MAFALDA FERNANDES
 
Os meninos e os reis
 
OPINIÃO | Noutros tempos, os moradores eram obrigados a fazer verdadeiramente vigília
 
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Ainda o período da Epifania não tinha acabado e os meninos chegaram, em grande grupo, para saudar os moradores. E cantavam, naquele dia 8 de Janeiro de 2019, duas loas a cada morador. Uma de saudação e outra de despedida. O que se passa é que não desafinavam. As notas exatas iam saindo límpidas das gargantinhas habituadas a cantar e a treinar para a Eucaristia Dominical, a cantar na Escola, a cantar até em festas profanas, como é o Entrudo.
No preciso momento em que nos estávamos a lembrar da remaldeira do ano anterior, os meninos surgiram. Ouvimos as suas vozes afinadas lá para os lados do Cruzeiro e eles saudaram os moradores todos da antiga vila. Vinham acompanhados dos seus mestres, a Lúcia, a Eva e o Carlos, doutores, e eles acompanhavam-nos nas saudações. Foi-lhes dito que se ia passar a notícia do acontecimento e, embora
a Epifania de certo modo se tenha esgotado, o registo aqui está. Costuma dizer o povo: "A pobre não devas e a menino não prometas" e, se a promessa não fosse cumprida, os meninos ficariam com uma má impressão da moradora que lhes prometeu uma notícia no jornal acerca das suas andanças de Reis pela freguesia de Fermedo onde fica situado o polo escolar de ensino básico que eles frequentam.
Assim, talvez em aparência, de um modo tão simples, porque o repertório dos meninos é grande e variado, porque os lugares são espraiados na orografia da terra e eles ainda são novinhos, os meninos vão deixando, todos os anos, de geração em geração, a marca da adoração dos Reis Magos ao Menino Jesus, pelas nossas aldeias.
Noutros tempos, os moradores eram obrigados, na noite de 5 para 6 de Janeiro, a fazer verdadeiramente vigília. Vinham grupos de ramaldeiras, umas atrás das outras, habitualmente só com homens cobertos de mantas e acompanhados de instrumentos musicais: o bombo que começava a fazer-se ouvir ao longe, ainda muito longe a concertina e os ferrinhos. E cada grupo que chegava fazia uma festa. Os moradores preparavam-se com numerário que se visse para que os grupos não ficassem a pensar mal dos moradores.
Não é o facto de os cantadores de Reis, hoje em dia, não precisarem de realizar um pequeno pecúlio naquela noite sagrada. Precisam sim, senhor. Até o numerário de hoje tem pouco valor. A questão é que a sacralidade daquela noite santa e até da própria Epifania no seu todo, nos tempos que correm, já não é um valor para todos, um valor que impulsione uns tantos e os leve, toda a noite, cobertos com mantas, a fazer uma festa à porta da casa de cada morador.
Parece mesmo que só os meninos é que mantêm a tradição e se encarregam de nos trazer todos os anos um vislumbre daquilo que, obviamente, é eterno e de uma beleza imperecível.
 
Arouca

Quarta, 27 de Março de 2019

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"Numa freguesia extensa (35 km2), torna-se difícil a gestão de todos os espaços públicos"

Joaquim Cunha, autarca de Canelas-Espiunca, em entrevista ao RV

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