PAULO MILER
 
A era da irresponsabilidade?
 
OPINIÃO | Uma espécie de livre-trânsito dos alunos até ao 9º ano de escolaridade
 
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Entre o calcorrear do percurso que marca a nossa vida, a maturidade, a racionalidade e, sobretudo, a consciência, pululam de mãos dadas e desenvolvem-se na simétrica dimensão da nossa estrutura física. E tal como, nos traços físicos, damos o "pulo" - como é comumente denominado na gíria popular -, consoante a oportuna naturalidade do momento, também em determinado período alavancamos igualmente a nossa consciência para outros patamares que reclamam uma visão periférica do mundo tal qual o conhecemos, fruto da mundividência perene, ainda que precoce, que nos circunda. É o chamado aclarar da mente que, obviamente, tem maior ou menor incidência na nossa condição humana, conforme o rumo que lhe quisermos legar.
O mundo está em constante mutação, num processo ininterrupto e veloz relativamente ao qual vamos, muitas vezes, perdendo o "fio à meada" e priorizando as questões que merecem a antedita consciencialização. Obviamente, nesta equação fica a faltar a sublime liberdade que desinibe a consciencialização e permite, claro está, priorizar e discernir as tais questões. A liberdade tem o condão de não olharmos a limites no horizonte das nossas ações. Isso, logicamente, traz consequências
positivas e negativas na prossecução dos nossos atos e é por entre essa neblina que a consciência pode irromper, irradiando ou não. Essencial é, por isso, a responsabilidade associada. Somos, ou deveríamos ser, tão livres quanto responsáveis. Tão conscientes quanto responsáveis. É nesta aparente sintonia que deveríamos guiar a nossa ação, sucedido que está o "pulo".
Como acima referimos, o mundo está em constante mutação. Se em muitos aspetos a evolução tem mostrado maior consciencialização, nomeadamente a liberdade historicamente alcançada a "ferros", em muitos outros quesitos a responsabilidade não a tem acompanhado. Premeia-se o mais criativo na arte de "sacudir a água do capote" ou aquele que mais demora a enxugar as lágrimas da vitimização; olha-se com desdém para quem assume a responsabilidade dos seus lapsos ou fracassos.
Uma das medidas que o Governo incluiu no seu programa, no setor da educação, foi a de "criar um plano de não retenção no ensino básico". Melhor dizendo: uma espécie de livre-trânsito dos alunos até ao 9º ano, sem que haja verdadeira assunção de responsabilidade.
A medida insere-se na parte do programa intitulada "Combater as desigualdades à entrada e à saída da escola". No mínimo irónico, se pensarmos que o mérito fica à porta, de plantão, acompanhado pela responsabilidade, essa sim, devidamente excluída deste reduto de (pouca) exigência, onde as noções de metas e esforço são desclassificadas. A busca obsessiva pela igualdade acentua as desigualdades e gera injustiça no tratamento concedido aos que meritoriamente e arduamente atingem os seus objetivos. Fora referido que esta medida "pouparia" aos contribuintes cerca de 5 mil euros por aluno, perfazendo uma estimativa de 250 milhões de euros de poupança. Mais uma vez, acorre-nos a ironia, sobretudo tendo em consideração a fúria com que a esquerda e extrema-esquerda se batiam contra esta "visão economicista" da educação. Neste boomerang, a nova linha de raciocínio alia poupança a irresponsabilidade, desviando-se do essencial na educação, que se pauta pela formação do aluno enquanto futuro profissional, na vertente do mérito fruto do esforço, e a tão ou mais importante formação do aluno enquanto pessoa, pelos valores incutidos. Há que quebrar este enguiço, dotando cada escola de liberdade na definição de alguns dos seus conteúdos educativos mediante concertação entre encarregados de educação e professores, atribuindo maior robustez e atenção aos "clássicos" na consagração da matriz nacional de conteúdos escolares.
Na era do progresso incessante, nem tudo o que é disruptivo é necessariamente positivo. Por isso, diz-nos a vanguarda que a liberdade sem a devida responsabilidade favorece os incautos e desprestigia os laboriosos e meritórios. O presente ainda desconhece e olha para trás, procurando os resquícios daquilo que se foi perdendo.
 
Arouca

Domingo, 08 de Dezembro de 2019

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A Frase...

"Os Passadiços do Paiva deram um impulso significativo à dinâmica turística do nosso Município e de toda a região"

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