CÁTIA CARDOSO
 
7% já neste Orçamento
 
OPINIÃO | Arouca é um dos municípios que não hesita em apostar na cultura
 
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No passado dia 6 de abril, os artistas (e não só) de todo o país saíram à rua em protesto, exigindo ao governo 1% do orçamento para a cultura - "um por cento já neste orçamento" foi a frase mais ouvida de norte a sul de Portugal e ilhas, tendo em conta que a cultura representa atualmente 0,2% do PIB, o que arredondado dá zero. Também por isso o movimento ficou conhecido por "Cultura Acima de Zero".
Os protestos, promovidos pelo Sindicato dos Trabalhadores de Espetáculos, do Audiovisual e dos Músicos (Cena-STE), pela Plateia - Associação de Profissionais de Artes Cénicas, pela Rede - Associação de Estruturas para a Dança Contemporânea e pelo Manifesto em Defesa da Cultura, surgiram depois da divulgação dos resultados provisórios dos concursos do programa sustentadode apoio à criação artística, da Direção-Geral das Artes (DGArtes).
Assentam em quatro pontos as exigências dos artistas, agentes culturais e consumidores de cultura: 1) Reposição da dotação orçamental do Programa de Apoio Sustentado às Artes para os valores de 2009, indexados à inflação, corrigindo-se o impacto negativo dos concursos em curso; 2) Combate à precariedade na actividade artística e estabilidade do sector; 3) Definição de uma Política Cultural, revendo-se o Modelo de Apoio às Artes e respectivos instrumentos de financiamento; 4) Compromisso com o patamar mínimo de 1% do orçamento de Estado para a Cultura, já em 2019 (fonte: Cena-STE).
"Crianças cultas, país com futuro"; "1% é só o aquecimento", "Com migalhas não se faz pão", "Só os maus estadistas têm medo dos artistas", "A arte na cidade produz humanidade", "Quero, quero, quero cultura acima de zero" foram algumas das frases levadas - e bem! - para o protesto.
O problema da cultura, porém, não é deste governo, é deste país. Na medida em que tudo começa pela mentalidade dos portugueses, pelo incompreensível desprezo destes para com a cultura. A cultura de um país é a sua identidade, não há mais nada que seja tanto de um país como é a sua cultura, e também não acredito em nada que mova tanto um país como a cultura.
Mas um país que fecha, muitas vezes, os olhos à arte e à cultura terá sempre os seus obstáculos. A cultura educa, abre horizontes, cria linhas de pensamento e ação, conta a nossa história, leva-nos pelo mundo fora, marca-nos no globo. Curiosamente, no mesmo dia dos protestos, horas antes, estive num ensaio de imprensa, onde estavam jovens de 15 e 16 anos, que frequentavam escolas artísticas. Tive o prazer de os entrevistar, e digo prazer porque efetivamente a maturidade que mostram é digna de admiração. Provaram igualmente que o estudo da arte e a arte em si enriquecem cada pessoa como ser intelectual, mas também como ser humano pela sensibilidade que criam em aspetos que dizem respeito à vida e à sociedade. A cultura torna-nos melhores cidadãos!
Entretanto, espero que, custe o que custar, o país aprenda a dar à arte e à cultura o valor que a arte e a cultura merecem. Que vamos mais ao teatro, espetáculos de música e de dança, ao cinema - que vejamos cinema português e nos deixemos da ideia estereotipada de que o que é português não é bom - que saibamos apreciar a pintura e a escultura, que aprendamos a gostar de poesia e literatura, e principalmente que nos coloquemos do lado daquilo que é nosso, do lado da nossa cultura - fica o apelo
ao país.
Neste contexto de desamor pela cultura, existem municípios que já lhe reconhecem o peso e que a fazem ocupar os primeiros lugares das suas linhas estratégicas de gestão, como é o caso de Arouca, em que os serviços culturais, recreativos e religiosos ocupam, em conjunto, o quinto lugar na tabela das "Grandes Opções do Plano" (2018/2020) do município, correspondendo a 7% o valor do financiamento para este setor.
Prescindiríamos deste valor percentual para reconhecer a importância que é dada à cultura no município, já que o verificamos frequentemente in loco.
Assim, e tendo em conta as características da região, é possível compreender que Arouca é um dos municípios portugueses que não hesita em apostar e promover a cultura, consciente de que as suas gentes merecem ver honrada a sua história, os seus costumes e tradições, mas também as suas potencialidades, mais concretamente as suas aptidões, considerando que também existem vários artistas,
fazedores de arte e promotores da cultura no município.
Aqui, a cultura está bem acima de zero. É modesto, ainda assim, dizer que aqui a cultura está no sítio certo porque não é fácil saber exatamente qual é o sítio certo, mas é certo saber que 1% não é assim tanto, comparativamente com o peso da cultura numa nação, da mesma forma que é certo saber que 7% é melhor que 1% e que, por isso, Arouca está bem - está no caminho certo. Continuemos!
 
Arouca

Quinta, 24 de Maio de 2018

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