PAULO MILER
 
Bravura e marasmo
 
OPINIÃO | Nas nossas “fileiras”, a extrema-esquerda protagonizou momentos pejados de desplante
 
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"Gloria al bravo pueblo": a epígrafe que suporta o hino venezuelano fora exultada com a bravura distintiva dos que clamam pela liberdade, pelas ruas da Venezuela, aquando do acontecimento ocorrido no dia 23 de Janeiro de 2019, que certamente perdurará contemporaneamente na História: a autoproclamação do líder da oposição e Presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, como Presidente Interino da Venezuela. A ostracização, opressão e, sobretudo, a situação económico-financeira calamitosa que se vivenciava atingiu contornos de inevitabilidade na ação entre os que não se resignavam, os que não se conformavam com o cenário dantesco que as próprias prateleiras dos supermercados ou o irrisório valor da moeda espelhavam. O contexto descrito não surge por acaso: um Estado omnipresente, controlador
e megalómano, cujos tentáculos sustentam uma política fortemente intervencionista, nomeadamente o (des)controlo da política monetária que faz com que um punhado de moedas represente, passe a expressão, "uma mão cheia de nada", fruto de uma inflação galopante; o controlo de preços, as barreiras erguidas ao investimento direto estrangeiro, num país fechado em si mesmo e onde a ausência de bens de primeira necessidade tornam insustentável um marasmo que o próprio regime impunha.
Juan Guaidó assumiu as vestes da bravura que marca a identidade do povo venezuelano, inscrita na epígrafe do hino, e irrompeu com os cânones típicos de um socialismo vigente e que restringe aqueles que reclamam pela liberdade de ação, de pensamento: no fundo, foi a voz da liberdade face à opressão do regime de Maduro.
Nos píncaros do socialismo, "arrisca-se" a penalizar aqueles que o regime pretende salvaguardar. Nada mais tortuoso se deseja a quem lhes é prometido, sob falso pretexto, o resgate do malévolo capitalismo que, por sinal, proporciona a melhor qualidade de vida e a possibilidade de um futuro risonho precisamente entre os que, por força da natureza ou circunstâncias extenuantes da vida, se encontram mais impossibilitados de singrar. O êxodo que se verificou nos últimos tempos é apanágio de um país que semicerrava o precipício.
Após a autoproclamação, quase de imediato surgiram reações de vários governos reconhecendo Juan Guaidó como Presidente Interino da Venezuela, com especial ressalva para os Estados Unidos da América, assim como o próprio Parlamento Europeu. Portugal também se incluiu no rol de países que prestaram o seu reconhecimento, mesmo que, nas nossas "fileiras", a extrema-esquerda tenha protagonizado momentos pejados de desplante: enquanto uns, do ângulo obtuso do seu argumentário, ora faziam questão de referir que não apoiavam somente a figura de Maduro e a pessoalização do seu regime, ora salientavam que se mantinham neutros face à autoproclamação de Juan Guaidó, não apoiando um ou outro mas somente a figura da democracia; outros, empunhando-se das convicções ideológicas corteses com o regime de Maduro, faziam questão de prosseguir na sua defesa, mesmo com todos os relatos e imagens propagados a nível mundial que mostravam a realidade que acima fizemos questão de transcrever.
Houve lugar, inclusivamente, a uma esgrima de acusações entre os pares da extrema-esquerda relativamente a esta matéria, com o PCP a acusar o BE de ser um "relógio de cuco suíço do imperialismo norte-americano". Quem diria que o imperialismo norte-americano, vilmente invocado por ambos em uníssono, iria ser o faux paus da sua relação, agora que congregam da mesma "geringonça".
Juan Guaidó deu o mote: acabe-se com o marasmo, venha a bravura!
 
Arouca

Terça, 18 de Junho de 2019

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