CÁTIA CARDOSO
 
Debaixo do Paiva
 
OPINIÃO | Arqueólogos e historiadores têm procurado estudar a ponte romana
 
  Outras acções...
 Enviar a um amigo
 sugerir site
A soberania do tempo apaga sem piedade a história física construída, gradualmente, num processo que deixa rasto, isto é, vestígios. É através de vestígios, pedaços que já fizeram parte de um todo, que se torna possível descodificar construções e história(s) apagadas pela passagem dos anos, dos séculos.
Certamente, nunca descobriremos tudo, e nunca nos saciaremos por completo com aquilo que lemos e ouvimos, até porque quanto mais sabemos mais queremos saber.
Há segredos que a terra esconde e a arqueologia procura desvendar (e desvenda!), mas nem só na terra se resguarda a história, também a água oculta enigmas que, por vezes, o acaso traz à tona.
Falamos, claro, do Paiva. Depois de nascer, na Serra de Leonil, em Moimenta da Beira, o rio caminha por várias localidades até desaguar no Douro. Em Arouca, banha Janarde, Alvarenga, Canelas e Espiunca. Ergueram-se nas suas margens canastros e moinhos. Atravessaram pelas suas águas barqueiros, fazendo a ligação entre localidades distintas, transportando pessoas e bens.
Quanto às pontes sobre o Paiva, está confirmado que foram mais do que aquelas onde hoje podemos passar. A ponte que liga Alvarenga a Canelas, junto à praia fluvial do Areínho, terá sido construída para substituir uma outra, romana, que por ali terá existido. E talvez esteja uma ponte submersa (ou quiçá até
mais do que uma) no rio.
Aquilo que sabemos resultou essencialmente da leitura de um artigo publicado na revista Humanitas, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, da autoria de Nair de Nazaré Castro Soares.
Segundo o texto referido, Hélio Marco de Castro Pereira, na prática de mergulho de apneia, descobriu "no Poço do Loredo, em frente às habitações ainda existentes de Janarde, a cerca de sete metros de profundidade, três grandes blocos de granito, ligados por vestígios de metal encastrado, talvez bronze/chumbo, que reconhece, como fundações de uma ponte".
Arqueólogos e historiadores têm procurado estudar a ponte romana sobre o rio Paiva, tendo sido descoberta também, segundo o mesmo artigo, uma via romana no Maciço de Fuste, (embora algumas pesquisas online, informações complementares não foram encontradas no momento da escrita deste artigo), sendo que estes vestígios poderão ser um contributo positivo para tais estudos.
A inexistência de granito na região (o mais próximo é a 7 quilómetros, o castro de Alvarenga) faz crer que os vestígios encontrados pertencem efetivamente à ponte romana sobre o Paiva, permitindo a confirmação da localização desta.
As pontes sobre o Paiva são, na verdade, um fenómeno que tem tanto de belo como de misterioso, ao longo de todo o percurso do rio. Mencionemos, por exemplo, as ruínas da Ponte de Cabaços, em Reriz, Castro Daire, de perfil medieval.
Talvez daqui a décadas aquilo que da ponte hoje ainda resta esteja também debaixo de água.
Por agora, fica este modesto (e com certeza tão incompleto) apontamento, que visa reforçar a grandiosidade de tudo o que envolve este rio, caraterística provada por cada ruína, cada memória, cada pedaço de história.
É, pois, de extrema dificuldade não nos deixarmos seduzir pelo Paiva.
 
Arouca

Terça, 17 de Setembro de 2019

Actual
Temp: 18º
Vento: ESE a 3 km/h
Precip: 0 mm
Nublado
Qua
T 25º
V 0 km/h
Qui
T 26º
V 0 km/h
PUB.
PUB.
 
PUB.
INQUÉRITO
No ano em que a Feira das Colheitas assinala as bodas de diamante (75°), a organização deve reforçar a aposta...
 
 
A Frase...

"Podemos pensar e sonhar que iremos subir de divisão"

Henrique Nunes, treinador do FCA, em entrevista ao RV

EDIÇÃO IMPRESSA

RSS Adicione ao Google Adicione ao NetVibes Adicione ao Yahoo!
PUB.
Desenvolvido por Hugo Valente | Powered By xSitev2p | Design By Coisas da Web | 25 visitantes online