JOSÉ CARLOS SILVA
 
'Círculo', biblioteca e pavilhão
 
OPINIÃO | Uma terra também se afere pelo nível e qualidade das suas iniciativas
 
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Na crónica desta edição vou procurar abordar três temas que merecem ser escalpelizados pela sua importância social, cultural e desportiva para o município de Arouca.
Começando pelo primeiro, a Associação Círculo Cultura e Democracia (CCD) completou no dia 11 de janeiro o seu terceiro aniversário, depois de ter estado um ano a funcionar como um movimento inorgânico com a designação "Círculo Mais Democracia". Este movimento, constituído maioritariamente por arouquenses que se encontram a viver fora do município, onde se foram destacando em diversas áreas, procurou trazer até à sua terra natal um conjunto de personalidades para reflectir sobre diversas questões da actualidade política, económica, cultural, social e até da comunicação social. Estiveram entre nós diversas figuras nacionais conhecidas do grande público, como foram os casos de Guilherme Oliveira Martins, Teixeira dos Santos, Carvalho da Silva, Sampaio da Nóvoa, Joaquim Azevedo, Luís Miguel Cintra, Nicolau Santos e Flor Pedroso, entre outros.
Como referi atrás, a 11 de Janeiro de 2016, na Biblioteca Municipal de Arouca, foi formalmente constituída a associação com trinta sócios-fundadores. Entrevistado pelo RODA VIVA na altura, António Costa, um dos elementos mais activos da associação, garantia que "a ideia é termos uma associação que possa abranger todo o concelho, e possa desenvolver actividades e ir colaborando com todas as associações de Arouca".
A promessa daquele sócio foi amplamente conseguida através da parceria estabelecida entre a colectividade e o Agrupamento de Escolas de Arouca na realização das Jornadas da Ciência. E aqui, convém sublinhar o papel desenvolvido por Sobrinho Simões, também ele fundador da CCD e brilhante investigador na área da medicina com raízes familiares em Arouca, na qualidade e prestígio daquela iniciativa escolar. Outras actividades de âmbito cultural e etnográfico foram dinamizadas com outras associações concelhias.
É da mais elementar justiça destacar a figura do arouquense Manuela Brandão Alves, também ele insigne académico na área da economia, a alma mater desta associação cívica, que liderou no primeiro triénio de vida, passando a presidência, no acto eleitoral realizado recentemente, a Adriano Lhamas.
O desenvolvimento de uma terra também se afere pelo nível e qualidade das suas iniciativas de cariz cultural, social e desportivo. E neste capítulo, a CCD e as suas diversas actividades trouxeram um valor acrescentado ao município nos últimos quatro anos. Parabéns!
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A Biblioteca Municipal veio recentemente à liça, através de uma iniciativa da JSD de Arouca que manifestou publicamente a sua insatisfação para o estado em que se encontra aquele equipamento público, não se ajustando ao perfil actual dos frequentadores daqueles espaços. Sou obrigado a reconhecer a pertinência e a justiça daquela posição.
Senão vejamos. Hoje em dia, basta visitar algumas outras bibliotecas nacionais para constatarmos que aquelas críticas têm toda a razão de ser. Fixemo-nos no espaço congénere do concelho de Santa Maria da Feira, em que os horários ali praticados são bastante alargados e flexíveis, tanto durante a semana, como ao fim de semana (sábado aberto durante todo o dia e domingo da parte da manhã). Os vários serviços que são ali oferecidos aos seus utentes estão rodeados da qualidade do espaço e do mobiliário ali existentes, em conformidade com a realidade dos dias de hoje.
Uma biblioteca municipal, como espaço público que é, deve estar ao serviço de toda a comunidade e não apenas de uma imensa minoria, como parece acontecer actualmente à Biblioteca Municipal de Arouca.
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Por fim, gostaria de deixar aqui uma ideia que me parece fazer todo o sentido, relativamente a futuros investimentos municipais. Já falei em tempos nele, mas volto a reafirmar com maior insistência, até porque o município está em fase de grandes e avultados investimentos.
Não vou esconder que nutro grande paixão por desporto, está-me nos genes, mas independentemente disso, julgo que nos dias de hoje a actividade desportiva ocupa um lugar cada vez mais importante nas sociedades modernas.
Em Arouca, tem havido um esforço no desenvolvimento da prática desportiva nos últimos anos com o alargamento da oferta de modalidades.
Penso, por isso, que está na hora dos decisores políticos locais equacionarem seriamente a construção de um novo pavilhão desportivo para dar resposta a este crescente dinamismo desportivo que se vive no município. Até porque o da Casa do Povo não oferece condições dignas para a prática desportiva de competição!
A título de curiosidade, refiro que o município de Estarreja gasta 1,5 milhões de euros por ano em desporto, qualquer coisa como 40 euros por habitante! Como disse na última edição, gerir é sobretudo fazer escolhas, e esta é uma escolha transversal a toda a sociedade arouquense.
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Como nota final, gostaria de congratular-me com a homenagem feita pelo Rotary Club de Arouca ao professor Carlos Esteves pela longa carreira ao serviço da comunidade arouquense, sempre imbuído de um permanente espírito de solidariedade e apelo à causa pública.
Depois de Manuel Cavadinha e de Joaquim Brandão de Almeida, o tributo prestado a Carlos Esteves enaltece e valoriza a acção do Rotary Club de Arouca.
Sem querer meter foice em seara alheia, julgo que estará na hora de também Armando Zola fazer parte desse lote restrito de homenageados pelo seu papel em prol do desenvolvimento de Arouca e do associativismo social.
Termino, deixando uma reflexão sobre o "reconhecimento" que encaixa que nem uma luva em todos estes homenageados: "Fazer o bem faz bem, independente do reconhecimento. A solidariedade não comporta vaidades pessoais".
 
Arouca

Terça, 18 de Junho de 2019

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"É fundamental organizar o espaço, pensar o palco da vida individual e comunitária"

Sérgio Costa, jovem arquitecto arouquense galardoado com prémio da Universidade do Porto, em entrevista ao RV

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