PAULO MILER
 
26 de Maio, o dia que abriu as hostes da parada política
 
OPINIÃO | A celebração da democracia: o mais perfeito dos imperfeitos sistemas
 
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As Eleições Europeias ainda operam como rentrée política de outras batalhas eleitorais para os partidos políticos, numa natural aceção porquanto o lapso temporal para com as legislativas assim o exige, materializadas numa espécie de Santo Graal político, partilhado pelos media, pelos partidos políticos e seus intervenientes e, com particular ênfase, pelo eleitor, dada a importância que têm no seu quotidiano.
Mais do que a importância "palpável", a importância que o próprio perceciona. E a pertinência dessa perceção aos olhos do eleitor face à importância que um período eleitoral tem para as suas vidas dependerá não apenas, mas sobretudo do reflexo que os media e a classe política exibem. Por isso se diz no "submundo" popular que a política é o espelho da sociedade, razão pela qual se paralelizam as responsabilidades de cada estrato. De um lado, o eleitor alheado e descrente, sentimentos expressos na ausência de pegada nas urnas e desconsideração por um dever cívico consciente; do outro lado, a classe política, atada ainda aos novelos de campanhas eleitorais empoeiradas, desajustadas ao, não necessariamente admirável, mas real, mundo novo. O desapego pelas causas que tantos jovens consegue cativar e mover, mesmo que em certos casos as consideremos esvaziadas de substância, também sobrecarrega a responsabilização que lhes é atribuída. Sim, refiro-me à percentagem recorde de abstencionistas que se verificou em Portugal nestas Eleições Europeias.
Não embarcando em juízos condescendentes, considero que a partilha de responsabilidades deverá ser pesada, por forma a não extremar posições e cair na tentação de se diabolizar seja a classe política, seja o eleitor, em particular o abstencionista.
Porém, as ilações retiram-se em função da perceção que temos, a nossa, a de cada um. E, efetivamente, a "nacionalização" destas eleições europeias motivada pelo timoneiro da "Geringonça" não foi, de todo, o melhor rumo a tomar para suscitar o interesse pelas matérias europeias, cruciais no quotidiano do cidadão. Muito pelo contrário: agravou ainda mais o fosso entre o eleitor e Bruxelas, quando se exigia, da parte de quem nos governa, um melhor exemplo. Instrumentalizar eleições para os representantes de Portugal no Parlamento Europeu para fazer propaganda dos seus (supostos) feitos a nível nacional desprestigiou as mesmas e só fez com que se perdesse uma oportunidade para contrariar o alheamento, sobretudo dos jovens, para com a apreensão do projeto europeu e seus meandros.
Houve quem, no entanto, tentasse remar contra a maré.
Todavia, como as perceções também se preenchem com números, seria desonesto se não evidenciasse
a derrota do PSD nestas eleições europeias, mesmo que condicionada pelos fatores referidos, e que, logicamente, implicará a necessária ponderação.
Da minha parte, enquanto mandatário concelhio da candidatura do PSD às Eleições Europeias, encabeçada por Paulo Rangel, senti-me honrado pela vitória alcançada em Arouca, aproveitando o ensejo para agradecer a confiança que os arouquenses depositaram no projeto europeu delineado pela candidatura à qual não hesitei em prestar o meu contributo. Perante a "neblina" de desinformação e desvario que durante a campanha se foi propagando, entre os arouquenses imperou a lucidez, a clarividência, sem desprimor, obviamente, dos que, legitimamente, confiaram o seu voto num outro projeto político no qual se reviam.
No final de contas, é a celebração da democracia: o mais perfeito dos imperfeitos sistemas, com tudo o que isso acarreta, nomeadamente a preocupante abstenção.
Esperemos que a "reflexão" que tantos exigem e exorbitam no rescaldo eleitoral não se fique pelo clichê a que vamos assistindo; que não se culpabilizem apenas os jovens "desligados" sem o assacar de responsabilidades de quem os representa; principalmente, que as soluções não redundem nos extremismos que tanto tentamos combater mas que, à mínima contrariedade e no fervor do momento, acabamos momentaneamente por ceder.
Sairemos certamente todos a ganhar, conscientes do papel que cada um desempenha e da responsabilidade que lhes é devida.
 
Arouca

Segunda, 23 de Setembro de 2019

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