PAULO MILER
 
Xadrez político
 
OPINIÃO | O cidadão médio, votante, vai sendo cada vez mais peão que bispo
 
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Da Política Europeia
No xadrez político internacional, mormente no que respeita ao espaço europeu ocidental, sucederam-se jogadas ousadas, decisivas para o desfecho que certas forças políticas e atores políticos almejavam, porém, envoltas numa neblina pejada de incerteza para o futuro das nações, onde se moveram "peças" com contornos análogos aos do contexto político português.
Em solo italiano, o partido vencedor das últimas eleições legislativas, o Movimento Cinco Estrelas, partido eurocético, aliou-se ao Liga, partido da extrema-direita italiana, conseguindo, deste modo, os votos necessários de deputados no Parlamento e membros do Senado para formar Governo, tendo acordado quanto ao nome de Giuseppe Conte para Primeiro-Ministro. As convulsões começaram logo no momento da apresentação dos nomes que compõem o Governo, sendo até caricato que o nome inicialmente declinado pelo Presidente Sérgio Mattarella para a pasta das Finanças por ser um eurocético, tenha visto mais tarde ser aprovada a sua entrada no Governo como Ministro dos Assuntos Europeus.
Com o diferendo devidamente sanado e o governo empossado, não é de estranhar a ebulição nos mercados, envoltos num misto de receio e mistério quanto ao modo como esta aliança poderá servir os interesses de todos e contribuir para a estabilidade de um país influente no mapa político europeu e internacional.
Em Espanha, num contexto distinto, na sequência de uma série de condenações por corrupção que atingiram importantes quadros do Partido Popular, partido que até há pouco tempo comandava os destinos do país na figura de Mariano Rajoy, o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), liderado por Pedro Sánchez, apresentou uma moção de censura no Parlamento Espanhol visando derrubar o governo, tendo como sustentáculo as referidas condenações por corrupção que assolaram o Partido Popular. O PSOE, que nas últimas eleições legislativas em Espanha fora apenas a 4ª força política mais votada e, por isso, detentor de meros 84 assentos parlamentares em 350 que compõem o parlamento, conseguiu ver a sua moção de censura aprovada com o apoio dos deputados do Unidos Podemos (extrema-esquerda espanhola), assim como de partidos nacionalistas e independentistas. As alianças - improváveis, clamavam anteriormente - são agora vitais para garantir a prossecução dos interesses
de determinadas forças políticas, tal como supra mencionado.
O chamado poder pelo poder, dizem uns; o exercício legítimo de um parlamentarismo exacerbado, escudam-se outros; a verdade é que, com contornos similares ao ocorrido em solo nacional, com a tão afamada geringonça, estas "plataformas de entendimento", se assim quisermos conotar, têm sido a tábua de salvação sobretudo para partidos (no caso em concreto de centro-esquerda/esquerda) cuja expressividade não tem correspondência nas urnas e que, por isso, enveredam por esses meios de forma a maquilhar uma fraqueza, a qual não interessa expor. Com estas alianças/acordos/"entendimentos"
vêm, naturalmente, as cedências.
Talvez seja por este prisma que isto se possa revelar tortuoso para o cidadão comum e votante
que se vê, desta feita, um pouco traído na sua orientação ideológica e pensamento político.
Há, no entanto, uma ilação que se retira e servirá de mote para futuras reflexões sobre estes acordos parlamentares: o cidadão médio, votante, vai sendo cada vez mais peão que bispo ou cavalo no xadrez político que o envolve.

Da Política Local
Os últimos dias foram marcados, a nível local, pela notícia da Revista Sábado que dava conta da reação de Octávio Canhão à entrevista da atual Presidente da Câmara Municipal de Arouca, Margarida Belém (onde esta atribuía a "paternidade" dos Passadiços do Paiva ao Engenheiro Artur Neves, antigo Presidente da Câmara Municipal) autoproclamando-se o "pai" da obra.
Há que atribuir o devido valor intrínseco e objetivo aos Passadiços do Paiva, inquestionavelmente
uma obra importantíssima para o nosso concelho, argumento esse que, efetivamente, serve para justificar um certo agastamento com a questão com que agora os arouquenses se vêm deparados, isto é, a paternidade da obra. Colocando de parte a razão que impera a qualquer uma das partes e os méritos subjacentes, importa referir que, independentemente de quem reclama a paternidade, interessa antes respeitar e cuidar do "filho" que tanto tem dado ao município e que, nesse sentido, a todos os arouquenses pertence.
Ao invés de se embarcar num pretenso populismo desmedido e insistir na pertença de certas obras, há que criar condições para que os próprios arouquenses possam colher os frutos da sua obra, nomeadamente para o seu próprio bolso, para os seus negócios, assegurando um futuro que possa aliar o investimento ao benefício, precavendo eventuais quebras nos fluxos de visitas em detrimento de obras semelhantes às dos Passadiços que têm vindo a ser replicadas um pouco por toda a parte, inclusivamente em concelhos vizinhos, e continuando a inovar sem afetar o equilíbrio.
No fundo, o que importa é que os arouquenses sejam os maiores beneficiados, em qualquer cenário.

 
Arouca

Quarta, 18 de Julho de 2018

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"Passou mais de um ano desde a famosa promessa do Entroncamento, mas até ao momento a via Arouca-Feira continua parada"

Rui Vilar, presidente do PSD Arouca

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