ARMANDO ZOLA
 
As regiões, a estrada, o menosprezo
 
OPINIÃO | Quem preparou e lançou o concurso ou é de todo incompetente, ou então goza connosco
 
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Sobre as Regiões, de novo o manto do silêncio. Não surpreende. Muito alarido durante algumas semanas, sobretudo da parte de quem detém os actuais poderes - central e municipal - não passou de mero
fogo-fátuo alimentado por episódica quezília entre ambos.
Por ter como certo que a prática do princípio da subsidiariedade num nível de poder intermédio - regional - entre aqueles dois poderes, é da maior utilidade para o todo nacional, extraí como positiva, dessa breve escaramuça, a afirmação do Primeiro-Ministro de que a discussão que possa vir a fazer-se sobre o tema terá por base o mapa das actuais cinco Regiões-Plano. Julgo, de resto, que o referendo de 1998 reprovou a proposta de Regionalização por não incidir sobre essas cinco Regiões.
Arouca, por exemplo - sabia-o pelo contacto estreito com as pessoas e com os líderes locais dos principais partidos - era largamente favorável à Regionalização, mas votou massivamente contra, porque ninguém queria deixar a ligação ao Porto, para ser agregado a Coimbra. Escrevia, aliás, há dias, Pedro Baptista, na altura deputado à Assembleia da República pelo PS, que a "regionalização foi boicotada porque os dirigentes do PSD e do PS conspiraram, acoplando-lhe um referendo impossível de vencer...", acrescentando que no "Parlamento quase ninguém a quer..."
Recordo-me de, umas semanas antes desse referendo, argumentando, num dos corredores da Assembleia da República, com uma deputada amiga que defendia as oito Regiões, e refutando os seus argumentos, ela ter concluído a discussão afirmando que defendia as oito Regiões porque não queria que a Regionalização vencesse. E não venceu!
Agora criou-se uma Comissão Independente, de sábios, presidida pelo Eng.º João Cravinho, para estudar a Descentralização, nesta incluída a Regionalização. Cravinho diz que isto não é coisa para amadores
e, por isso, encomendou estudos, designadamente sobre a Regionalização, a outros sábios. Deste, o da Regionalização, foram incumbidos os Professores Freitas do Amaral e Aroso de Almeida, o primeiro dos quais ainda há meses escrevia, em artigo, com muito de apego ao centralismo da Capital, no jornal Público, que "a regionalização seria descentralizadora..." mas que, sem a mandar "estudar a sério... será impossível avançar...". Como até Julho, prazo limite, não é possível fazer esse estudo "a sério", é mais que provável que o que se fizer, mais uma vez encerre com um "sim, mas..." e que tenha de ter-se como certo o presságio, de há dias, do Director do JN, no seu breve Editorial, quando refere que "com tantos estudos, os governos, este ou outro, terão um manancial de motivos para que tudo fique na mesma no país do respeitinho centralista." E assim, não sabemos por quantas décadas mais, neste País que se ufana de ser "Estado de Direito", continuará, como até aqui, a violar-se, no âmbito da organização do poder político, a nossa Lei Fundamental!

Sobre a Estrada, Via Estruturante, como queria que fosse, que dizer? Desde logo, que, com o projecto do troço recentemente posto a concurso, lhe retiraram as características de via estruturante. Saberá quem o elaborou, ou defende, o que significa, em termos de diminuição de velocidade, perda de tempo, consumo de combustível, desgaste de material, com reflexos na competitividade das empresas e da economia local, parar e arrancar, com um camião carregado, dia a dia, em cada viagem, em quatro rotundas, num percurso de apenas 7 Kms? E depois, que quem preparou e lançou o concurso ou é de todo incompetente, no que se não crê, ou então que, com total menosprezo pelo Município, goza connosco: primeiro, o alongamento dos prazos do concurso e, agora, a constatação da inserção nele de um preço base que fará soçobrar todo o procedimento sem sequer chegar à fase de adjudicação.
E nós, perante tudo isso, continuamos dóceis, compreensivos! Sublimamos até, por vezes, os lapsos, ou os logros, tão nocivos para o Município, de que vamos sendo vítimas!
Aproveite-se, ao menos, o longo atraso provocado pelo lapso, ou logro, para tentar junto do novo, jovem e talentoso Ministro das Infra-estruturas, nosso vizinho, a melhoria do projecto, com a supressão das referidas e inadmissíveis rotundas.
 
Arouca

Quarta, 23 de Outubro de 2019

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"Espero que os pais dos atletas sejam exemplos de 'fair-play' dentro e fora do campo"

Pedro Cirne, presidente da UD Fermedo, em entrevista ao RV

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