CÁTIA CARDOSO
 
Percursos mágicos
 
OPINIÃO | Queremos seguir em frente
 
  Outras acções...
 Enviar a um amigo
 sugerir site
Outubro divide-se entre as primeiras chuvas e os últimos raios de sol. Entre o colher dos frutos de outono, maracujás, castanhas, maçãs, uvas, e o cair das folhas das árvores. É o melhor momento do ano para percorrer trilhos e conhecer o território que nos pertence. É o melhor momento para deixar a preguiça no sofá e entrar nas Pequenas Rotas (PRs) que o município oferece, como o PR 14 que apregoa levar-nos para uma Aldeia Mágica. Será mesmo?
A manhã corre sem pressa no Lugar de Regoufe. Há vacas a preencher os caminhos estreitos, há cães que nos recebem bem, galinhas que nos ignoram quando passamos, tratores e pessoas a trabalhar nos campos de milho. É ali, a poucos metros do Complexo Mineiro da Poça da Cadela - um dia havemos de ir às minas, de falar das minas, que têm tanto para dizer e que resistem ao tempo, evocando partes da história mundial e um precioso pedaço da história local e regional, um dia havemos de falar sobre as minas, aquilo que representam e as emoções que promovem em quem as visita, hoje, em quem ouve as histórias e estórias dos familiares que lá trabalharam, ou dos familiares dos familiares que lá trabalharam porque aqueles que lá viveram, grande parte, já partiram - em Regoufe, começa o percurso pedestre.
Embora o percurso, de carro, até lá, seja também ele delicioso, desde Moldes, com a serra cada vez
mais entranhada nos nossos olhares.
Depois, é subir, subir, e subir na ânsia de que a vista lá do alto valha a pena. Vale. Vemos Regoufe com as casas organizadas e, atrás, as minas. Do outro lado, à nossa frente, vales, montes, e o sol e dourar-nos os rostos vermelhos de cansaço. Paramos para beber água, comer as maçãs que arrancamos da árvore, no quintal, antes de sairmos de casa e broa de castanha, produto, aliás, com forte destaque no mês de outubro, em Arouca.
A partir dali, vamos descendo. Continuamos nas garras das montanhas, como se delas fizéssemos parte.
Duvidamos, a certa altura, de haver ali chegada. Parece-nos infinito aquele caminho, mas, por ser tão prazeroso, não desistimos e não voltamos para trás. Queremos seguir em frente.
Ao longo do percurso, ultrapassamos outros grupos e outros grupos nos ultrapassaram. Todos, em romaria, cada um ao seu ritmo e com as suas prioridades, a nossa era desfrutar de cada metro daquele caminho.
Por fim, avistamos a aldeia. Drave. Então era assim, tão igual às fotografias, mas tão diferente. Tão peculiar, tão estranha, tão bonita, mas tão humanizada. Como assim centenas de pessoas exploravam a aldeia isolada de tudo? Como assim centenas de pessoas tinham percorrido o mesmo percurso do que nós, ou semelhante? Como assim centenas de pessoas, em outubro, estavam ali, tal como nós? Surpresa. Trazíamos a expectativa de uma aldeia desabitada, deserta, um retiro, enfim, por isso a denominavam Aldeia Mágica. Mas como ver magia num espaço repleto de seres humanos?
Foi difícil ambientarmo-nos. Precisamos de horas ali. De explorar cada recanto, mas foram bem mais os que ficaram por explorar. Em pequenos quadros vagos de humanidade compreendemos que Drave é efetivamente um retiro, mas a magia é mais intensa em todo o percurso do que na chegada. É pelo percurso que vale a chegada. Se Drave fosse a dois minutos da vila não teria, pois, obviamente, o mesmo encanto.
Drave é uma relíquia, muitas vezes esquecida por Arouca, mas sempre lembrada por quem vem de fora e dorme em tendas nos campos da aldeia, e que lhe dá vida, e a mantém de pé. No dia em que Drave cair, cai parte da nossa identidade e da nossa história (bem sabemos como tantas vezes escrevemos estas duas palavras: identidade e história, é o que nos faz ser).
A saída de Drave é profundamente reconfortante, não apenas pela magia em peças de puzzle que procuramos para juntar (e fomos conseguindo), mas principalmente pelo caminho de regresso, novamente pelas entranhas das montanhas gigantes onde nunca seremos mais do que intrusos.
É magia para voltar, com certeza. Noutro dia de sol de outubro, ou outro mês em que a natureza esteja diferente. Em todas as suas formas e feitios ela nos acolhe e nos deixa fruir das sublimes paisagens que ostenta.
Nunca nos será, enfim, possível chegar a todos os Lugares especiais do concelho de Arouca, vamos tentando.
 
Arouca

Domingo, 08 de Dezembro de 2019

Actual
Temp: 14º
Vento: SSW a 2 km/h
Precip: 1.0 mm
Chuvas Fortes
Seg
T 14º
V 2 km/h
Ter
T 15º
V 0 km/h
PUB.
PUB.
 
 
A Frase...

"Os Passadiços do Paiva deram um impulso significativo à dinâmica turística do nosso Município e de toda a região"

Margarida Belém, após receber novo galardão a premiar os Passadiços nos 'óscares' do Turismo 2019

EDIÇÃO IMPRESSA

RSS Adicione ao Google Adicione ao NetVibes Adicione ao Yahoo!
PUB.
Desenvolvido por Hugo Valente | Powered By xSitev2p | Design By Coisas da Web | 35 visitantes online