JOÃO PEDRO BRANDÃO
 
Do miradouro está bonito...
 
OPINIÃO | Abunda o crescimento descontrolado de eucaliptos
 
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Uma lástima é o estado da floresta no Concelho de Arouca. Da Sra. da Mó a Ponte-de-Telhe, de Moldes à Adaúfe, de S. Mamede a Folgosinho, abunda o crescimento descontrolado de eucaliptos. Em muitos casos, depois de incêndios, os eucaliptos rebentam descontroladamente, crescendo para a estrada e caminhos, num cenário de aparente total abandono. Deixa-se rebentar e reza-se aos "santinhos" para que não arda nos próximos 8-10 anos...
Dirão muitos que está bonito agora o Arouca Geopark. Os eucaliptos rebentaram todos e está tudo a ficar "verdinho"... Do alto dos miradouros nem se repara a lástima que é a floresta no concelho... Afinal, os turistas continuam a visitar-nos e, entre uma posta arouquesa, uns doces conventuais e um passeio pelos passadiços mais famosos de Portugal, que turista há-de reparar na floresta? Além disso, não é assim em Portugal inteiro?
Por incrível que pareça a resposta é não!
Em 2005 - Decreto-Lei n.º 127/2005, foi criada legislação em Portugal que regulamenta e procura incentivar a criação de ZIF (zonas de intervenção florestal) - "As ZIF serão áreas territoriais contínuas geridas por uma entidade única, geralmente organizações florestais já existentes no terreno. Serão criadas nas regiões de minifúndio. (...) Constituem-se por iniciativa dos proprietários ou produtores florestais titulares (...) O primeiro objetivo das ZIF é criar um modelo de intervenção florestal em áreas de propriedade fragmentada que estabeleça um plano de defesa da floresta contra incêndios, responsabilizando uma entidade local pela sua execução, manutenção e eficácia."
Várias alterações foram introduzidas desde então, sendo as mais relevantes as introduzidas após os incêndios de 2017. Basicamente, facilitou-se o processo de criação das ditas ZIF e atribuiu-se mais responsabilidade às autarquias - Decreto-Lei n.º 67/2017 - "Considerando o papel das autarquias na gestão local dos espaços florestais, entende-se que estas devem ser parceiras prioritárias dos núcleos fundadores das ZIF, podendo constituir-se como entidade gestora e, também, como um dos canais de divulgação da informação relativa à criação, alteração ou extinção destas, visando fomentar uma maior proximidade com os destinatários da informação e acompanhando as etapas e os seus procedimentos mais importantes, em estreita colaboração com o Instituto da Conservação da Natureza e Florestas".
Desde então já foram criadas centenas de ZIF em Portugal. Por exemplo no concelho de Trancoso, presidido por Amílcar Salvador, eleito pelo PS, foram criadas 4 ZIF num total de 15.000 Hectares... O que falta ao município de Arouca para seguir este exemplo? Considerando que Amílcar Salvador é até da mesma família política, fica a sugestão ao Município de Arouca no sentido procurar beneficiar do trabalho já feito noutras autarquias e implementar o mesmo no concelho de Arouca... Eu sei que é difícil, é preciso vontade política, empenho, determinação e mais um conjunto de competências e características que devem abundar nos autarcas...
Obviamente é mais fácil falar do que agir e todos sabemos que, em Portugal, gostamos sempre muito mais de falar ou escrever do que fazer... Não deve haver em Portugal quem não critique a forma como gerimos a nossa floresta... Não há ordenamento florestal, são demasiados proprietários de parcelas minúsculas, muitas propriedades não estão corretamente cadastradas (áreas estão incorretas), muitos proprietários herdaram uns montes algures na "província" e nem sabem onde são e a esmagadora maioria dos proprietários simplesmente vai deixando os montes "a monte"...
Os problemas são antigos e bem conhecidos, no entanto, em vez de se procurarem soluções, os proprietários culpam o Estado central, o Estado central culpa as Autarquias, as Autarquias culpam os proprietários e não saímos disto...
É tempo de cada proprietário, além de criticar e lamentar-se da ausência de ação do Estado e das Autarquias, começar a agir e a exigir dos outros que ajam também! É tempo de cada proprietário florestal pensar que pode e deve fazer alguma coisa com esse património e apenas uma opção tem de estar vedada: Não fazer nada e deixar ao abandono não pode ser opção!
Talvez seja também hora de cada proprietário pensar menos no lucro fácil e mais em valorizar o património que tem... Um sobreiral com 20 anos, mesmo que nunca tenha produzido cortiça, vale muito mais do que um eucaliptal desnudado depois de mais um incêndio...
Um souto saudável dá rendimento anualmente... Uma floresta saudável e bem gerida gera externalidades de enorme valor - Biodiversidade, Economia Local, enriquecimento dos solos... e mais uma centena de exemplos que podiam ser dados...
Podemos escolher o que plantar, mas seremos obrigados a colher o que plantamos...
 
Arouca

Terça, 18 de Dezembro de 2018

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