ELÍSIO AZEVEDO
 
Culpados e inocentes
 
OPINIÃO | Este clima de desconfiança não contribui em nada para uma sociedade mais justa e mais confiante no seu futuro
 
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Quem acompanha todos os dias e com alguma atenção os principais meios de comunicação social, fica surpreendido com a constante denúncia dos mais refinados esquemas de corrupção e enriquecimento ilícito e da falta de vergonha que por aí anda disfarçada da mais reputada seriedade - é para isso que também servem os paraísos fiscais e outros paraísos a que muito boa gente recorre.
Políticos, banqueiros, reputados servidores da Pátria, andam por aí à solta e as cadeias estão cheias de condenados por pequenos delitos ou apenas por desobedecerem às ordens da autoridade. E isso é muito grave quando envolve políticos ou ex-governantes que juraram "cumprir com lealdade" as funções para que foram eleitos ou nomeados.
Traindo a confiança dos eleitores que neles votaram ou de quem neles acreditou para exercer funções que exigem responsabilidade e respeito pelos valores fundamentais da Pátria que juraram servir, acabam por contribuir para o descrédito das instituições, dos partidos e dos políticos, gerando desconfianças, dúvidas e contradições, culpados e inocentes.
Provoca dúvidas, suspeitas e desigualdades, quando os nossos impostos têm servido algumas vezes para salvar a banca mas não se autoriza a divulgação da lista dos maiores devedores da Caixa Geral de Depósitos a quem, com o nosso dinheiro, o Governo salvou da falência, com uma injecção de milhares de milhões de euros dos nossos impostos e não teve a mesma generosidade em relação aos lesados do BES, suscitando dúvidas que é necessário esclarecer e dissipar.
A sociedade portuguesa está doente - a Justiça procura fazer Justiça, mas é tão grande e diversa a teia que já envolve alguns magistrados a quem compete fazer Justiça.
Nesta teia de interesses, de suspeitos e desvios, estão envolvidos políticos, banqueiros, empresários, deputados que, também alguns deles, declaram sem pudor residências falsas para receber subsídios, ou o custo de viagens que nunca fizeram para acrescentar ao fim do mês mais alguns euros ao ordenado...
Isto desacredita a política e os partidos e gera um clima doentio de desconfiança e de dúvida, que atinge culpados, inocentes e toda a sociedade.
Este clima de desconfiança e de dúvida atinge tudo e todos, até instituições e pessoas que deviam estar acima de todas as suspeitas e algumas delas terem um comportamento sem mácula. Mas o que hoje surpreenderia era notícia do assalto a uma igreja para roubar a caixa das esmolas e não a denúncia de uma fortuna de milhões depositados num paraíso fiscal por alguém sem ordenado para pagar a renda da casa ao fim do mês.
Tudo isto gera um clima de dúvida e desconfiança que atinge tudo e todos, culpados e inocentes.
Este generalizado clima de desconfiança não contribui em nada para uma sociedade mais justa e mais confiante no seu futuro, mais empenhada no combate às desigualdades, à pobreza e às assimetrias regionais.
Uma sociedade corrupta é uma sociedade injusta, uma sociedade que perdeu a confiança dos outros e perdeu a confiança em si mesma - já é tarde para começar mas mais vale tarde do que nunca.
 
Arouca

Segunda, 24 de Setembro de 2018

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