PEDRO QUARESMA
 
Na época da ilusão
 
OPINIÃO | Queremos ser sustentáveis mas temos aversão às folhas caídas
 
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Diz-se que estamos na época da revolução digital e virtual, penso que estamos na época é do ilusionismo e do faz de conta. Então vejam, anunciamos que no roteiro da descarbonização iremos ter de reduzir, drasticamente o efectivo bovino, mas nada falamos sobre as diferentes formas de produção, a intensiva e a extensiva. Anunciamos que todos estamos comprometidos com a política de combate às alterações climáticas e sustentabilidade, mas só vejo parques urbanos repletos de relva e de árvores não autóctones. Como todos sabemos, para mantermos um relvado bem verdinho na época estival teremos de intensificar o gasto de água. Em vez de diminuirmos, estamos a aumentar a nossa pegada ecológica. Tudo coerente com as políticas delineadas e com o bom exemplo a dar aos cidadãos? Preocupam-se com a limpeza e os arranjos exteriores, mas pouca gente se preocupa com a biodiversidade e a gestão criteriosa dos espaços de acordo com as preciosidades que encerram. Apressam-se a plantar exemplares de árvores com uma dimensão considerável, dando-se a ilusão que tal é sustentável, quando deveríamos plantar as pequenas árvores. As crianças, muitas vezes usadas para papéis pouco altruístas, deviam poder acompanhar o seu crescimento, um bocado à semelhança do que falam nas salas de aulas e que lhes vão relembrar no dia da árvore e no dia da floresta autóctone. A sustentabilidade começa pelo mais pequeno, seja árvore ou criança, e perdura quando as acções são coerentes com as políticas.
Queremos ser sustentáveis, mas todos os anos cometemos mutilações nas árvores que dizemos preservar e valorizar. As árvores não deverão ser podadas todos os anos e não é sustentável a conservação de uma estrutura controlada ao longo dos anos baseada em cortes cegos e decapitações
inconsequentes. Queremos ser sustentáveis mas damos mais valor a um metro quadrado de betão ou calçada do que a um metro quadrado para o desenvolvimento de uma árvore. Queremos encaixar uma árvore que naturalmente crescerá até aos 30 metros em uns míseros hiatos de espaço num
qualquer projecto de arquitectura, porque umas pontuações verdes ficam sempre bem. Queremos ser sustentáveis mas temos aversão às folhas caídas e corremos imediatamente para as arrumar para um qualquer espaço onde serão queimadas. Queremos ser sustentáveis, mas substituímos flores continuamente, com grandes necessidades de água e que se tornam rapidamente efémeras, em vez de optarmos por espécies adaptadas ao nosso clima, mais rústicas e resistentes. O compromisso com as políticas de combate às alterações climáticas e na diminuição da nossa pegada ecológica vê-se nestes pequenos gestos. Os espaços verdes, que deveriam ser um fio condutor da estrutura ecológica de
qualquer vila ou cidade, em muitos casos, mais não são do que uma bandeira publicitária, anacrónica e depreciativa do que outrora existia nesses locais. Infelizmente, continuamos a colocar o betão e o granito à frente das árvores e dos espaços verdes.
Porque a informação não se esgota neste artigo, os leitores que desejem aprofundar alguns aspectos podem endereçar as questões através do correio electrónico: pquaresma.arouca@gmail.com.
 
Arouca

Terça, 22 de Janeiro de 2019

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