ARMANDO ZOLA
 
'Sem casa e com trabalho precário...'
 
OPINIÃO | Do Primeiro-Ministro penso ser um dos melhores, se não o melhor, que o Portugal, livre e constitucional, de Abril, deu
 
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"Sem casa e com trabalho precário, ninguém constitui família e não constituindo família, ninguém tem filhos. Essa é a primeira condição que temos de satisfazer." Esta expressão foi proferida pelo Primeiro-Ministro, enquanto líder do PS, numa recente reunião em Évora.
Pode não ser muito rigoroso o que na frase se contém, pois que pode bastar ter emprego estável e justamente remunerado para se adquirir casa e, por outro lado, há muito quem, sem casa, nem trabalho, ou com trabalho precário e sem rendimentos, menos responsavelmente, se aventure a constituir família e a ter filhos. Pode a expressão não ser inteiramente rigorosa, mas a preocupação do Primeiro-Ministro e líder do PS está inteiramente nela. A população portuguesa envelhece, as gerações não se renovam, os portugueses na plenitude da vida, em especial os jovens, sofrem as agruras do desemprego e a instabilidade e injusta remuneração do trabalho precário. Perante isso, António Costa exclama, no fundo, que os portugueses, em especial os mais jovens, têm de ter condições para serem felizes e, se o forem, será vigorosa e perene na sua identidade a Nação que eles constituem. "Sem trabalho digno, pago a preço justo", a juventude estiola e a sociedade envelhece e definha. Contra isso, o Primeiro-Ministro lança o antídoto. Não é o único antídoto, obviamente, mas é um dos mais poderosos. Põe o dedo na ferida. Contra as aves de rapina e todas as vozes agoirentas que ditam do pedestal em que julgam ter-se, que a precariedade é sinal e exigência da modernidade.
Oxalá António Costa consiga, como pretende, satisfazer essa "primeira condição" de que fala!
Do Primeiro-Ministro penso, de resto, ser um dos melhores, se não o melhor, que o Portugal, livre e constitucional, de Abril, deu. Muitos discordarão desta opinião. E muitos mais discordarão da ideia de que a actual solução governativa tem podido servir Portugal e os portugueses, melhor que qualquer outra no presente quadro político-partidário. Discordarão, e isso é um bem, um privilégio até que Abril nos concedeu, mas julgo que com as tradicionais exigências de liberdade, modernidade e progresso do PS se combinam bem, e resultam a contento, as reivindicações sociais de Bloco e PC e que estas reivindicações, assim penso também, na vez de dificultarem a acção de António Costa, têm servido antes de suporte à superação de obstáculos políticos e partidários de diversa ordem que, sem elas, surgiriam, por certo, insuperáveis, no caminho que traçou para o País.
Mas é então este um Governo de todo virtuoso? Não, nem de longe. Assim penso e assim tenho escrito neste espaço e não só. Espero, e acredito, que é um Governo em cujo seio não grassa a corrupção, mas, quanto posso avaliar, têm sido muitos e de grande significado os erros e omissões ocorridos em vários dos sectores da governação, dirigidos, as mais das vezes, por pessoas incapazes, incompetentes, aqui ou ali apenas a fazer de figuras decorativas ou de corpo presente. Assim penso, percebo e julgo ver e, por isso, o digo. Digo e di-lo-ei no uso da minha décima milionésima parte do poder soberano em que radica e tem matriz o poder dos diversos órgãos soberanos do Estado.
Esse juízo, porém, não invalida a apreciação global a fazer do Governo e da sua acção, nas circunstâncias difíceis em que teve de governar. E é perante essa apreciação que digo também que, nas exigências e reivindicações, é preciso ter sempre cuidado com o esticar da corda, para que não ocorra o bebé ser atirado fora com a água do banho.
 
Arouca

Segunda, 24 de Setembro de 2018

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