JOSÉ CARLOS SILVA
 
A queda
 
OPINIÃO | Carlos Pinho não poderá fugir à responsabilidade dos encargos assumidos pela sua gestão
 
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O impensável aconteceu. O Futebol Clube de Arouca (FCA) desceu novamente de divisão. Agora para o Campeonato Nacional de Portugal.
Mas se o choque da descida ainda estava a ser digerido pelo sócios e adeptos do clube, a demissão surpresa da direcção e da SDUQ do clube - ambas lideradas por Carlos Pinho - causou enorme estrondo no meio arouquense, até porque ainda tinha mais um ano de mandato.
A história do mais antigo e representativo clube do concelho de Arouca - o FCA foi fundado a 25 de Dezembro de 1952 -, e como acontece em qualquer instituição, está recheada de momentos gloriosos mas também de alguns episódios tristes.
O clube arouquense militou durante várias décadas nos escalões distritais do futebol aveirense, e aí o amadorismo e o amor à camisola eram levados a peito por todos aqueles que envergavam as cores amarela e azul, bem como pelos seus dedicados dirigentes. Pelos órgãos sociais do clube passaram muitos arouquenses, tendo em comum em todos eles o fervor clubístico pelo FCA e a paixão à terra que os viu nascer. O "santuário" do clube era o mítico Campo Afonso Pinto de Magalhães, onde desde a década de 70 do século passado até ao início do século XXI se disputaram inesquecíveis jogos de futebol ao domingo à tarde.
A ambição dos dirigentes foi crescendo, e pela primeira vez o clube ascende à antiga terceira divisão nacional. Estava-se na liderança directiva de Alberto Camisão e Acácio Figueiredo era o treinador da equipa. Foi sol de pouca dura, pois na época seguinte o FCA regressa novamente aos distritais.
O empresário José Carlos Mendes encabeça um novo projecto no clube com a ambição de colocar de novo o clube no escalão nacional. Consegue o feito com Artur Quaresma à frente da equipa técnica. A presença nos escalões nacionais foi, no entanto, mais uma vez fugaz.
Até que em 2006 Carlos Pinho assume a presidência do clube, depois de ter feito parte de anteriores órgãos sociais. Curiosidade: a sua chegada ao comando do clube acontece precisamente no momento em que o estádio municipal é concluído. Uma obra executada pela sua empresa de construção civil e adjudicada no consulado de Armando Zola.
A partir daí a história desportiva é sobejamente conhecida. Começa com o mediático Jorge Gabriel na equipa técnica liderada por Rui Correia, e termina com Quim Machado no banco no Estádio Municipal de Aveiro, na última jornada do campeonato da Segunda Liga frente à Oliveirense. Durante este longo período de 13 anos, o clube atingiu patamares impensáveis, sendo a presença na Liga Europa o momento mais marcante dessa epopeia.
Mas se a carreira futebolística foi sempre em sentido ascendente até 2017, também é verdade que Carlos Pinho foi semeando polémicas dentro e fora do campo que em nada abonaram para boa imagem do clube e do concelho. Com uma gestão profissionalizada e remunerada, o clube viveu momentos de grandes proveitos desportivos e financeiros graças aos bons negócios realizados com as transferências
de alguns jogadores e treinadores. E não esquecer os suculentos direitos televisivos, a que se juntou o
apoio constante da autarquia, liderada nesse período por Artur Neves, e de alguns importantes parceiros económicos, como foi o caso mais visível do banco EuroBic, do alvarenguense Fernando Teles.
Com a descida da Primeira Liga ocorrida há duas épocas em circunstâncias dramáticas, Carlos Pinho tentou o regresso na época seguinte, que não conseguiu, entrando as contas do clube no vermelho. Esta época o filme da descida voltou a exibir-se em Arouca com contornos mais uma vez surpreendentes.
Carlos Pinho apresentou a demissão, mas não poderá fugir à responsabilidade dos encargos assumidos pela sua gestão, uma vez que o mesmo dirigente colheu os louros, e não só, dos momentos gloriosos do clube. É um empresário de sucesso e concerteza responsável, pelo que não quererá que o seu nome fique ligado ao colapso financeiro do clube... Arouca, os adeptos do FCA e os futuros dirigentes do clube jamais lhe perdoariam essa herança!

•••

O final de época foi verdadeiramente aziago para os clubes de futebol arouquenses. Para além do FCA, também o FCA futsal desceu de divisão, com regresso ao campeonato distrital. Na mesma senda, o Alvarenga e o Mansores caíram da Divisão de Elite, a principal prova da Associação de Futebol de Aveiro.
Este triste panorama deverá merecer uma profunda reflexão dos agentes desportivos e do município, depois dos elevados investimentos realizados na modernização do parque desportivo do concelho feitos durante a gestão de Artur Neves, também ele um apaixonado pelo desporto-rei.
 
Arouca

Terça, 16 de Julho de 2019

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