MAFALDA FERNANDES
 
Os muros e o rio
 
OPINIÃO | Os velhos lembram mais depressa o facto antigo que o recente
 
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Critica-se a política norte-americana por levantar paredões e obstáculos à migração da América Latina e festeja-se e comemora-se o derrube do muro de Berlim. O certo é que um grande número de todos nós pouco se preocupa com os outros e toma como interesse primordial a contemplação constante do seu próprio umbigo. E o certo é também, de um ponto de vista socio-geográfico, que os rios dividem. Separam. E, à primeira vista, não se dá por ela, mas é um facto.
A ponte do Arda e o próprio rio Arda, ao fundo do Borralheiro de Mansores, é um ponto fulcral que dá origem a populações que em tudo se distinguem. Ou, pelo menos, no essencial.
O extinto concelho de Fermedo abrangia toda a freguesia de Mansores, até ao rio Arda, a freguesia de Escariz, toda a freguesia de Fermedo até à outra ponte do Arda, no lugar da Ponte que dá passagem para o concelho de Castelo de Paiva, todas as freguesias de Santa Maria do Vale e São Vicente de Louredo e parte da freguesia de Romariz, também concelho da Feira, eram as terras de Santa Maria. Extinto, como muitos e muitos outros, por decreto de 1855, nomeadamente Alvarenga, Macieira de Cambra, etc, mais ao Sul, por exemplo, Monte Real que possui ainda os paços do Rei D. Dinis, a verdade é que os traços intrínsecos das respectivas populações não se perderam. Naquelas alturas,
as dificuldades administrativas congregavam e, ao mesmo tempo, dividiam e, hoje, algumas tendências administrativas congregam e dividem igualmente.
Os rios não são muros nem funcionam como entraves, mas diferenciam. As margens, direita e esquerda apresentam características diferenciadas. O que não quer dizer que impediam os contactos, apesar das dificuldades de mobilidade nas diferentes épocas. A economia e os comércios foram sempre factores de aproximação entre as gentes das duas diferentes margens.
Ainda a estrada 326 era um simulacro de via, em macadame, e, em Cabeçais, em Novembro, no dia da feira dos 13, se realizava a feira da castanha de Arouca. Isto ainda por alturas dos anos 40. Os agricultores da outra margem do rio Arda, isto é, de Arouca, traziam sacos e sacos de castanhas para comercializar nesse dia. A feira da castanha em Arouca, em Novembro, era um mercado temático da antiga vila de Cabeçais.
No mês de Dezembro, o mercado da feira de Cabeçais, no dia 13, era já outro. Era a feira da azeitona. E os agricultores da outra margem do rio Arda enchiam a nossa praça ilustre, que o foi sempre, de toneladas de sacos de azeitonas. Os velhos lembram mais depressa o facto antigo que o recente. Assim se verifica que a verdadeira união se processa ao nível da economia. E isto, na Europa, é velho e relho. Na Idade Média havia as Ligas Hanseáticas que permitiam as importações e as exportações entre os vários continentes conhecidos da Terra.
E havia ainda a Rota da Seda que alcandorava a ciência política-económica o labor humilde do bicho-da-seda.
O lema das gentes da margem de cá do rio Arda é o conhecido provérbio: "quem se quer bem, sempre se encontra". E a corroborar este espírito, estão as homilías do Reverendo Padre Agostinho Watela, que nos estimula a ir ao encontro dos outros. E assim acontece. As pessoas circulam pelo exterior e encontram-se e convivem. E cultivam os cumprimentos afectuosos. Com a alegria proverbial das gentes da antiga vila de Cabeçais, que foi sede do concelho de Fermedo, extinto em 24 de Outubro de 1855.
 
Arouca

Terça, 29 de Setembro de 2020

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Ricardo Martins, lider da Juventude Popular, em entrevista ao RV

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