ELÍSIO AZEVEDO
 
Palavra dada
 
OPINIÃO | As principais estradas que servem o Concelho são desses recuados tempos
 
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O anúncio da repavimentação do troço da EN 326 entre a Ponte Ribeira e Escariz, pode significar o adiamento para data indefinida da ligação definitiva de Arouca à A32.
Ao longo destes últimos vinte anos passados, foram tantas as promessas e palavras dadas, que seria fastidioso enumerá-las ou repeti-las.
Anunciou agora o primeiro-ministro o lançamento do concurso para o troço de ligação de Escariz ao nó de Pigeiros, na A32, ficando para quando não se sabe a ligação da Ponte Ribeira àquela freguesia, para que se conclua, por fim, a Variante entre a sede do Concelho e a A32, cujo primeiro troço foi concluído e aberto ao trânsito em 8 de Janeiro de 2004.
Arouca foi e desde sempre, vítima do seu isolamento e da falta de uma rede viária à medida da sua importância e das suas necessidades - quem nos visitava ficava surpreendido com a grandeza do seu Mosteiro, das suas paisagens e potencialidades, mas chocado e desiludido com o seu desenvolvimento económico e social.
Escreveu Abel Botelho em "As Mulheres da Beira": "É realmente um tesouro aquele vale. Não há no Minho torrão, por mais mimoso, que iguale na paisagem e na frescura".
Alexandre Herculano, quando o visitou em 1853, não foi menos generoso ao afirmar: "Torneia-se o monte e começa a descida para o vale e Arouca. A encosta e o vale igualam em beleza a Sintra e excedem-na em vastidão".
Não foi menos pródigo nem generoso Pinho Leal no seu "Portugal Antigo e Moderno" escreveu: "Em 1858 se aprovou e mandou construir a estrada de Arouca a Oliveira de Azeméis, mas apenas até hoje (1873) se acham construídos doze quilómetros" e acrescenta logo a seguir: "esta estrada, que corta o vale de Arouca é das mais belas de Portugal, e quem vai pela primeira vez à vila de Arouca e vê, de seis quilómetros de distância, o majestoso convento das freiras, e até chegar a ele julga que vai entrar em uma linda e grande cidade, mas apenas entra na vila fica horrivelmente desapontado".
"A vila de Arouca (à excepção das belas casas dos herdeiros do sr. Comendador Brito e de poucas mais, sofríveis), não é se não um amontoado de casebres velhos e esburacados, feitos de palha e barro (onde há tanta e tão boa pedra) e suas ruas não passam de becos tortos, estreitos, imundíssimos e mal calçados".
"A falta de vias de comunicação (e outras causas que não quero apontar) fazem estar esta vila estacionária no meio do normal desenvolvimento que se vê em muitas outras terras, ela que tem condições de prosperidade em nada inferiores às mais florescentes".
Esta realidade pungente não surpreende quem ainda se lembra do espectáculo degradante do pequeno "ribeiro" que atravessava a vila de Arouca a descoberto ou conheceu o matadouro municipal antes da sua demolição, nem surpreende tão pouco que uma das razões apontadas seja a falta de vias e comunicação - tínhamos doze quilómetros da estrada de ligação a Oliveira de Azeméis, que demoraram quinze anos a ser construídos e continuamos ainda a sofrer as consequências da mesma falta de "vias de comunicação" que desde sempre condicionaram o nosso desenvolvimento.
As principais estradas que servem o Concelho são, também elas, desses recuados tempos e apenas beneficiaram de algumas melhorias ao longo dos anos - o resto têm sido promessas, umas atrás das outras, repetidas e adiadas...
Em 1858 se mandou construir a estrada de ligação a Oliveira de Azeméis - em 1873 estavam concluídos doze quilómetros. Em 2001 se adjudicou e mandou construir o primeiro troço da Variante à estrada 326, com uma extensão de 9,995 metros e cujas obras foram concluídas em 2006. Desde então muitas promessas feitas e palavras dadas ninguém sabe quando (ou se) a obra será concluída - contas feitas e palavras dadas, vamos ter de esperar ainda muitos anos e desenganos...
 
Arouca

Domingo, 18 de Novembro de 2018

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INQUÉRITO
Que balanço faz do trabalho da Provedoria da Santa Casa da Misericórdia no mandato que está prestes a finalizar?
 
 
A Frase...

"Não discrimino nenhuma das antigas freguesias"

Ângelo Miranda, presidente da União de Freguesias de Arouca-Burgo", eleito pela coligação PSD/CDS, em entrevista ao RV

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