ARMANDO ZOLA
 
Insisto
 
OPINIÃO | Os conselhos só devem dar-se a quem queira recebê-los
 
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Volto a dois ou três temas que, sobretudo nos últimos tempos, repetidamente tenho abordado. De forma breve para que todos caibam neste número e neste espaço do Jornal.

1.- Nova entrada na Vila a partir da Via Estruturante - parece-me, já o disse, um erro imperdoável o que se projecta fazer. Sem a visão de futuro, que levaria a uma ligação exterior até ao Alto da Estrada, pretende impor-se antes, com vistas curtas, uma solução técnica alheia à sensibilidade e realidade arouquenses e que, de uma assentada, mutila o ainda novo Espaço de Estacionamento e Feira a poente/sul da Vila, o recinto exterior do Museu Municipal e o terreno municipal fronteiro que serve actualmente de estacionamento e para o qual se projectou, há muito, o auditório municipal. Mas, como auditório municipal ou para outros serviços municipais, por exemplo, os espalhados pela Vila a pagar rendas elevadas, impunha-se, para esse terreno, um edifício municipal de referência, que rematasse, condignamente, a norte, a Rua D. Afonso Henriques e que pudesse enquadrar-se, adequadamente, com o histórico e
característico edifício contíguo do Pombal do Convento e com o do Museu Municipal, também próximo. Tudo será sacrificado ou inviabilizado, em favor de uma estranha e nefasta solução que nem sequer desviará o tráfego do local da Vila em que ele é mais congestionado! Merecíamos bem diferente e melhor, mas enfim!

2.- A limpeza da floresta - 15 de Março está aí. Alguns proprietários, com esforço e muito custo, conseguiram limpar. Não sabem se conforme o exigido, já que em email dos serviços do Estado se indica uma coisa, em panfletos, profusamente distribuídos, outra, as câmaras municipais uma outra e a GNR ainda outra. A confusão, nestas coisas,
é a pior conselheira. A verdade é que a esmagadora maioria dos proprietários não conseguiu cumprir. Não surpreende. Como não vai surpreender que as câmaras municipais não o consigam também. Como podem conseguir limpar tudo o que é dos particulares, se ainda não conseguiram limpar grande parte do que é seu? Diz, denotando algum desespero, o Sr. Ministro da Agricultura aos presidentes de câmara que deixem de gastar em festas e limpem as florestas e alguns destes respondem que o Ministro quer evitar que os eucaliptos ardam para alimentar os "lucros fabulosos" da "indústria da celulose". Enfim, mais confusão!
Mas, a partir de agora, por ordem do Estado, começam as multas. Por ordem de um Estado que continua com grande parte das bermas e taludes das vias nacionais por limpar. Um Estado que não cumpre, mas obriga a cumprir. Ou talvez não, pois acabo de ouvir o Sr. Presidente da República afirmar que o Governo não quer aplicar multas. Mais confusão!
Realce-se, entretanto, que o Governo está a avançar com o licenciamento de quase uma dezena de centrais de biomassa. Esse, um caminho promissor para ser seguido. Torne-se a biomassa florestal exígua para alimentar esses centros de produção de energia renovável e compensadora a sua recolha! Com isso, sim, muito se contribuirá para
uma eficaz, continuada e ambientalmente sustentável limpeza da floresta.

3.- A Via Estruturante - Vão decorridos já alguns anos, sugeriram-me que indicasse como proceder-se para apressar o processo relativo à Via Estruturante. Entendo, porém, que conselhos só devem dar-se a quem queira recebê-los e, depois, que não há receitas mágicas para conseguir, neste domínio, como em muitos outros, os resultados que se querem. Todavia, para os conseguir, é imprescindível dar ao processo, para que seja exequível, o preciso enquadramento jurídico, interiorizar a certeza da justiça da pretensão, de que esta se vai concretizar, de que os argumentos de quem no-los nega nunca são convincentes, de que a nossa é a primeira de todas as prioridades, de que para ela, mesmo que digam que os não há, se têm de conseguir sempre recursos e agir sem subserviências de qualquer tipo, sem calculismos ou interesses próprios de qualquer natureza, seja ela política ou qualquer outra.
Isso permite definir o rumo a seguir.
Definido esse rumo, há, contudo, em cada momento e circunstância, que, com disponibilidade inteira para toda e qualquer opção, saber discernir, escolher e ousar, contra ventos e marés, se necessário, mas sempre com bom senso e o maior apoio social, o passo a dar. E isso, esse passo certeiro, é coisa que já depende de quem tem a incumbência de o ousar. Não está nos livros, não se aprende em instituto, nem universidade. Se assim fosse, desculpem a imagem futebolística, já há muito Mourinho e Guardiola teriam aberto academias para ensinar a conseguir resultados, desobrigando-se eles de andar, para os conseguir, ainda que com salários principescos, dia a dia, ao frio e à chuva pelos estádios da velha Albion.

 
Arouca

Quarta, 25 de Abril de 2018

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