MAFALDA FERNANDES
 
Os meninos e a praia
 
OPINIÃO | E era a bola, junto às balizas, as corridas em círculo, os tombos inofensivos no areal fofo
 
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Durante quinze dias, foi aquilo pela manhã. Mais ou menos às nove horas, começavam a chegar os grandes autocarros de empresas rodoviárias da zona ou de turismo lotados com meninos de idades variadas que só se avistavam nos enormes veículos pelos chapelinhos multicolores.
Ainda o sol mal tinha despontado e não pintava de estrelinhas de luz as águas prateadas da ria de Aveiro.
Os grandes autocarros rumavam à avenida da praia e ali deixavam ficar, para beneficiarem da beira-mar, dezenas e dezenas de meninos provenientes dos concelhos vizinhos e que povoavam singularmente o areal com veraneantes de palmo e meio, uns com perto de um metro de altura e outros, muitos, com pouco mais de cinquenta centímetros.
A praia enchia-se de uma grande vozearia juvenil, que apetecia ouvir e levava muitos adultos às esplanadas junto ao mar para os ver e ouvir.
E durante umas horas, às vezes com o sol encoberto, o que não era todo de desprezar, na medida em que não se registariam escaldões, os meninos ficavam entregues às monitoras, que poderiam ser professoras ou não, umas mais elegantes, outras mais simples, mas todas de uma dedicação e grande sentido de responsabilidade e, até mesmo, em evidências de visível amor.
Aqueles meninos foram, sem dúvida, a vida e a animação daquela praia enorme, naqueles dias felizes e salutares.
E dávamos connosco, nós que passávamos o tempo a contemplá-los, a pensar no exato afeto das edilidades que tiveram o cuidado e o interesse de beneficiar aquelas populações juvenis com os encantos e os benefícios dos ares da beira-mar. Era, realmente um afeto, mais que competência, muito visível e palpável.
Os meninos não iam à água molhar os pés. Era impensável. Mesmo com a bandeira verde, é fácil concluir que seriam facilmente enrolados e não faltariam os momentos de aflição. Permaneciam no extenso areal, com uma liberdade total, para se entregarem às suas brincadeiras prediletas. Escavar buracos na areia para se enfiarem neles e as monitoras, divertidas, fotografavam-nos naquelas circunstâncias.
Dos fundos das grandes covas no areal extraiam areia húmida para levar a efeito os seus moldes e bolos de areia quase molhada. E era a bola, junto às balizas, as corridas em círculo, os tombos inofensivos no areal fofo.
Pelas doze horas, iniciavam-se os trabalhos do regresso a casa. Os grandes autocarros alinhavam-se junto à rotunda à beira-mar, porque os trabalhos são morosos e há em todos um grande controlo e uma série de regras. Verificar e vestir as roupinhas, em que muitos necessitam de ajuda, verificar as mochilas e as sandálias ou os ténis. Sempre com muito método e muitas regras e sem pressas nem atropelos. Cada grupo tinha o seu autocarro e mesmo depois de recolhidos, o veículo não arrancava logo para se proceder aos controlos necessários.
Finalmente, os grandes autocarros partiam e, na praia, instalava-se um grande silêncio, só se fazendo ouvir a voz e o bramir do mar, como se ele próprio também lamentasse a ausência dos meninos.
 
Arouca

Terça, 17 de Setembro de 2019

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