PAULO MILER
 
Atualidade política
 
OPINIÃO | Espero que o futuro da UE não se concentre no reforço de um pequeno grupo
 
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1. Da Política Europeia
O dia 4 de Março de 2018 ficou marcado por mais um "sismo" que abalou e tomou expressivas proporções na Europa, porém, com o epicentro na União Europeia (UE). Falo-vos, obviamente, do dia que marcou as eleições legislativas em Itália, não sendo, por isso, inocente a analogia e metáfora relativas aos sismos, utilizadas como ponte para a mensagem principal que se pretende transmitir neste artigo. E, ao contrário do que os especialistas nesta matéria frequentemente afirmam, o desfecho daquilo que aconteceu no dia 4 de Março, em solo italiano, já estava previsto há algum tempo.
Apresentaram-se às eleições legislativas, como principais forças políticas, o Partido Democrático, representante do centro-esquerda e que liderou os destinos do país neste último mandato com alguma turbulência à mistura, período que teve três primeiro-ministros (Enrico Letta, Matteo Renzi e Paolo Gentiloni); a denominada "coligação de centro-direita" que envolve, entre outros, o Forza Itália, sob a liderança do polémico e notório Sílvio Berlusconi, que fora Primeiro-Ministro italiano durante 3 períodos (1994-1995, 2001-2006 e 2008-2011), consagrando-se como aquele que mais tempo esteve no poder na Itália do Pós-Guerra, assim como o Liga (antigo Liga Norte), liderado por Matteo Salvini, um partido antissistema, regionalista, eurocético e nacionalista, cujas posições no que toca à imigração têm causado um enorme frenesim mediático; acresce, ainda, o Movimento Cinco Estrelas, fundado em 2009 pelo comediante Beppe Grillo, também configurado como partido anti-establishment e, tal como o Liga, marcadamente eurocético.
O resultado das eleições ditou a hecatombe anímica que se vive entre aqueles que acreditam firmemente no projeto da UE tal como hoje se encontra firmado e perspetivado. Com efeito, o Movimento Cinco Estrelas foi o vencedor das eleições, tendo obtido cerca de 32% dos votos. A referida "coligação de centro-direita" (Forza Itália, Liga, Irmãos de Itália) obteve no total 36% dos votos.
Os vencedores das eleições acabaram por ser, inevitavelmente, os partidos antissistema e eurocéticos (Liga e Movimento Cinco Estrelas) que, conjuntamente, recolheram aproximadamente 50% dos votos dos eleitores, o que é revelador do capital político de que gozam os partidos que se insurgem contra o "sistema", o mainstream, em Portugal comummente denominado como o "arco da governação", que em Itália, atualmente, se conflui no binómio Partido Democrático/Forza Itália, os partidos moderados, europeístas convictos e propensos ao poder.
A réplica que se fez sentir na Europa teve, por isso, forte intensidade, desencadeada pelo cúmulo de fatores que contribuíram para que o desfecho tivesse sido o descrito. Destaca-se, sobretudo, a dramática vaga de imigração que se verificou em detrimento da guerra instalada na Síria, onde uma vastidão de refugiados se ancoravam à entrada de Itália na esperança de encontrarem um porto de abrigo para si e para as suas famílias, constatando-se similar cenário um pouco por toda a Europa, porém, com especial incidência em solo italiano. No apogeu da guerra, o êxodo descontrolado de refugiados fez soar o alarme e, com isso, esperava-se que a União Europeia conseguisse contribuir para, de certa forma, auxiliar aqueles países que se viam confrontados com uma vaga enorme de imigração súbita e desregrada na busca por uma capacidade de resposta eficaz e que, ao mesmo tempo, respeitasse a soberania desses mesmos países. O mesmo, como vimos, não se verificou. Ao invés disso, a mera imposição de quotas mínimas para acolhimento de refugiados sem atender à especificidade inerente a cada país e sua soberania, num exercício de imposição sem conciliação, fez com que um labirinto logístico se prolongassedurante um certo período de tempo e gerasse incómodo entre os cidadãos italianos. Com isto, movimentos extremistas vão surgindo e crescendo, alimentando-se precisamente do descontentamento popular. O recado tem sido dado há algum tempo e um pouco por toda a Europa: o Brexit, no Reino Unido, e as grandes votações de Geert Wilders na Holanda e Le Pen em França, são exemplos sérios do voto de revolta contra o próprio sistema político instaurado e o ideal da UE, reforçado agora com a "vitória" dos partidos antissistema e eurocéticos em Itália.
Enquanto europeísta convicto e defensor de uma UE que realce sobretudo a liberdade de circulação de pessoas, bens, serviços e capitais e a cooperação intercomunitária entre países europeus, com respeito pela sua soberania, tenho assistido com grande preocupação à ascensão destes movimentos, esperando que o presente e o futuro da UE não se concentre no reforço de poderes de um pequeno grupo de decisores políticos de Bruxelas, para que haja maior proximidade para com o cidadão comum europeu.
Numa altura em que se pede mais União, o eleitorado vai respondendo com menos União. A reconciliação terá de passar por pedir mais Europa mas não mais "Bruxelização", maior proximidade com a população ao invés do seu afastamento com burocracias. Seguindo esta lógica, certamente que o projeto europeu alcança o melhor de dois mundos.

2. Da Política Local
Não poderia terminar o artigo sem fazer especial referência a uma recente petição online, tendo como destinatário o Sr. Presidente da República, onde é requerida "a apreciação no sentido de que seja construída, de imediato, a via de Arouca ao IP1/Feira (...)". Lembra-nos isto que há 20 anos que se clama pela "mãe de todas as obras" de Arouca, aquilo que verdadeiramente exigimos ao Estado central e que este teima em não garantir: acessos dignos à nossa terra.
Nos últimos anos, por entre promessas eleitoralistas intermináveis dos decisores políticos "centrais" e locais, desde a concessão de empréstimos a greves de fome, tudo se prometeu e nada se cumpriu. Louvam-se, no entanto, os esforços empreendidos. Compreende-se, neste tema, a resignação dos arouquenses e uma certa revolta com Lisboa. Alguns, inclusive, insurgiam-se contra o poder central mas acabaram por sucumbir ao mesmo. Esperemos que, agora, nos "corredores do poder", se possa exercer influência para que haja uma conclusão neste enredo que teima em se perpetuar. Pelos arouquenses, que a merecem.

 
Arouca

Segunda, 24 de Setembro de 2018

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