CÁTIA CARDOSO
 
O meu problema com o futebol
 
OPINIÃO | Continuo a ver uma escassez de cultura e de representatividade
 
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O meu problema com o futebol é simples e, creio, lógico. Está relacionado com o facto de um clube, ao contrário daquilo que se diz no senso comum, estar mais longe do que parece de representar a terra cujo nome leva para o campo.
O desporto é - ou deve ser - um elemento da cultura, definindo-se esta como um "sistema complexo de códigos e padrões partilhados por uma sociedade ou um grupo social e que se manifesta nas normas, crenças, valores, criações e instituições que fazem parte da vida individual e coletiva dessa sociedade ou grupo" (fonte: infopédia).
A cultura de uma terra são os grupos e atividades que nela se expandem, refletindo-a, do ponto de vista da sua história, costumes e tradições. E, por isso, a cultura de uma terra deve igualmente incluir os seus desportistas. Dela fazem parte todos os seus descendentes. A cultura de uma localidade é construída pelas pessoas que ali crescem e vivem, pelos que se orgulham de estar ali e gritam o seu nome por
onde quer que passem.
Neste sentido, a questão parece tornar-se clara. Se o desporto é cultura, se o futebol é cultura, se a cultura de uma terra são as suas pessoas, porque é que os clubes de futebol de uma terra não são constituídos, na medida maior do possível, por jogadores da terra que representam? Será porque o futebol é cada vez mais um negócio e cada vez menos cultura? Se é, não devia ser. Porque o desporto até é bonito, mas não é representativo.
O meu problema com o futebol é que não consigo sentir-me representada por ele. Gostava que o Arouca jogasse com a prata da casa, e não a "emprestasse" (que termo tão feio para falarmos de pessoas!), quando a tem de qualidade, a outros clubes. Gostava que os jogadores da Académica, como quando o clube era grande e fazia História de Portugal (recorde-se a Crise Académica de 1969, já que celebra agora os 50 anos), fossem estudantes, para que me tivesse sentido representada quando estudei em Coimbra. Esta é a razão principal pela qual me afasto dos estádios - ou, melhor, pela qual não me aproximo dos estádios.
Todos os argumentos que contestem tal posição, poderão até ser legítimos, porém, continuarei a ver no futebol uma escassez de cultura e de representatividade que, por vezes, chega a afligir e magoar.
Creio na congruência de que uma pessoa que trabalha - seja em que área for - com a possibilidade de representar a sua terra, dará, inevitavelmente, mais de si, pois há um orgulho intrínseco difícil - ou impossível - de alcançar por quem vem de fora.
Evidentemente que, embora todas as circunstâncias, preferiria que o clube que tem o nome da minha terra jogasse num patamar tanto acima quanto possível. Evidentemente que preferiria que o Futebol Clube de Arouca se mantivesse na II Liga, e mais ainda que voltasse à I. Tudo isto, sem retirar nada do que referi atrás.
 
Arouca

Segunda, 23 de Setembro de 2019

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