ARMANDO ZOLA
 
Política e incêndios
 
OPINIÃO | Sobre novas centrais de biomassa, caiu o silêncio e parece que o esquecimento
 
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Irritante o optimismo do Primeiro-Ministro?! Irritante é sim a satisfação indisfarçável, e não disfarçada, com que o Senhor Ministro da Administração Interna nos vai comunicando que este ano arderam menos uns quantos hectares "que a média dos últimos dez anos", ou que, nas estradas de Portugal, o número de mortos, até
esta altura do ano, se conta por alguns menos que, até à mesma data, do ano transacto. Ainda mais irritante, neste último caso, porquanto mais evidente se torna o intuito com que o Senhor Ministro o faz, quando silencia o número de feridos graves, neste ano, nas mesmas estradas, em relação aos do passado ano, por esta altura.
Com que sentimento será encarado esse ar de satisfação do Senhor Ministro nos ecrãs das diversas televisões, pelos familiares próximos daqueles (um só que fosse) que, neste ano, perderam a vida em acidente de viação, ou por aqueles, e tantos foram já, que, ao longo deste ano, viram as chamas devorar, num ápice, tudo, pouco que fosse, que conseguiram ao longo de uma vida inteira de trabalho árduo, sacrifícios e privações? A invocação triunfal de números e percentagens nestas situações e contexto é verdadeira blasfémia. Mais que irritante, uma tal invocação, nestas condições, repugna.
A propósito de incêndios e da luta que há que continuar a travar para que, neles, de um momento para o outro, todos os bens de vidas inteiras de trabalho, ou as próprias vidas, não tenham, ano a ano, que perder-se, insisto na defesa da necessidade de, com toda a urgência possível, se tornar a nossa biomassa florestal em bem escasso e que compense colher e fornecer a quem dela careça. Sem biomassa no chão da floresta, o fogo não lavra por não ter de que alimente. Foi com esperança que, há longos meses, soube da pretensão do PS de viabilizar, a curto prazo, cerca de uma dezena de novas centrais de biomassa. Sobre isso, porém, caiu o silêncio e parece que o esquecimento. Mais recentemente, defendeu o PSD que um seu governo apoiaria a produção de energia a partir da biomassa. É um bom desígnio de quem, contudo, está muito longe do poder. Será que o manteria se viesse a governar?!
Apraz-me registar também que a CDU, através do seu cabeça de lista às próximas eleições legislativas pelo círculo de Aveiro, em recente sessão pública realizada em Arouca, defendeu a necessidade de "remunerar devidamente a matéria florestal, seja a madeira ou a biomassa resultante das limpezas...".
Acreditando neste caminho como o melhor, sem descurar outros complementares, para diminuir, até limites toleráveis, a dimensão e gravidade dos incêndios, parece-me, apesar de tudo, serem, esses, sinais de esperança para por ele se dever continuar a perseverar.
Escrevi em número anterior deste Jornal, que PSD e CDS, com a posição tomada em relação à recente luta dos professores, tinham feito mais pela vitória eleitoral do PS nas Europeias, que o próprio PS nos seus quatro anos de governação. E, tanto fizeram nesse sentido, que o mesmo PS, até aí comedido na afirmação das suas
pretensões eleitorais para as Legislativas, passou, a partir daí, a expressar, ou a deixar que se entendesse, que o alcance de uma maioria absoluta era uma possibilidade e uma ambição sua. As sondagens, as intervenções do Presidente da República, também ele interessado em poder exercer um segundo mandato de par com um governo sem qualquer dependência de comunistas e bloquistas, e as inabilidades e falta de convicção de Rui Rio (que já aceita como meia vitória um governo só PS) e de Assunção Cristas, por certo, conduziriam a esse desfecho.
Contudo, os vários episódios relativos a alguns sectores do Governo divulgados recentemente, com larga difusão, por todos os grandes órgãos de informação nacionais, poderão por em causa tal resultado.
Por mim, continuo a pensar que a presente solução governativa, apesar de todos os apesares, foi a que melhor serviu a grande maioria dos Portugueses no período constitucional do pós-Abril. Por isso, em Outubro, não deixarei de ser coerente com esse pensar.
 
Arouca

Quinta, 21 de Novembro de 2019

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"Pretendemos que a Junta possa ter maior autonomia e fazer um serviço melhor do que aquele que está a ser executado"

Vitor Arouca, da Assembleia de Freguesia Arouca-Burgo, sobre a proposta de transferência de competências, ao RV

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