TEIXEIRA COELHO
 
Tradição e tradições
 
OPINIÃO | São evidentes as limitações de boa parte dos cristãos no que toca à sua formação de base
 
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Tem-me sido dada oportunidade de divulgar neste espaço reflexões, opiniões pessoais, convicções, sobre temas diversos, boa parte deles atinentes a uma dimensão da minha vida que me é cara: a condição de cristão. Não é difícil perceber porque é que essas reflexões tenham assumido, por vezes, um tom crítico. É que, de facto, há outros horizontes.
Entendo que vivemos - e não apenas no que toca à temática em causa - "a ver passar os comboios". Vivemos, os cristãos, de tradições que mais nos capturam que libertam.
Vivemos apegados a tradições, porventura fecundadas pela Tradição, mas não aferidas e alimentadas por ela. Os nossos antepassados, no contexto das suas vidas, mentalidades, crenças, usos e costumes, exprimiram e viveram à sua maneira a fé recebida da Tradição. Nós herdamos tradições, que tiveram contexto histórico bem diferente do nosso, e parece que temos como inalteráveis, válidas por si mesmas e não enquanto remetendo para a Tradição que lhes deu razão de ser. Como se a autenticidade das nossas convicções estivesse na fidelidade cega ao modo como os nossos antepassados viveram as suas.
O futuro não está pré-determinado. Enquanto cristãos podemos e devemos construir o futuro na fidelidade àquela Tradição que pela sucessão dos séculos tem sido a referência e a garantia da presença da Igreja na história. Há hoje sinais que mostram o sentido em que devemos caminhar. Perscrutar esses sinais, interpretá-los e pôr-se a caminho é o que urge.
São evidentes as limitações de boa parte dos cristãos no que toca à sua formação de base. Muitos têm o catecismo de crianças como a referência pessoal e bastante da sua formação doutrinal. E, por isso, não lhes ocorre, por exemplo, ser membros activos nas suas paróquias ou comunidades de pertença, assumindo as consequências do ser cristãos; parece que entendem que receberam no catecismo formação doutrinal para o resto da vida. Não lhes ocorre completar ou desenvolver a sua competência como cristãos. O catecismo foi e permanece, a par da fidelidade às tradições herdadas, uma matriz da sua identidade religiosa. E isto verifica-se tanto com leigos, cidadãos pouco escolarizados, como com leigos, cidadãos que na sua vida pessoal adquiriram formação académica superior, mas que mantêm formação cristã ao nível do catecismo da infância.
É por tudo isto que convivem na massa heterogénea dos cristãos os ditos praticantes, os não praticantes, os que "têm a sua fé", os que acreditam em Deus sem saberem muito bem o que isso seja, os que acreditam na ressurreição tendo acerca disso uma ideia muito mal esclarecida, os que entendem a Bíblia como palavra directamente ditada por Deus, fazendo dela uma interpretação literal e, não pretendendo ser exaustivo, os que praticam a "religião do medo": do medo do inferno, do purgatório, de não ir para o céu, de fugir à condenação eterna. Enfim, na massa dos cristãos é facilmente verificável a fé de uns, a crença de outros e a religião de todos. Mas fé, crença e religião não se recobrem: não se excluem, mas também não se incluem necessariamente.
A fé é assentimento à Boa Nova da vinda do Reino de Deus, com o compromisso de seguir os passos de Jesus numa atitude filial para com o " Pai do céu". Uma proposta que nos é feita e que é ‘graça', chamada de Deus, luz e impulso; uma proposta à nossa inteligência para ser entendida e seguida pela vontade; tomá-la em consideração ou rejeitá-la. A fé cristã é um apelo à liberdade de cada um.
Aqueles que vão cada domingo à missa e que a entendem e vivem como "fracção (partilha) do Pão e da Palavra", esperam e merecem encontrar aí um momento de 'experienciar' e crescer na fé.
Como tem sido possível reunir nas igrejas um número, apesar de tudo significativo, de cristãos e não se sentir uma dinâmica geral de resposta aos imperativos da Palavra proclamada em cada domingo?
 
Arouca

Quinta, 23 de Janeiro de 2020

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