ELÍSIO AZEVEDO
 
Oportunidade perdida
 
OPINIÃO | Foi pena que nem se tivesse apercebido das muitas carências do concelho
 
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O dr. António Costa visitou recentemente os passadiços do Paiva e, tanto ele como a comitiva que o acompanhou, ficaram deslumbrados com a riqueza da paisagem, a limpidez das águas do rio, toda a fragância de um ambiente que tem atraído milhares de visitantes e obtido a consagração a nível internacional.
Em declarações aos meios de comunicação social, o primeiro-ministro realçou a obra e o esforço da autarquia na preservação e aproveitamento turístico de algumas das maiores riquezas naturais do concelho, afirmando que, com a sua visita, pretendia, também, contribuir para uma maior divulgação do êxito obtido.
Foi rápida a visita e pena foi que não tivesse subido à serra da Freita e visitado outros locais de grande interesse turístico, nem se tivesse apercebido das muitas carências do concelho, a começar pelas vias de comunicação que condicionam todo o seu desenvolvimento económico e têm contribuído para a sua desertificação.
Nesse aspecto, a sua visita não contribuiu em nada para alimentar alguma esperança, nem sequer serviu para reconhecer a necessidade de preservar toda a riqueza natural do território - e para isso, bastava apenas deslocar-se à freguesia de Rossas ou reconhecer a necessidade de uma rede viária digna de um país europeu.
No primeiro caso e ali, a margem do rio Arda para cujas margens está anunciada a implantação de uma ciclovia entre a ponte da Costa e a sede do concelho, poderia ter apreciado um dos mais degradantes espectáculos, para o qual os próprios serviços municipais têm contribuído.
Ali, sob o vão do viaduto da Variante à EN 326, nasceu uma lixeira que transformou o local num vazadouro degradante, agravado ainda por se ter transformado no local onde quase diariamente vários tractores se dirigem para descarregar as cisternas dos dejectos no colector que atravessa a freguesia até à ETAR da Ribeira, exalando as suas fragâncias pelo espaço em redor...
Isso e enquanto a anunciada ciclovia não for construída e o rio Arda restituído à sua pureza inicial, teria sido um contributo para acelerar a obra e a preservação da paisagem e da natureza, já que os autarcas, e sobretudo os mais directamente responsáveis por tão importantes sectores, se têm mantido alheios e distantes do degradante espectáculo a que todos os dias se assiste e a lixeira continua a crescer - uma vergonha para a freguesia e uma vergonha para o Município.
O concurso da obra rodoviária entre Mansores e Arouca, que, concluída, seria suposto ligar Arouca à auto-estrada em Santa Maria da Feira foi aberto em 14 de Dezembro de 2000, o das obras de arte especiais em 21 de Maio de 2002 e a obra ficou concluída em Maio de 2006 - são passados dezoito anos sobre a abertura do primeiro concurso e mais doze sobre a conclusão do primeiro troço e ninguém sabe, agora, onde será feita a ligação à auto-estrada e muito menos ainda quando será retomada ou concluída a obra.
A visita do primeiro-ministro bem que podia ter servido e ter sido aproveitada para levar consigo uma imagem mais realista de um concelho do interior, das suas carências e da afronta que constitui uma obra inacabada e que, passados tantos anos, ninguém sabe quando será retomada e muito menos ainda quando será concluída e que constitui um testemunho e um exemplo do abandono do interior que, para
além de Lisboa, também é Portugal.
Fala-se agora muito de "desconcentração", mas muitos autarcas rejeitam a deconcentração proposta, que não correspondendo às suas expectativas e muito menos às necessidades, está longe de satisfazer as reivindicações de quem todos os dias enfrenta os constrangimentos da interioridade.
Se a inesperada visita do primeiro-ministro foi, para muitos de nós, uma surpresa agradável, também deixou em muitos outros algum vazio - se os passadiços do Paiva são uma iniciativa conseguida e que muito tem prestigiado o concelho, Arouca é muito mais que os passadiços e isso tem sido e continua a ser esquecido por quem nos governa e nos tem governado.
 
Arouca

Quarta, 20 de Fevereiro de 2019

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A Frase...

"O voto nas Assembleia Municipais obedece aos meus fregueses, e não ao partido"

Hélio Soares, autarca de Santa Eulália, em entrevista ao RV

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