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Natal... Natais
 
OPINIÃO | Uma festa, em que recuperamos o sentido da família e vivenciamos a solidariedade
 
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Aproxima-se o Natal.
No ritmo alucinante das nossas vidas, o Natal marca uma pausa festiva: um tempo de libertação de um quotidiano tantas vezes sofrido. E, apesar disso, montamos cenários feéricos que se apoderam de nós, condicionando-nos, escravizando-nos afinal. Aí está o consumismo a instalar-nos num estilo de vida só possível pela ditadura do imediato, que em muito contraria a libertação que ansiosamente procuramos.
Promovido pelos reclames do mercado voraz, este consumismo invade e transforma as ruas das nossas cidades e aldeias, na expectativa do décimo quarto mês.
Festa que, no entanto, vive na "lógica da exuberância, nos sinais da alegria desmedida, na economia do dom", nas palavras de Frei Bento, que cito neste texto.
Há o natal das crianças, dos presentes, do presépio e, ainda, da consoada e missa do galo. Uma festa, em que recuperamos o sentido da família e vivenciamos a solidariedade. Trocamos presentes que encantam crianças e adultos e reforçam ou recuperam a memória e a proximidade dos amigos, dos companheiros, daqueles que lembramos por muitas razões.
Luís de Camões (1525-1580), o nosso épico, canta e sente o Natal neste soneto que lhe é atribuído:

"Dos céus à Terra desce a mor Beleza,
Une-se à carne nossa e fá-la nobre
E, sendo a humanidade dantes pobre,
Hoje subida fica à mor alteza.

Busca o Senhor mais rico a mor pobreza
Que, como ao mundo o seu amor descobre,
De palhas vis o corpo tenro cobre
Por elas o mesmo Céu despreza.

Como Deus em pobreza à Terra desce?
O que é mais pobre tanto lhe contenta,
Que só rica a pobreza Lhe parece?

Pobreza este presépio representa
Mas tanto por ser pobre já merece,
Que quanto é pobre mais, mais lhe contenta".

Mas não será urgente evangelizar o Natal? "Superar o barulho das falsas evidências, proclamar a profecia que faça brilhar o sagrado traído em cada rosto, anunciar a revelação do Paraíso que estamos a perder"?
O Jesus do Presépio, o Cristo da Fé, parece hoje vencido pelo "capitalismo que mata", pelos feitiços da publicidade e pelos deuses das catedrais do consumo. Ao lado do consumismo desenfreado vive a fome, a angústia, a injustiça, a violência, a guerra, vivem também meninos abandonados nos caixotes do lixo à porta das Grandes Superfícies. Onde estão os sinais do acontecimento mais paradoxal da História?
"O totalmente Outro torna-se alguém da nossa história atribulada, a incarnação de uma justiça nova, de um amor desconhecido, de uma paz inquietante. O totalmente Outro torna-se nosso companheiro de caminhada. O seu nome é Emanuel, que significa "Deus connosco", o amor sem limites nos limites da condição humana (Mt.1,23). Deus agiu de maneira nunca imaginada. Tornou-se o Homem novo que dá
início a uma humanidade nova. (Rom.5, 12-21).
Impõe-se, assim, que cada Natal seja para cada um de nós e para a nossa Sociedade um verdadeiro novo começo.

(texto publicado na edição impressa do RODA VIVA jornal de 2019.12.12)

 
Arouca

Quarta, 29 de Janeiro de 2020

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