MAFALDA FERNANDES
 
Bibliotecas escolares
 
OPINIÃO | Provoca na criança uma série de reflexões positivas sobre o mundo que a cerca
 
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Já não é possível saber se ainda existem bibliotecas nas escolas primárias, na medida em que estas foram substituídas pelos modernos polos escolares. A questão é que, por alturas de 1986, havia, na escola nº2 de Cabeçais, uma bela biblioteca de que a autora destas linhas era a professora responsável e que beneficiava de uma dinamização satisfatória.
As bibliotecas escolares são indispensáveis. Na época presente verifica-se um esforço visível no sentido de desmitificar a existência humana e permitir que a criança apreenda a realidade o mais possível despida de qualquer fantasia. Esta tendência é discutível e assenta na velha teoria do "homúnculo", muito estudada e tratada no âmbito da Psicologia nos antigos Magistérios, teoria que pretende transformar a criança num adulto antes do tempo.
Uma biblioteca escolar segue os princípios de uma pedagogia do "maravilhoso", que provoca na criança uma série de reflexões positivas sobre o mundo que a cerca acompanhadas de um alto sentido de beleza que a pedagogia do "maravilhoso" origina.
A biblioteca escolar que existia na escola de Cabeçais continha obras de literatura infantil de grande valor da autoria de Hans Cristian Andersen, Saint-Exupéry, Matilde Rosa Araújo, Sophia de Mello Breyner Andresen, Luísa da Costa, por exemplo, entre muitos outros. Autores que ainda hoje são indispensáveis a um crescimento equilibrado da criança no sentido da formação de um autêntico ser humano.
Antes de 1974 existia uma biblioteca menos apetrechada, mas contendo uma numerosa série de volumes práticos, de iniciativa do Dr. José Hermano Saraiva, que à altura, era ministro da Educação do antigo regime e a que se deu o nome de Biblioteca Educativa. Esta biblioteca que se desejava que completasse a educação de adultos não deixava de conter pequenos livrinhos de grande atualidade, tais como "Os caminhos da moderna poesia portuguesa", de compilação de Ana Hatherly e num polo diferente "A nossa amiga eletricidade", que nos alerta para os imponderáveis perigos da corrente elétrica. A Junta Governativa posterior à Revolução dos Cravos, emitiu para as escolas primárias um comunicado obrigando os professores a queimar os livros da biblioteca educativa da iniciativa do Dr. José Hermano Saraiva.
Esta biblioteca da escola primária nº2 de Cabeçais, nos anos 80, foi transferida para o edifício da "Domus Municipalis" antiga vila e aí, nesse edifício que também funcionava como escola, continuou a ser dinamizada e consultada pelas crianças.
O edifício da "Domus Municipalis" de Cabeçais, posteriormente beneficiou de obras de restauro exemplares e transformou-se na Casa da Cultura de Fermedo que tem prestado prestimosos serviços às populações.
O que é certo é que a bela biblioteca infantil que existia nela desapareceu sem deixar rasto. É pena.
 
Arouca

Sábado, 23 de Fevereiro de 2019

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