MAFALDA FERNANDES
 
A morte das localidades
 
OPINIÃO | Para suster uma dor de barriga aguda é preciso chamar um táxi
 
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Para abolir do mapa uma localidade basta um gesto muito simples: suprimir as placas toponímicas num raio de seis quilómetros. A partir desse momento inicia-se todo um processo de anulamento que se transforma num fenómeno imparável e, em pouco tempo, a localidade visada fica reduzida aos níveis mínimos de actividade e movimentação demográfica. Há, de facto, localidades que, do seu antigo esplendor, só conservam o topónimo. Não vamos referenciar nenhuma, para não ferir a sensibilidade dos seus últimos e resilientes moradores.
Isto, porque, na realidade, a sobrevivência nessas localidades esquecidas não apresenta qualquer espécie de justificação. Há casos que para suster uma dor de barriga aguda é preciso chamar um táxi da localidade vizinha para ir comprar um pacote de chá ao hipermercado mais próximo.
O dramaturgo Friederic Durrematt trata este assunto com uma grande mestria.
E não vale a pena alterar a geografia arquitectónica das localidades em processo de anulamento que o processo tende a evoluir para o pior. Não estamos, felizmente, nessa situação.
Há mais ou menos vinte anos, a autora destas linhas iniciou, no jornal "Defesa de Arouca", todo um processo de requerimento, a médio prazo, atendendo à existência de numerosos monitores da Teleescola, da implantação, no fundo do concelho, de uma escola secundária.
Mais ao menos ao fim de dez anos, ninguém tinha pressa pelos motivos indicados, a escola EB 2-3 de Escariz foi fundada. Exactamente no morro do Coruto, de Escariz, a 400 metros de altitude, morro onde as tropas napoleónicas Guerra Peninsular, no século XVIII início do século XIX, espiavam a movimentação das tropas portuguesas. Por tanto, um ponto muito alto. Escusado será dizer que a implantação da referida escola naquele lugar não contribui para a saúde dos alunos, dada a existência de ventos permanentes e, logo no princípio do Inverno, geadas incómodas. Quando a autora destas linhas pedia a criação de uma escola secundária no fundo do concelho, visualiza-se uma zona bem mais amena e meeira entre Escariz e Cabeçais.
Depois, a autora deste texto começou a requerer, já neste jornal RODA VIVA a criação de um polo da Universidade de Aveiro, em Arouca. Foram seleccionadas três localidades: Arouca, S. João da Madeira e Oliveira de Azeméis. O polo universitário de Aveiro ficou em Oliveira de Azeméis.
De acordo com as aspirações de alguns encarregados de educação que possuem filhos que, numa primeira abordagem, não se interessam pelo ensino superior, vimos requerer, agora, um Centro de Formação Profissional, se não no fundo do concelho, em Arouca. Precisamente, porque, no concelho de Arouca, destacando a vila, Escariz e Mansores, na actividade industrial diversificada, deve haver um protocolo entre esta e uma futura escola deste género. Na linha de pensamento da Universidade de Aveiro e de outras.
Para satisfazer ainda as aspirações dos cidadãos de mais ou menos 50 anos de idade, devia haver cursos de recuperação desconhecimento básico de Matemática, Língua Portuguesa e História de Portugal, disciplinas que o tempo e uma vida de trabalho esbateram. Cursos de recuperação, à partida sem intenção de prosseguimento, mas nunca na linha de execução das Novas Oportunidades ou até do Ensino Recorrente, nos quais as três áreas citadas ou eram omitidas ou defraudadas. Como se provou.
E não se deveriam pôr de lado os Cursos de Alfabetização de idosos, na medida que ainda os há analfabetos.
As populações querem continuar a aprender e há muitos professores, dramaticamente, sem trabalho. A educação não é só para as crianças e para os jovens. E não é só a escola básica e a faculdade. É muito mais e é mesmo uma área que nunca se esgota.
Já se disse que a Cultura é o que impede a morte das localidades. O desporto também é cultura. Por isso se diz "Mens Sana in Corpore Sano" - Mente sã em corpo são.
A etnografia também é cultura e contribui para a permanência das localidades, grandes ou pequenas, no mapa. A agricultura industrial é economia, como são as grandes e pequenas explorações pecuárias que permitem que os camiões da Lacticoop continuem a circular pelas aldeias, a despeito das restrições da União Europeia.
E, abstraindo da Guerra que a pouco e pouco e, com muito esforço, se vai começando a dissipar, mas considerando seriamente as alterações climáticas e o que se pode fazer e não se leva a efeito, é caso para dizer que o homem é o principal agente da sua própria destruição.
 
Arouca

Terça, 18 de Dezembro de 2018

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