TEIXEIRA COELHO
 
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OPINIÃO | Vão-se instalando formas refinadas de escravatura mental
 
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"Uma leiga (1) acaba de assumir a coordenação do sector dos media na Conferência Episcopal Portuguesa".
A comunicação no interior da Igreja e desta com o exterior preocupa os nossos Bispos. A palavra do Bispo, com efeito, não chega às paróquias ou não lhe é aí dado o relevo que merece. (Verdade seja dita que, algumas vezes, quando o bispo fala às paróquias a sua palavra soa estranha, demasiado previsível, vinda de fora e nem sempre afinada pelo tónus da realidade local). Tão pouco a palavra do Papa Francisco que marca um tempo novo na vida da Igreja encontra eco frequentemente na vida das Igrejas locais, só chegando aos cristãos através dos órgãos de informação geral que dela selecionam temas segundo critério nem sempre liberto de um sensacionalismo evidente.
A oportunidade e a qualidade da comunicação praticada na Igreja suscita uma reflexão.
Vivemos assediados por mensagens que disputam a nossa adesão. Vão-se instalando formas refinadas de escravatura mental. Há já quem perca o tino por falta de uma voz que seja a referência sempre necessária, como anúncio, como denúncia, como proposta de reflexão. Quem vai ao templo é suposto que não veste à entrada uma roupagem ocasional de gente crente, roupagem que houvesse despido durante a semana. Ao entrar no templo não deixa à porta a sua condição de cidadão: pai, mãe, jovem, adulto, dona de casa, trabalhador, comerciante, empreendedor, desportista, político, professor, servidor do bem comum... Leva a sua vida para ser iluminada e inspirada pela palavra que vai ser proclamada; leva a sua vida para ser oferecida, resgatada e renovada no rito sacramental. Leva consigo "o mundo": a urgência de um novo estilo de vida, as alterações climáticas, o respeito pela Natureza, o trabalho precário, o salário mínimo, a violência doméstica, os fenómenos da corrupção activa e passiva, o arremesso de notícias falsas, o trabalho - que não seja mera mercadoria -, a educação dos filhos, a participação na vida política, a família... Estes serão, entre tantos outros, temas ocorrentes necessariamente na comunicação a acontecer na ocasião, porque este o húmus onde lança raízes a construção jamais acabada do cristão.
Fora da vida não pode haver comunicação, participação - não pode haver 'comunhão'; onde não há comunhão/comunicação não pode haver igreja.
Para um observador atento que frequente, até episódica ou protocolarmente, as nossas igrejas salta à vista uma falta de sintonia entre aquilo que lá se ouve e a vida que se passa no exterior, a vida de que falam os jornais, as televisões, de que falamos uns com os outros - "o mundo".
A Igreja é depositária de uma mensagem, tem alguma coisa a dizer aos homens e mulheres; é sua razão de ser proclamar aqui e agora um acontecimento que eclodiu na "plenitude dos tempos". Ter isto em conta é importante: a Igreja não pode ser reduzida a um "centro promotor de práticas religiosas" por mais estimáveis que sejam.

(1) "Uma leiga...". O termo leigo/leiga evoca uma faceta pouco feliz na vida da instituição. Mais do que uma condição ou estado tornou-se numa categoria entre a comunidade dos crentes. Houve até um tempo em que certos clérigos poderiam ser reduzidos, entenda-se despromovidos, ao estado laical.
 
Arouca

Segunda, 23 de Setembro de 2019

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"Há hoje, de forma directa, uma melhor resposta à doença"

António Alves, director executivo do ACES Feira/Arouca, em entrevista ao RV

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