JOSÉ CARLOS SILVA
 
A Ponte
 
OPINIÃO | A sua construção vai obrigar a um esforço financeiro significativo da autarquia para os próximos anos
 
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Tem estado na ordem do dia e não pelas melhores razões. Falamos da Ponte pedonal suspensa sobre o rio Paiva.
Depois do brutal sucesso que foram os Passadiços, superando em larga medida as expectativas mais pessimistas daqueles que não acreditavam no sucesso daquele equipamento turístico, a autarquia resolveu aumentar a parada no espaço envolvente e projecta agora uma ponte de grande dimensão.
É verdade que existe um antes e um depois da entrada em funcionamento dos Passadiços. Arouca ganhou projecção mediática, o nome do nosso município entrou para o reduzido número de destinos turísticos premium portugueses a visitar e isso deve-se aos Passadiços. Proporcionou também um forte dinamismo na economia local. Julgo que estes factos são inatacáveis.
Depois do estrondoso sucesso daquele percurso em madeira ao longo das margens do rio Paiva, a edilidade idealizou a construção de uma ponte suspensa sobre as águas do Paiva como nova atracção para aquele reduto turístico, provavelmente também para evitar uma natural quebra no número de visitantes nos Passadiços com o decorrer do tempo, porque outros concelhos também têm apostado em equipamentos similares. A aposta foi ousada - construir a maior ponte suspensa do mundo!
A ligação entre as duas margens do rio Paiva era, aliás, uma das principais bandeiras eleitorais acenadas pelo Partido Socialista nas autárquicas. Mas todos sabemos que naqueles momentos de calor eleitoral, muitas vezes a emoção sobrepõe-se à razão e os munícipes viram com bons olhos aquela aposta turística, bem espelhada nos resultado eleitorais.
Mas, hoje, volvidos longos meses desde o período eleitoral e depois de se saber as últimas notícias sobre a propalada ponte, nomeadamente no que toca à comparticipação de fundos comunitários, à derrapagem dos custos e ao alargamento do prazo de construção (mais oito meses!), são já muitas as vozes, inclusivé dentro do próprio PS, que torcem o nariz à construção da estrutura turística. E é preciso não esquecer os elevados custos com a sua manutenção futura, que vai obrigar a técnicas muito específicas e onerosas; e o impacto ambiental da obra. Já para não falar da sua rentabilização: pode ser uma novidade nos primeiros anos, mas depois banaliza-se e perde o encanto...
A sua construção vai obrigar a um esforço financeiro significativo da autarquia para os próximos anos, tendo de cortar, forçosamente, noutras rubricas.
Perante este cenário realista, as vozes críticas tem aumentado o seu número e intensidade e julgo que aumentarão ainda mais nos próximos tempos, numa altura em que se fala num arrefecimento da economia europeia e por arrastamento, também, da economia nacional.
Todos nós temos ainda bem presente na nossa memória colectiva os investimentos faraónicos feitos com a construção dos estádios para o Euro 2004. Na altura, o governo e os autarcas das cidades onde foram erigidos os recintos desportivos falavam à boca cheia, e com grande convicção, no retorno daqueles vultuosos investimentos através da dinamização económica em torno daqueles espaços... Hoje, quinze anos depois, a agonia daqueles locais é bem visível... Os "elefantes brancos" implantados e o pesado endividamento das autarquias para suportar por longos e penosos anos são notícia permanente na comunicação social. São os casos emblemáticos de Loulé, Leiria, Braga e Aveiro!...
•••
Morreu na véspera do Carnaval, vítima de doença, um ícone do desporto arouquense. Rogério, como era popularmente conhecido, marcou de forma indelével a vida do maior clube desportivo de Arouca, ao representar o FCA durante cerca de vinte anos, cheios de golos, raça e amor à camisola.
Quem não se recorda dos célebres domingos à tarde no Campo Afonso Pinto Magalhães, altura em que o "Arouca" militava no futebol distrital e a maioria do seu plantel era constituído por jogadores arouquenses. Além do Rogério, havia ainda o Magalhães, Zé António, Valente, Henrique, Moura, Zéquinha, Ferreira Pinto, Betinha, Luís, Alfredo, Saúl, Graveto, Luís Almeida, Vítor e tantos outros. Outros tempos, outra mística e outro bairrismo!
O Rogério era o artilheiro-mor do clube que deu muitas e inesquecíveis alegrias aos adeptos arouquenses com a marcação de inúmeros golos.
Nos últimos anos, reformou-se da sua profissão de sempre, motorista de autocarros do "Calçada", e era frequente cruzar-me com ele na vila de Arouca. Sempre nos cumprimentamos com amizade e respeito, apesar da diferença geracional entre nós.
Era assim o Rogério, por debaixo daquela expressão de durão, havia um bom coração!
 
Arouca

Quarta, 24 de Abril de 2019

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