ELÍSIO AZEVEDO
 
A Primavera
 
OPINIÃO | Mesmo nas aldeias mais remotas festeja-se todos os anos a padroeira
 
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Está a chegar ao fim a Primavera - uma Primavera chuvosa e fria, durante a qual continuaram a discutir-se os incêndios do ano anterior e a recordar as suas vítimas.
Os políticos, uns atrás dos outros, percorreram os territórios ardidos e, todos eles, uns atrás dos outros, prometeram combater as desigualdades entre o litoral e o interior e uma nova primavera de apoio ao seu desenvolvimento.
Habituados que estamos às promessas nunca cumpridas, sobretudo quando eleições se aproximam, já ninguém acredita, mas faz de conta que "sim" e deixa passar a caravana, voltando à crua realidade de todos os dias.
Foi chuvosa e fria a Primavera e já o Verão se aproxima - tempo de férias e de grandes romarias.
A população das cidades, das vilas e aldeias, a que se juntam muitos emigrantes e peregrinos, de uma ponta a outra ponta deste pequeno país à beira-mar plantado, enche os adros das igrejas e capelas, pedindo a todos os santos a sua protecção ou agradecendo as bênçãos já recebidas.
São dias de celebração e de fé, de alegria e de esperança - dias em que se esquecem as desigualdades e se recordam as ausências, mas todos se sentem mais iguais, unidos pela mesma fé que os reúne e as mesmas dificuldades que os afligem.
Mesmo nas aldeias mais remotas e esquecidas onde ainda residem meia dúzia de moradores, festeja-se todos os anos a padroeira. A festa atrai centenas de visitantes e a paisagem em redor é deslumbrante. Em dia de festa e a presença de alguns emigrantes, os poucos habitantes que restam sentem-se confortados - não têm médico de família mas ainda estão vivos, ficam meses e meses à espera de uma consulta e a escola onde aprenderam as primeiras letras já fechou, mas o padeiro ainda aparece todos os dias e o cemitério continua de portões abertos.
Mesmo assim, os que ainda ali sobrevivem à custa de pequenas pensões de uns 250 euros por mês e o lucro obtido com os pequenos rebanhos que ainda restam, continuam vivos. Vivos e atentos - a televisão quebra o isolamento e há sempre um ou outro que compra um jornal quando vai à feira ou outros deveres a isso obrigam.
Souberam assim, pelo jornal de um dos últimos dias, que há em Portugal quem receba 167.000 euros por mês de reforma - fazendo as contas, há quem receba num só mês de reforma e sem contar com outras mordomias, o que cada um eles receberia, e se para tanto vivesse, em mais de cinquenta anos!
Havia quem não acreditasse, mas era verdade - 167.000 euros todos os meses!
Restava a esta gente assim abandonada e sozinha, uma consolação - o governo prometeu acabar com tantas e tão flagrantes desigualdades e injustiças, com tantas e insustentáveis assimetrias - prometeu enfrentar estas desigualdades injustas e desumanas, prometeu aproximar esse país abandonado e cada vez mais deserto do interior no país desenvolvido do litoral.
Há quem não acredite em tantas promessas, mas é à custa de muitas promessas assim que alguns partidos ganham eleições e formam governo, muitos dos deputados que enchem as bancadas da Assembleia da República são eleitos e muitos autarcas renovam os seus mandatos.
Voltando aos incêndios e esquecendo as promessas, vale a pena recordar que no mês de Maio de 2017 se registaram 707 focos de incêndio e no mesmo mês de 2018, 2.260, e que a área ardida já este ano foi de 1.101 hectares, contra os 724 do ano anterior.
Os números assustam, mas a esperança é a última coisa a morrer.
 
Arouca

Quarta, 26 de Setembro de 2018

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