MAFALDA FERNANDES
 
As tertúlias de Lobão
 
OPINIÃO | É o tempo que proporciona a mudança para tudo
 
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Santiago de Lobão é uma pacata freguesia do concelho da Feira e era ali que os docentes da zona, de Gião, S. Vicente Louredo e Santa Maria do Vale, reuniam, quinzenalmente, para se ilustrarem. Em meados dos anos 60.
A iniciativa partiu do Professor Cardoso e de sua esposa D. Maria Olímpia que, na altura, eram ainda jovens e apreciavam a convivência.
Os temas das palestras obrigatórias andavam à volta da Psico-Pedagogia, da Administração Escolar, da disciplina de mestres e alunos, mas houve um elemento, a autora destas memórias, que lecionava em Santa Maria do Vale e lá trabalhou durante 16 anos, que resolveu pôr de lado os temas escolares e apresentou, por alturas da Quaresma, uma palestra sobre os trípticos do Pintor Nuno Gonçalves e sobre a sua própria biografia, painéis que se encontram com grande destaque no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, como não podia deixar de ser.
O trabalho foi muito bem aceite como é natural. Provocou no auditório um grande entusiasmo e um grande apreço pelo esforço em interesse e tempo de trabalho da palestrante autora.
Naqueles tempos recuados e, como mais ou menos sempre acontecia, os académicos da zona ironizavam acerca dos palestrantes, da sua envergadura intelectual e acerca do auditório que era totalmente constituído por "oficiais do mesmo ofício", quer dizer, eram todos palestrantes e auditório, professores do ensino primário.
Enquanto duraram as palestras que eram quinzenais e era de admirar que tivessem perdurado mais de dois semestres sem que algum elemento de qualquer polícia política as tivesse suspendido, constituíam um verdadeiro escape na sociabilização do professor, sempre necessária. Não foi a polícia política que lhe pôs fim. Foi mesmo a própria secretaria de Estado da Presidência invocando a impossibilidade de reunião prevista na lei do tempo. Valha-nos, ao menos, isso.
Hoje, volvidas não sei quantas décadas, mais de cinco com certeza, é a nossa vez de rir gostosamente com estas memórias. O empenho que se punha num trabalho não remunerado e o peso do Estado que se fez sentir numa proibição radical e absoluta.
Rimos das andanças e da mobilidade dos quereres humanos em relação ao que se pode e não pode fazer e em relação ao que se pode e não pode dizer.
E rimos ainda por uma questão de tempo. É o tempo que proporciona a mudança para tudo e, em particular, para o ser humano, porque, como se diz cá na antiga vila de Cabeçais, a pessoa humana, ao cabo de mais de cinco décadas está mais para lá do que para cá e as coisas deste mundo, de certo modo, perdem importância.
E ainda rimos porque no fim de cada sessão havia chá com regueifa da Magalhães, que era doceira badalada da Corga do Lobão, e aí se fizeram amizades que ficaram para a vida.
O chá já não é o mesmo, a regueifa da Magalhães já vai em três gerações. Naquela altura era a Laurita Magalhães, agora é a Lurdes Magalhães e a Laidinha Magalhães, mas o doce é sempre especial.
E, por cá, em terras de Santa Maria, é sempre de bom tom servir chá com regueifa da Magalhães.
 
Arouca

Segunda, 22 de Julho de 2019

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