PAULO MILER
 
Extremismo da ação ou extremismo da linguagem?
 
OPINIÃO | O cidadão comum vai-se deixando seduzir por um discurso de rutura
 
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No último artigo, fiz especial referência à perigosidade que a adoção forçosa de certos comportamentos ou imposição de orientações ideológicas, com efeitos adversos na esfera de terceiros, aquando da assunção do poder, pode acarretar. Os limites demarcados por esta linha de pensamento são de tal forma ténues que, como exultei na edição anterior, ao pisar-se território onde perdura a autonomia da vontade sem o devido assentimento para tal, corre-se o risco de entrar em campo minado, o qual reveste a figura do extremismo, quer seja enviesado para a esquerda, quer seja enviesado para a direita: o princípio mantém-se e o perigo é transversal.
Igualmente preocupante é a presunção de um ditame ético superior que, a expensas de um qualquer elenco de valores ditos superiores, permite a uma determinada pessoa habilitar-se, ela própria, no papel de decisor moral perante as diversas questões com que se vão deparando no dia-a-dia. Obviamente, o perigo de que vos falo é que, estando enviesado para um determinado campo ideológico, a interpretação dos factos, sempre "teoricamente" em linha com esse ditame moral, quando confrontada com uma opinião adversa, acaba tendencialmente por levar ao tal extremismo, precisamente porque não cabe naquilo que essa pessoa considera como estando conforme os seus parâmetros da moralidade. Pior ainda: quem não se alinhar na mesma orientação ideológica, é qualificado como extremista. Desta feita, acaba por se banalizar de tal forma o conceito de extremismo que, quando este efetivamente surge e predomina, o indivíduo comum acaba simplesmente por não ter termo de comparação com o fenómeno extremista factual, por se qualificar anteriormente algo que efetivamente não o é.
Veja-se o caso do mediático cronista e comentador Daniel Oliveira, arauto da moral e dos bons costumes, que, em jeito de comentário à notícia referente à deriva absurda do movimento de André Ventura, qualificou-o como sendo "filho" de Passos Coelho, insinuando igualmente que a extrema-direita teria chegado ao PSD por mão deste e, ainda, ao leme do jornal Observador, acrescentando ainda o nome de Miguel Morgado, o qual teve direito ao cognome de "perigoso radical". Também o seu colega de comentário Pedro Marques Lopes atribuiu o rótulo a Passos Coelho de precursor da direita radical.
Ora, perante estas insensatas considerações, o que fica na retina como mais alarmante é o facto de se banalizar um conceito de extremismo em casos como estes que, como qualquer pessoa razoável pode discernir, está totalmente desprovido de sentido.
Ainda neste âmbito, numa apreciação à (boa) notícia de que a agência Moody's retirou o nosso país do nível "lixo" ao fim de sete anos, João Galamba afirmou que foi no Governo de Passos Coelho que a Moody's atribuiu o rating "lixo" à dívida portuguesa, e não no tempo de Sócrates. Factualmente, é verídico, não fosse a (enorme) ressalva que nos diz que, no momento em que foi atribuído o nível "lixo", o Governo de Passos Coelho tinha tomado posse há apenas... duas semanas! Bem sabemos que a herança que José Sócrates nos deixou é uma penosa memória que ainda nos assola, porém, seria de louvar que não houvesse tamanha desonestidade intelectual que pudesse, de certa forma, anestesiar a dor.
No Brasil, na França, em Itália, os extremismos vão galopando a uma velocidade estonteante. Questões fraturantes como a imigração, a corrupção e a insegurança vão sendo descuradas e o cidadão comum vai-se deixando seduzir por um discurso de rutura, ainda que populista. Efetivamente, não é com exercícios banais e de qualificação errónea de extremismos que se conseguem travar estes fenómenos um pouco por toda a parte. É, isso sim, a prudência que deve presidir à interpretação sóbria das questões e a abordagem frontal aos problemas com que nos deparamos. Só assim a moderação pode voltar a imperar no sistema político à escala global e a democracia voltar a premiar os mais capazes e sensatos.

PS: Não poderia deixar de sublinhar a "boa nova" que representa o anúncio do lançamento da empreitada da ligação do Parque de Negócios de Escariz à A32 para todos nós, arouquenses, ficando por exigir ainda o troço Ribeira-Escariz, para que tenhamos a famigerada obra concluída e colocar um ponto final num calvário de décadas.

 
Arouca

Domingo, 18 de Novembro de 2018

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INQUÉRITO
Que balanço faz do trabalho da Provedoria da Santa Casa da Misericórdia no mandato que está prestes a finalizar?
 
 
A Frase...

"Não discrimino nenhuma das antigas freguesias"

Ângelo Miranda, presidente da União de Freguesias de Arouca-Burgo", eleito pela coligação PSD/CDS, em entrevista ao RV

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