PEDRO QUARESMA
 
Municípios e ordenamento da floresta
 
OPINIÃO | Pena não serem tão diligentes com as edificações em construção à revelia da lei
 
  Outras acções...
 Enviar a um amigo
 sugerir site
Durante o presente ano assistimos a uma limpeza desenfreada das faixas de gestão de combustíveis, matos, árvores e afins, em redor das habitações. Os municípios desdobraram-se em iniciativas de aviso aos prevaricadores, pena não terem sido tão diligentes com as edificações que ainda hoje estão em construção à revelia da própria lei. Existem vários casos somente no concelho de Arouca, imagine-se no País. Tal diligência para protecção de pessoas e bens, que penso que deve ser a prioridade, esbarra no desprezo pelo restante território ocupado por floresta e matos. Havendo sinais claros de um crescente abandono da floresta, questiono se ignorando a maior parte do território será o melhor caminho para prevenirmos ocorrências como a de 2016 e de 2017.
Depois de vários relatórios de especialistas nacionais e estrangeiros, em que o ponto comum da fragilidade da prevenção estrutural é a falta de gestão florestal, serão as decisões municipais baseadas em dogmas, boatos, convicções pessoais e falsas verdades, o melhor caminho para termos uma floresta gerida e, portanto, mais resiliente? Penso que não. As estratégias e medidas baseadas em conhecimento técnico e científico serão sempre a melhor opção.
Queremos vender paisagem aos turistas que nos visitam, no entanto nada se faz para melhorar essa paisagem. Nunca antecipamos as ocorrências, somos arrastados pela sua impetuosidade e devastação. Nunca nos lembramos que a maioria dessa paisagem é privada. Nunca nos lembramos que o comportamento inerente às medidas penalizadoras do ordenamento, nomeadamente limitações à rearborização, é o abandono e a degradação dos espaços florestais.
Estamos a construir um barril de pólvora com tanta biomassa acumulada, a limitar medidas por pura ideologia bacoca e a desmotivar proprietários, pelo que daqui a seis ou sete anos iremos sentir essa irresponsabilidade, tal qual como em 2005, 2016 e 2017.
Os municípios, que querem ter um papel activo no ordenamento florestal, comportam-se como proprietários da floresta que está dentro dos seus limites, ignorando e desdenhando quer os proprietários quer quem trabalha nessa mesma floresta. Essa sobranceria terá consequências a média prazo que enquanto comunidade iremos lamentar. Proibir por proibir nunca foi a solução, porventura o melhor escape e a melhor desculpa quando somos ignorantes para definir estratégias e apontar caminhos.
Porque a informação não se esgota neste artigo, os leitores que desejem aprofundar alguns aspectos podem endereçar as questões através do correio electrónico: pquaresma.arouca@gmail.com.
 
Arouca

Sexta, 18 de Janeiro de 2019

Actual
Temp: 7º
Vento: SSE a 3 km/h
Precip: 0.5 mm
Chuva
Sáb
T 11º
V 5 km/h
Dom
T 10º
V 6 km/h
PUB.
PUB.
 
INQUÉRITO
Concorda com abstenção da Oposição (PSD e CDS-PP) na votação das GOP e Orçamento para 2019?
 
 
A Frase...

"É preciso cuidar e valorizar os nossos idosos"

Isabel Paiva, presidente da JF Rossas, em declarações ao RV

EDIÇÃO IMPRESSA

RSS Adicione ao Google Adicione ao NetVibes Adicione ao Yahoo!
PUB.
Desenvolvido por Hugo Valente | Powered By xSitev2p | Design By Coisas da Web | 47 visitantes online