TEIXEIRA COELHO
 
Santa Casa da Misericórdia de Arouca
 
OPINIÃO | Estimular a adesão de novos Irmãos deveria ser preocupação das forças vivas do concelho
 
  Outras acções...
 Enviar a um amigo
 sugerir site
Arouca tem andado nas bocas do mundo por algumas boas razões. E há em Arouca uma instituição de que Arouca se pode orgulhar, mas que não tem merecido a atenção que lhe é devida. Refiro-me à Misericórdia, a comemorar os seus 409 anos de existência. Da falta da merecida atenção que
refiro é prova, por exemplo, a diminuta participação dos Irmãos nas Assembleias, reuniões prescritas pelos estatutos.
Na assunção da sua herança histórica e na fidelidade à sua matriz identitária - a prática das obras de misericórdia - a Misericórdia mantém, actualmente, um conjunto de actividades que dão corpo às seguintes valências e respectivos serviços: Estrutura Residencial para Pessoas Idosas (Lar), Serviço de Apoio ao Domicílio, Hospital (Unidade de Cuidados Continuados, Internamento Privado, Consultas de Especialidades, Fisioterapia e Exames Auxiliares de Diagnóstico), Centros de Dia (Urrô e Tropeço), Cantinas Sociais, Creche, Núcleo Museológico da Capela da Misericórdia e Núcleo Museológico da Lavoura e do Linho. A Misericórdia dá resposta diária a necessidades de cerca de 300 utentes e contou, em 2018,com cerca de 130 colaboradores. A Mesa Administrativa tem projectos para continuar a valorizar e a diversificar os serviços que presta, dando resposta adequada a um número cada vez maior de carecidos da sua ajuda. Inscreve-se nesse âmbito, nomeadamente, a ampliação e requalificação da Estrutura Residencial para Pessoas Idosas (Lar), ampliação e remodelação do edifício do Hospital e construção de um edifício para Residência Assistida. "Tudo isto sem descurar a sustentabilidade da instituição". Há que saudar todos quantos dedicam à Misericórdia o melhor das suas competências e capacidades. Com níveis diferentes de responsabilidades e competências, substituem-nos, substituem as famílias e desempenham uma missão supletiva quando necessária na sociedade a que pertencemos.
Saliento aqui o Lar que acolhe alguns dos nossos mais idosos fragilizados pelo desgaste do tempo e vicissitudes da vida e alguns deles pelo desinvestimento dos mais próximos na satisfação das suas necessidades, desinvestimento ditado por circunstâncias que, tantas vezes, se sobrepõem à vontade dos familiares. São muitos e não tantos quantos necessitariam desta asa protectora, dadas as limitações da capacidade da Instituição, que não da vontade dos responsáveis. Ali se proporciona acolhimento a cidadãos, maioritariamente arouquenses, em cujas faces é possível descortinar a par do trabalho do tempo, esse impiedoso escultor, o testemunho eloquente, conhecido e reconhecido de vidas que se esgotaram ao serviço dos mais próximos e da comunidade. Uma instituição que deveríamos ter, essa sim, como a menina dos olhos do nosso concelho, orgulho da comunidade, escrínio de apelos permanentes a cada um de nós. Livro aberto de história (s) que tanto bem nos proporcionaria folhear!
Nem todas as casas são lares. Há até casas onde se violentam os mais idosos. No Lar da Misericórdia cuida-se das pessoas e procura-se preservar e promover alguma da integração ainda possível na comunidade de origem.
Mas todos deveríamos acompanhar a vida do Lar, como um edifício "com paredes de vidro", procurando informação e dando algum do nosso tempo num espírito de fraterna e recíproca convivência. Há equipas de voluntários que dedicam, em esquemas de serviço organizado, algum do seu tempo a quebrar a solidão dos utentes do Lar. Reforçar estas equipas para amenizar a solidão sobretudo daqueles que ali habitam após quebrados os laços familiares... Não será esteum imperativo da justiça que emerge da solidariedade Intergeracional?
Estabelece o Compromisso da Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Arouca no art.5º, nº2, que "o número de Irmãos da Santa Casa é ilimitado e deve representar a comunidade em que se insere" e, no artigo 6º, regula as "condições de admissão e readmissão", numa formulação de carácter inclusivo e aberto. Estimular a adesão de novos Irmãos deveria ser preocupação das forças vivas do concelho a começar pelas que têm como missão promover o espírito que dá corpo e alma à Santa Casa da Misericórdia, como é o caso das Paróquias. No ano de 2018 foram admitidos apenas seis Irmãos, sendo a Irmandade constituída por 277 Irmãos.
Quem não quer ser parte de um concelho que respeita, cuida e promove os direitos de todos a começar pelos mais vulneráveis? Uma causa e uma responsabilidade de todos.
 
Arouca

Terça, 17 de Setembro de 2019

Actual
Temp: 18º
Vento: ESE a 3 km/h
Precip: 0 mm
Nublado
Qua
T 25º
V 0 km/h
Qui
T 26º
V 0 km/h
PUB.
PUB.
 
PUB.
INQUÉRITO
No ano em que a Feira das Colheitas assinala as bodas de diamante (75°), a organização deve reforçar a aposta...
 
 
A Frase...

"Podemos pensar e sonhar que iremos subir de divisão"

Henrique Nunes, treinador do FCA, em entrevista ao RV

EDIÇÃO IMPRESSA

RSS Adicione ao Google Adicione ao NetVibes Adicione ao Yahoo!
PUB.
Desenvolvido por Hugo Valente | Powered By xSitev2p | Design By Coisas da Web | 25 visitantes online