JOSÉ CARLOS SILVA
 
Pão e circo
 
OPINIÃO | As próprias autarquias ajudam a promover este alheamento dos nossos cidadãos
 
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Depois de vividas as festas natalícias e a entrada no novo ano e década, talvez seja este o momento ideal para fazermos um rescaldo da quadra festiva e dos 365 dias que findaram.
Este ano, e à semelhança dos anteriores, as autarquias portuguesas, umas mais do que outras, não olharam a meios para tornar os seus territórios o mais festivos possível. Parece que existia um concurso entre os demais municípios para saber qual tinha mais iluminação e decoração...
Em Arouca também não se olhou a meios para tornar a nossa vila mais luminosa e festiva. A autarquia abriu os cordões à bolsa e gastou cerca de 25 mil euros em decoração de Natal e material eléctrico para a respectiva decoração. A somar ao montante gasto na passagem d'ano com o abundante e radioso fogo de artifício...
Parece que, por cá, se vive folgadamente e o orçamento municipal não tem fundo quando se trata de organizar festas e animação!...
Li no período natalício um texto interessante de uma figura cimeira da hierarquia eclesiástica onde refecte sobre o verdadeiro espírito cristão do Natal, que segundo o clérigo, está ausente na grande maioria das pessoas, tal é a fúria desenfreada de consumir quase até à exaustão. Pelos vistos, as próprias autarquias ajudam a promover este alheamento dos nossos cidadãos face aos verdadeiros valores religiosos que deveriam estar em primeiro lugar, mas, infelizmente, são remetidos para um lugar irrelevante.
Perante este triste cenário, as pessoas não podem depois lamentarem-se da crise de valores e princípios que vai grassando na nossa sociedade, onde o ‘ter' ganha cada vez mais relevância perante o ‘ser'. Opções!
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Apesar dos eventos promovidos pela autarquia arouquense terem quase sempre o selo de qualidade, não conseguem esconder uma outra dura realidade que é a vida da grande maioria das pessoas que vivem no território.
Temos referido que Arouca encontra-se numa encruzilhada quanto ao seu futuro, uma vez que não tem conseguido dar respostas capazes a vários problemas que têm estrangulado o desenvolvimento do concelho - o envelhecimento da população; a desertificação acelerada de várias freguesias; a falta de habitação a custos controlados para jovens casais; a concretização da via de ligação ao litoral e o baixo poder de compra dos arouquenses.
A título de exemplo e apenas isso, vou apresentar dois casos de duas autarquias de dimensão parecida com a de Arouca e que já começaram a tomar algumas medidas para ajudar a atenuar problemas semelhantes aos nossos, nomeadamente, em relação à desertificação e à fixação de jovens nos respectivos municípios.
Em Ponte de Lima, a edilidade aprovou a entrega de 5% IRS que cabia ao cofres camarários aos seus munícipes. Dizia o presidente daquele concelho minhoto (Viana do Castelo) a um órgão de comunicação social, que aquela "é uma entre outras medidas para tentar fixar os jovens casais no concelho limiano".
Noutro município, também minhoto, no distrito de Braga, em Póvoa de Lanhoso, a autarquia já entregou mais de 400 mil euros de incentivos à natalidade. A Câmara atribui 500 euros ao primeiro e segundo filho por casal e 750 euros a partir do terceiro. São pequenos passos que vão fazendo o seu caminho, e com eles, as autarquias vão procurando estancar a fuga dos seus jovens para as grande urbes.
E em Arouca? Que medidas a autarquia tomou para reduzir a acentuada quebra demográfica do concelho?
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Algo vai mal no reino do Partido Socialista local. Na última edição demos nota do voto contra do presidente da Junta de Freguesia de Alvarenga, o socialista Luís Filipe Teles, na Assembleia Municipal onde se discutiu e votou as Grandes Opções do Plano (GOP) e Orçamento.
Também o presidente da União de Freguesias de Cabreiros e Albergaria de Serra, o militante socialista Alberto Nunes, absteve-se na hora da votação daqueles dois documentos. Contas feitas, apenas o autarca de Moldes, eleito nas listas do PS, votou favoravelmente!... A máquina ‘rosa' está a emperrar a menos de dois anos das eleições autárquicas!...
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Artur Neves, num longo e exaustivo esclarecimento publicado nesta edição e na edição online do RODA VIVA, defende-se das acusações de que foi alvo aquando da polémica das "golas inflamáveis", um caso que rebentou quando era Secretário de Estado da Protecção Civil, do anterior governo.
Ao longo dos três mandatos autárquicos em que liderou a Câmara Municipal mantivemos sempre relações pessoais cordiais e temos a imagem de Artur Neves de um homem honesto e abnegado no exercício das suas funções.
Talvez o confiar em demasia nos seus mais directos colaboradores possa explicar algumas das situações em que se encontra envolvido, e que a justiça pretende apurar.
Desejamos que a sua inocência prevaleça para seu bem pessoal, e em última instância, para a própria imagem do município de Arouca.
 
Arouca

Terça, 29 de Setembro de 2020

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A Frase...

"O município desinvestiu nos jovens"

Ricardo Martins, lider da Juventude Popular, em entrevista ao RV

EDIÇÃO IMPRESSA

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