CÁTIA CARDOSO
 
Uma questão de margaridas
 
OPINIÃO | A política e o futebol também são para mulheres
 
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Continuamos a celebrar o dia da mulher com flores e jantares? Nem todas. Este ano, as mulheres saíram à rua gritando pela igualdade de direitos e insurgindo-se contra a violência doméstica ("nem menos uma!" estava escrito em cartazes nas manifestações ocorridas em vários pontos do país).
Esta greve feminista, que é um movimento internacional, tendo o mais antigo sido realizado em 1975, na Irlanda, desenrolou-se sob o mote "Se as mulheres param, o mundo para" e em quatro eixos: trabalho remunerado, trabalho não remunerado, consumo de bens e serviços e eixo estudantil.
No primeiro eixo, exige-se igualdade salarial e de ocupação de cargos nas empresas; no segundo eixo, fala-se das cuidadoras (que normalmente são mulheres) e do trabalho doméstico (que ainda é desempenhado maioritariamente pelas mulheres) e exige-se que as tarefas de casa sejam partilhadas por todos; por sua vez, o terceiro eixo apela ao não consumo de bens e serviços que, nomeadamente através do marketing, exploram o corpo da mulher, por exemplo; por último, a greve, no eixo estudantil, reivindicou igualdade de género nas escolas e faculdades (não verificada, e segundo manifesto apresentado, consecutivamente nas praxes académicas).
Além da greve, no dia 8, foram promovidos debates e tertúlias em torno do papel da mulher. Na Covilhã tive oportunidade de participar em alguns desses momentos. Um dos temas abordados foi o papel da mulher no espaço público, sendo que quando se falou da mulher no espaço público facilmente a conversa chegou à mulher na política.
A primeira questão que se levanta quando se fala da mulher na política é a paridade. Sim ou não? Há quem defenda que sim, que faz todo o sentido, pois é uma forma, ainda que possa ser vista como forçada, de a mulher participar na política. Por outro lado, há quem considere que a paridade, no entanto, não apela à igualdade (para tal, a representação de ambos os sexos teria de ser 50%) e, além disso, é colocado em causa o mérito de cada pessoa. Daqui, partimos para a pergunta seguinte: O que é o mérito? Como se mede?
Recuando, a base é a educação. Educar para a igualdade será sempre mais importante do que qualquer lei e qualquer greve. Esta base é, aliás, transversal a todos os campos de atuação na sociedade e na vida. Não podemos, ainda assim, permitir um "sistema de fachada", onde entram apenas as mulheres que os homens querem, porque pensam como eles querem, porque não representam as mulheres (veja-se o caso de Damares Alves, no Brasil).
Educar para a política, como educar para a ciência, para as humanidades ou para a arte, tendo por princípio a igualdade. E não é apenas educar os homens, é sobretudo educar as mulheres (é que no machismo, infelizmente, há igualdade, e são as mulheres as primeiras, tantas vezes, a apontar o dedo a outras mulheres, por norma, mais ousadas - no ótimo sentido da palavra). Porque sim, a política e o futebol também são para mulheres, tal como cozinhar e lavar roupa também é para homens (afinal, eles também comem, e também se vestem).
Nesta fase, de transição, esperemos, para uma sociedade (cada vez) mais igualitária precisamos mesmo de mulheres-exemplo, que provem que é possível e que o sexo feminino é tanto como o masculino. Sempre que participo em conversas sobre a mulher na política orgulho-me de poder referir que na minha terra há uma mulher-exemplo. Já o referi noutros Olhares, reitero.
Ninguém pode ter a igualdade como garantia enquanto a justiça é exercida por Netos de Moura. Ninguém pode ter a igualdade como garantia enquanto há violência e mortes. Ninguém pode ter a igualdade como garantia enquanto exigirem à mulher apenas por ser mulher o que não exigem ao homem apenas por ser homem. Mas, arouquenses, podemos ter como garantia o exemplo de Margarida Belém para a consciencialização no que diz respeito à igualdade e a construir uma sociedade mais igualitária.
É preciso que as mulheres compreendam que elas próprias também podem liderar, seja em que circunstância for, desde que sejam capazes, mas tal como um homem líder também necessita de ser capaz para ocupar tal posição.
É uma questão de igualdade, sim, em que serão sempre precisas Margaridas se queremos o progresso.
 
Arouca

Terça, 18 de Junho de 2019

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