PAULO MILER
 
Infame realidade
 
OPINIÃO | No final, externalizam-se culpas
 
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O imperativo moral com que nos arrogamos de, num sistema político democrático, empregar como veículo de implementação e imposição de medidas que consideramos compagináveis com as matrizes definidoras da nossa conduta moral, cujo reflexo se vislumbra nas minudências do dia-a-dia, pode desaguar numa bifurcação de reações numa sociedade: a primeira, mais vocacionada para o grupo de pessoas que comungam dos princípios com que nos regemos, por dedução lógica, instantaneamente se afigura como positiva, dada a proximidade das posições, mesmo configurando-se como imposições a si e a outros, resguardando-se a intenção de ver aprofundada a materialização das medidas em questão; a segunda, respeitante a outro grupo de indivíduos que não se revêem nas premissas exultadas e impostas, despoleta sentimento de revolta e discórdia, agudizando-se a mesma caso se consume numa imposição. Num sistema político democrático, no exercício do poder, a cristalina realidade dita-nos que é necessário tomar medidas, no decurso do mandato para o qual fomos democraticamente eleitos e legitimamente escrutinados pelos cidadãos, votantes. A obviedade diz-nos igualmente que nem todas as medidas agradam a gregos e troianos, especialmente as que se resultam em imposições ou que, à primeira vista, podem redundar num atropelo a direitos salvaguardados pelos diversos manuscritos à escala global. Ora, é precisamente neste sentido que a implementação de um imperativo moral com que nos guiamos, no teatro político, pode ser penosa se, em virtude dessa prossecução, a liberdade individual de cada um e o espaço que circunda a autonomia da vontade são colocados em "cheque", em detrimento dessas medidas: isto, logicamente, no caso de atingirem o extremismo - seja de direita, seja de Esquerda. Corre-se igualmente o risco de vermos um determinado grupo de pessoas beneficiadas face a outras. No final, caso não corra como esperado, externalizam-se culpas.
Por mais nobre que seja o intuito ou a ideologia, na mente de quem gere um organismo público, não justifica a sua imposição forçada, sob pena de se atingir os extremismos e, progressivamente, a opressão e a restrição da liberdade. Note-se o caso da Venezuela: o resultado da revolução bolivariana, vulgo exultação do socialismo, tendo como intento moral, como habitualmente, a afamada "devolução do poder ao povo", através da concessão de uma série de (aparentes) benesses assentes em políticas próprias de um Estado agigantado ao longo dos anos, controlador e provedor de tudo o que o seu grande líder providenciar. Encetada por Hugo Chávez, mantida por Nicolás Maduro, as políticas prosseguidas resultaram, ao longo dos anos e, especialmente, no presente, em miséria, motivando inclusivamente o êxodo dos seus cidadãos para outros países. Um país, outrora próspero, em tempos a quarta nação mais rica do mundo (fruto de maior liberalização na economia), portador de uma das maiores reservas de petróleo mundiais, atualmente num estado calamitoso, ancorado a uma hiperinflação, prateleiras vazias nos supermercados e acesso exíguo a bens fundamentais: dramático cenário para quem o dinheiro pouco vale. O cenário atual causou, inicialmente, um silêncio ensurdecedor da nossa extrema esquerda portuguesa. Recentemente, Francisco Louçã disse que à Venezuela falta um sistema produtivo. Que não haja dúvida: falta um sistema produtivo, apenas que este não seja estatizado e comandado pelos bons intuitos dos pseudo-ditadores do regime. Essa, sim, seria a devolução do poder ao povo: tornar a economia mais livre, mais empreendedora, mais próspera, restabelecendo, desta feita, as liberdades que foram tomadas de assalto pelos referidos líderes.
Num outro registo, a nível nacional, Fernando Medina anunciou a intenção de implementar uma medida que envolve a redução do passe mensal dos transportes públicos em Lisboa. Até aqui, à primeira vista, enaltece-se o intuito: tudo o que seja para menorizar o custo de vida dos cidadãos é bem-vindo. No entanto, pretende-se saber, desde logo, de que modo esta medida será financiada, ao que Medina responde, requisitando 65 milhões de euros, para o efeito, do próximo Orçamento de Estado. Pretende-se, assim, financiar uma medida a implementar em Lisboa à custa de todos os contribuintes portugueses, incluindo aqueles que não beneficiam diretamente da mesma, como são os do norte e interior do país, desfalcados de transportes públicos. Com isto, a tão enaltecida descentralização vai definhando e ficando no papel, quando a coesão territorial exigiria maior realce e vigor face ao cenário atual que se vivencia no nosso país.
Superiores interesses, infames realidades...
 
Arouca

Domingo, 16 de Dezembro de 2018

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