PAULO MILER
 
Inclusiva(mente) excluso
 
OPINIÃO | A vanguarda da moral e dos bons costumes estende-se, desta feita, à linguagem por nós utilizada no dia-a-dia
 
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"Camaradas e camarados". Ouviu-se a afamada expressão, notabilizada por Pedro Filipe Soares, na Convenção Nacional do Bloco de Esquerda. Posteriormente, ainda no rescaldo do referido conclave, o mesmo dispensou um manuscrito numa publicação de tiragem nacional alusivo à máxima por si proferida que, à semelhança do que inicialmente ministrava o seu pensamento aquando da intervenção, encontra fundamento numa nova ordem que uma falange representativa da extrema-esquerda pretende instaurar. A vanguarda da moral e dos bons costumes estende-se, desta feita, à linguagem por nós utilizada no dia-a-dia, sob um pretexto de a tornar mais inclusiva. As formas de tratamento convencionais já não acompanham o progressismo dos vanguardistas da nova ordem social: a língua portuguesa é, segundo os próprios, contemporaneamente discriminatória. Caberá por isso à nova casta iluminada, que vocifera a
proximidade ao eleitor médio, comum e "esquecido", guiar-nos para uma nova linguagem, abstraindo-se do secularismo da nossa língua que, pasme-se, até palavras com tratamento no feminino, como a "palavra", abarca.
Desengane-se quem acha que a missiva dos "avant-gardistas" do progressismo social se cinge apenas a uma questão de semântica: a própria História terá forçosamente de ser alterada, de igual forma sob o superlativo intento de instaurar uma nova ordem e, consequentemente, a alteração dos factos comprovados, para que seja mais inclusa. Quem, no entanto, se distanciar deste movimento de inclusão ou discordar de alguns dos pressupostos em questão, é imediatamente colocado de parte, apupado, quiçá apelidado de "fascista", esse sim, um termo que atingiu um significado de tal modo transversal que no novo dicionário dos "guardiões" da moral e dos bons costumes aparece como referência a qualquer pessoa que não embarque nos mesmos argumentos. Inclusivamente, excluso.
Ainda na sequência da Convenção Nacional, outra expressão por lá proferida é demonstrativa daquilo a que o Bloco de Esquerda nos habituou em matéria de política económica: "os empresários são burros". No cenário da economia planeada, acalentada pelos quadros superiores do partido (e novos burgueses), a figura do empresário não se enquadra. Ou melhor, enquadra-se, pondo em prática uma perspetiva utópica de quem não se vê asfixiado pela notória carga fiscal mais elevada desde há décadas, quem
não descobre as oportunidades que surgem no mercado, arriscando por conta própria e, pasme-se, criando empregos e gerando muita da riqueza que os próprios se servem para concretizar as suas políticas. É certo que a cada caso, o seu contexto: nem todos temos necessariamente de ser empreendedores ou empresários. Tal como nem todos os empresários são igualmente assertivos nas suas ações, na melhoria das condições dos seus trabalhadores e no salário dispendido aos mesmos.
Porém, faça-se a devida ressalva: 99% do tecido empresarial português é constituído por pequenas e
médias empresas, sendo certo que grande parte destas são microempresas (até 10 trabalhadores). Neste
sentido, terá qualquer espécie de sentido lógico vilipendiar daquela forma a figura do pequeno empresário
português que, a expensas de uma carga fiscal pesada e burocracia, se redobra em esforços para manter
o seu negócio e trabalhadores à tona? Ainda para mais quando, de acordo com os nossos governantes, na obra literária que versa sobre a governabilidade do país, se tinha virado a página da austeridade, mesmo com a já mencionada carga fiscal mais elevada desde há muitas décadas em Portugal, seja para trabalhadores, seja para empresários.
Por cá, de cativação em cativação, as greves nos vários setores da administração pública vão-se multiplicando, enquanto o Presidente do EuroGrupo, Mário Centeno, ordena ao Ministro das Finanças de Portugal, Mário Centeno, a adoção de medidas adicionais para o cumprimento do Pacto de Estabilidade e Crescimento, num devaneio a fazer lembrar um qualquer heterónimo de Fernando Pessoa. Uma coisa é certa: o ortónimo Mário Centeno, apoiado pela extrema-esquerda, falou-nos, há tempos, de um enorme alívio fiscal. Com a situação que se vivencia atualmente no país, com os combustíveis em níveis estratosféricos, o aumento do custo de vida e a degradação dos serviços públicos, não haja dúvidas de que o cidadão médio acaba como começamos este artigo: inclusivamente excluso.
Votos de um feliz Natal e próspero ano novo!
 
Arouca

Quarta, 20 de Março de 2019

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