. Aludo antes aos cerca de 1.000 milhões anunciados pelo Governo para a expansão da rede do metro que serve parte da Área Metropolitana do Porto (AMP). Mais 1.000 milhões, para desenvolver a parte mais desenvolvida da AMP! Justifica-se, por certo, esse multimilionário investimento. Mas então, continuam a despender-se centenas e centenas de milhões de euros, sejam de fundos estruturais comunitários, sejam da respectiva componente nacional, para melhorar a mobilidade na parte mais desenvolvida da AMP, e não há 5 ou 6 milhões anuais, ao longo de 4 ou 5 anos, para concluir a única via de ligação rodoviária aceitável, entre a parte mais pobre (Arouca) da AMP e a sede da sua capital regional (Porto)?! Teremos de esperar mais 15 ou 20 anos para que nos façam mais 1 Km dessa ligação, isto, na expectativa de que, finalmente, a curto prazo possa vir a dar-se início à construção de cerca de 1 só Km de estrada, no Município de Arouca, entre Escariz e a entrada em terras de Oliveira de Azeméis, na projectada ligação à A-32?! Ligação esta, ainda por cima, prejudicada com a sua transformação em espécie de via urbana, com várias rotundas, quando o que se esperava, de acordo com o estudo prévio já pronto em 2005, era uma via, de perfil e características idênticos aos do troço, já construído, da Via Estruturante ou Variante, até ao interior do Município da Feira e, nos últimos Km, nesse Município, até à ligação à A-1, em perfil de Auto-estrada!
Depois de um longo estágio de perto de duas décadas, na Assembleia Municipal, e com os meus predecessores na Câmara Municipal, integrado em Grupos de Trabalho, foi fácil perceber que só com falas mansas não se chegava lá.
Houve, por isso, depois, para lá chegar, ordens impositivas de Ministros, probos e competentes, mesmo no tempo do timoneiro que, mais tarde, apregoaria que a fase do betão e das infra-estruturas materiais estava concluída, murros na mesa de Secretários de Estado e ex-Ministros exigindo o cumprimento das regras democráticas contra cunhas adversas, alertas de técnicos atentos e sérios para os entraves ao curso do processo astuciosamente criados no interior das instituições em que serviam, empenho activo e próximo de Governadores Civis, apoio solidário de todos os Presidentes de Câmara do EDV e do então Presidente da CCRN, Eng.º Braga da Cruz, tudo movido pela mobilização viva e disponível dos arouquenses e das suas instituições mais representativas, que não hesitaram em sair à rua para, em momentos nevrálgicos, exigirem a sua estrada e para recolherem, em curtos dias, mais de 14 mil assinaturas de pessoas individuais e perto de 300 de pessoas colectivas, decisivas na neutralização dos efeitos do boato chegado à então JAE de que os arouquenses não queriam a estrada. Tudo isso ajudado também pela generosa disponibilidade, por mais que uma vez comunicada a Lisboa, de todos os principais autarcas municipais e de freguesia, de todos os quadrantes políticos e independentes, para apresentarem colectivamente a sua demissão dos cargos se o processo da estrada emperrasse.
Deste modo, o processo burocrático, vencendo sucessivas vicissitudes, prosseguiu até ao seu termo, as obras do 1º troço da via iniciaram-se, com a primeira entrada da pá da retroescavadora na terra, na presença, muito significante, de dois elementos da maioria da Câmara Municipal e outros dois da oposição, e, mesmo tendo de continuar a superar obstáculos diversos, concluíram-se há já mais de 15 anos.
Depois, voltou-se às falas mansas, às palmadinhas nas costas no interior dos gabinetes, à "via diplomática", como então se dizia. E, assim, depois de muitos milhões de milhões gastos em estradas, em linhas de metro e até em muitas coisas supérfluas, cerca de 15 anos depois, continuamos nós sem mais um palmo de estrada. Talvez comece a fazer-se em breve o tal Km de que se fala. Pelos que ainda faltam no nosso Concelho, continuaremos a aguardar, sabe-se lá até quando, bem comportados, resignados e em silêncio.
 
Arouca

Sexta, 05 de Junho de 2020

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