PEDRO QUARESMA
 
Visão urbana da floresta e do território rural
 
OPINIÃO | Interpretação de desenvolvimento pouco virada para a satisfação de quem cá vive
 
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Enquanto os interiores deste País se esvaziam, sim porque existem vários interiores, assistimos ao estabelecimento de uma visão da floresta e do território que em nada tem a ver com a realidade nem com a racionalidade e sustentabilidade. Visão esta, também erroneamente acarinhada por alguns migrantes que há pouco tempo chegaram à capital do nosso querido País. Desde logo a ideia errada de limpeza da floresta e do território rural, que acompanha a visão asséptica do que se não conhece ou do que se não compreende. Na perspectiva dos "urbanos", o mundo rural tem aquele chamamento bucólico do passado, misturado com a sua visão de mundo idílico que ali está disponível para seu deleite e usufruição. Na realidade, o mundo rural depara-se com problemas de ausência de gentes e de gestão, e em que a visita dos "urbanos" pouco ou nada modifica, a não ser para alguns cafés, restaurantes, táxis e pouco mais. Verdade seja dita, com a interpretação de desenvolvimento virada para a satisfação que quem nos
visita e pouco para a satisfação de quem cá vive ou de quem ainda mantém a ligação ao território rural.
A visão urbana da floresta e do território rural colide desde logo com uma premissa básica, é que para os
espaços rurais serem geridos têm de ser rentáveis, e, muitas vezes, as ocupações do solo não acompanham a ideia de uma beleza paisagística e inócua. Sendo assim, o desenvolvimento do território desenvolve-se muitas vezes em "guetos paisagísticos" para usufruição de quem nos visita e não, como seria correcto, pelo desenvolvimento integrado da paisagem e de todo o território. Claro está que é muito mais fácil realizarmos projectos em locais bem definidos e muito estanques, do que se avançar para a integração de todas as vivências e particularidade do território. O problema da imagem que se dá para a sociedade urba-na do desenvolvimento de certo território é que depois raramente coincide com a realidade ou com as próprias vivências de quem cá permanece.
Talvez esteja na hora de avançarmos para outro tipo de desenvolvimento do território, com outra integração e com outro envolvimento dos diversos actores do mundo rural, porque não se iludam, entramos em contagem decrescente para a ocorrência de situações como as de 2016 e 2017, com
tempos de recorrência cada vez mais curtos. E não são as "faixazinhas" de gestão de combustível que vão resolver a situação, pelo contrário, só estão a agravar a insustentabilidade da floresta e do território. Mas por certo os "urbanos" sentir-se-ão mais seguros quando nos visitarem...
 
Arouca

Quarta, 20 de Fevereiro de 2019

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