TEIXEIRA COELHO
 
Fenómeno que nos interpela
 
OPINIÃO | Na vida cristã é fundamental a missa dominical
 
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Entre nós, como por toda a velha Europa, as igrejas vão ficando cada vez mais vazias. E sobretudo de jovens. O que teremos nós a ver com este esvaziamento das nossas igrejas?
Temos vivido a nossa vida de cristãos conformados com o "sempre assim foi". Até nem imaginamos que possa ser doutra maneira. O que conta é "trilhar os caminhos dos nossos maiores". Ainda não acordamos para os tempos novos que são os nossos.
Muitos de nós não queremos passar ao lado de semelhante fenómeno, porque nos sentimos interpelados por ele.
Os jornais, as televisões, falam-nos do Sínodo da Amazónia: da prioridade da evangelização que preconiza, da ordenação presbiteral de homens casados, do acesso da mulher ao diaconado e até da sua ordenação presbiteral, do novo Pacto das Catacumbas; o Papa Francisco assume-se como um líder no mundo conturbado, a sua Laudato Si, texto precioso, Carta Magna sobre o cuidado da Casa Comum,
vem sendo assumida como instrumento de estudo e de mobilização por todo o lado, o que contrasta com o pouco relevo que lhe é dado nas prioridades pastorais de muitas igrejas; vem do Vaticano um rescrito abrindo um discurso novo sobre os presbíteros casados e sua integração na pastoral da Igreja.
Vivemos tempos novos. Há novos horizontes.
Temos avaliado o fenómeno do esvaziamento das nossas igrejas como quem não é parte, como quem está de fora; temo-nos posicionado como espectadores e cumpridores irrepreensíveis. Lamentamos... como se não fosse da nossa responsabilidade. Há quem tenha obrigação de se preocupar com isso, argumentamos; há quem vive para isso, quem tem poder, preparação e saber para isso, pensamos.
Aqui um dado para percebermos a igreja "clericalizada" que somos.
Na vida do cristão, inserido na sua comunidade ou paróquia, é fundamental a missa dominical, a celebração da fé no Dia do Senhor. Damo-nos, contudo, conta de um claro decréscimo na "prática dominical", numas terras mais do que noutras, mais nos meios urbanos que nos rurais. Isso não acontece só pela lei da natureza.
É na missa que se celebra e se cultiva a fé, se experimenta e constrói a comunidade, que se evita que a fé se confunda ou se esgote numa mera prática religiosa ou que cada cristão se atomize ou encapsule na sua fé e assim a igreja perca a centelha de vida que lhe vem do Espírito que "sopra onde quer" e faz de cada cristão uma testemunha da Boa Nova. É na missa que somos postos perante os caminhos que a Palavra de Deus indica às nossas vidas imersas na complexidade do dia-a-dia: na família, no trabalho, no convívio com os demais. Na missa os evangelizados celebram aquilo em que acreditam e os que ainda não foram evangelizados encontram oportunidade para serem confrontados com a proposta do Evangelho.
Há a este propósito uma reflexão que julgo importante. Corremos o risco de na missa confundir o sacramental com o mágico. Chega a ser perturbador nas missas ouvir profissões de fé, ou rezar orações, numa linguagem seguramente ininteligível para a maioria dos crentes, porque uma linguagem que nos vem de outros tempos e de outros contextos. Põe-se, em muitas assembleias, na boca dos cristãos o símbolo do Concílio Niceno-Constantinopolitano, que nos vem do século IV e que é uma formulação doutrinal de uma teologia densa e profunda; põem-se na nossa boca sem a necessária explicação salmos de há vinte ou trinta séculos! A nossa participação corre, por isso, o risco da ritualização. Na missa, não raro, somos papagaios, repetidores de palavras, cujo sentido nem imaginamos qual seja. E não está aqui em causa a fé de cada um.
Daqui poderão sair cristãos enviados ao mundo (... Ite, missa est! ...) como fermento no meio da massa, como luz no meio da treva, ou mesmo 'catecúmenos' que percorram o caminho da fé ou quem sinto disso necessidade?
Porque não vemos as nossas igrejas jovens que sejam intervenientes, irreverentes, que pratiquem a "caridade da correcção fraterna", que reclamem um papel activo no tecido das comunidades? A igreja precisa do protagonismo de jovens que lhe rejuvenesçam a alma e a face.
 
Arouca

Domingo, 08 de Dezembro de 2019

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