CÁTIA CARDOSO
 
Até que se prove o contrário...
 
OPINIÃO | Outros arouquenses voltam a abrir telejornais e a aparecer nas capas de diversas publicações
 
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Não. Embora seja a última crónica do ano, este texto não é um balanço de 2019. Mas reflete, ainda assim, peripécias de 2019, só agora referenciadas nestes Olhares (In)Constantes, por várias razões, designadamente o tempo necessário por forma de não ferir aqui suscetibilidades, evitando tantas incompreensões quanto possível, bem como a ilegitimidade para falar de algo omisso e/ou cujo teor não integra propriamente a nossa formação e consequentemente conhecimentos.
Depois de, em 2016, com o caso Pedro Dias, Arouca ter estado na vanguarda da comunicação social nacional por razões menos felizes, outros arouquenses voltam a abrir os telejornais e a aparecer nas capas de diversas publicações, não sendo, novamente, pelos melhores motivos.
Começou no verão de 2019, concretamente em julho.
Gerou-se a polémica em torno das golas inflamáveis que, afinal, não eram inflamáveis. Gerada já a polémica, foi ver o novelo desenrolar-se, ainda que sempre com muitos nós, e polémica atrás de polémica.
Entretanto, deixou de interessar se as golas eram ou não inflamáveis. Havia as empresas, os ajustes diretos, e... a inequidade de uma sociedade onde todos desdenham doutores e engenheiros, mas todos censuram aqueles que, de forma humilde e intencionada, prescindem dos títulos para trabalhar, por vezes, por mais conforto e justiça para essa mesma sociedade.
Para intensificar toda a situação, e culpa de todos sem exceção, acontece que os políticos - ironicamente, tal como os jornalistas - tendem hoje a ser desvalorizados pela sociedade civil, que os considera, profissão, cada caso é um caso e a generalização nos leva a caminhos falaciosos.
Neste contexto, há um antes e um depois da exibição do programa ‘Sexta às 9', da RTP, de 25 de outubro deste ano. Afinal, já dizia o ditado popular "a montanha pariu um rato", lembrar que tudo começou com as golas inflamáveis que afinal não eram inflamáveis chega a ser irónico. Afinal, não tinha sido preciso denegrir a imagem de ninguém só porque sim, porque somos humanamente maldosos, podíamos todos - indivíduos, políticos e comunicação social - ter-nos comportado também com dignidade e humildade, devíamos, aliás.
Por outro lado, lamentamos que todos tenham vestido a toga e que todos tenham sido juízes de redes sociais - como se fosse nessas plataformas que se devesse pregar a justiça, como se não estivessem infestadas com pior lado de cada utilizador e não fossem as responsáveis por tantas vezes nos autodenegrirmos.
Evidentemente que não está ainda tudo por esclarecer, mas cabe à justiça fazê-lo, não a cada um de nós, quanto isso não deverão existir dúvidas.
Aqueles que - e se existirem realmente, no meio de toda esta encruzilhada - ignoraram a lei ou agiram em desconformidade com os seus deveres devem, pois, usufruir da adequada penalização. Sendo que, provada a sua inocência - que até que se prove o contrário deverá prevalecer - sofreram já a penalização da censura social e do achincalhamento em praça pública todos os envolvidos, alguns dos quais arouquenses, nossos conterrâneos, e principalmente, os arouquenses, nossos conterrâneos, atacados por cidadãos de todo o país, incluindo arouquenses, seus conterrâneos.
Aquilo que nos apraz depreender é a liquidação da velha máxima "até que se prove o contrário, todos são inocentes", substituída, pela ânsia da sociedade de encontrar culpados, por "até que se prove o contrário, todos são culpados" e, por isso, todos devem ser julgados, de forma pública, até chegarem aos tribunais. É esta a ideia que deve fazer-nos refletir. Será legítima? Será ética? Será justa? Será aquela que queremos para nós e os nossos? Ou estaremos a caminhar em sentido contrário?
 
Arouca

Quarta, 29 de Janeiro de 2020

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"A minha abstenção nas GOP e Orçamento deveu-se à falta de soluções para a minha freguesia"

Alberto Nunes, autarca de Albergaria e Cabreiros, em entrevista ao RV

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