TEIXEIRA COELHO
 
Importar padres, porquê e para quê?
 
OPINIÃO | A igreja não é uma entidade empresarial
 
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Nas últimas décadas tem-se verificado uma diminuição acentuada do número de vocações presbiterais. Ao que não será estranho o facto de a Igreja preferir manter um modelo, único e esgotado, de presbítero, pondo condições à ação do Espírito que "sopra onde quer" e não apenas onde os códigos mandam.
Os bispos têm respondido à falta de presbíteros, seculares e/ou religiosos, com soluções imediatistas de cariz administrativo. A acumulação de mais paróquias sob responsabilidade de um mesmo presbítero tem sido a solução. Párocos há responsáveis por 4, 5, 6 e mais paróquias. Assim se vem mantendo o quadro tradicional organizativo das dioceses, que supõe um padre, residente ou não, para cada paróquia. A facilidade das comunicações, aliada ao despovoamento das regiões do interior, cria a ilusão de que, agora, um padre, no âmbito das funções tradicionais, pode ocupar-se de meia dúzia de paróquias ou mais...
É neste contexto que se coloca o recurso a padres "importados". "Importar" padres (a expressão é de uma jornalista do Público - 2018.01.21) é sinal claro de um tempo de sérias interpelações a uma Igreja demasiado resiliente ou resignada: "Se Deus quiser...", "temos de ter paciência", "para melhor ninguém vai"... A condição de cristão não permite cómoda estagnação tanto no que à fé diz respeito, como às questões domésticas, profissionais, cívicas ou outras do quotidiano.
Uma Igreja que enviou - e continua a enviar - missionários para os quatro cantos do Mundo, recebe, agora, padres doutros continentes e doutras culturas para o exercício da paroquialidade, missão sempre delicada e exigente pelo que implica de capacidade de incarnação na sensibilidade, na cultura e na tradição de um povo. Trata-se não de recrutar funcionários para preencher postos de trabalho, mas de acolher padres para serem párocos de paróquias que têm uma história, uma sensibilidade, uma experiência de vida comunitária ancestral. Um fenómeno certamente com implicações de grande impacto, que bem mereceria reflexão, acompanhamento e apoio por parte dos "mestres sentados na cadeira de Moisés", diretores e professores das Faculdades de Teologia - de Teologia Pastoral -, "a quem cabe mais do que formar funcionários", como recentemente lembrou o Papa Francisco. O perfil dos "operários para a messe" não é o de funcionários/colaboradores, já que a igreja não é uma entidade empresarial.
A pergunta pertinente impõe-se. Acolher presbíteros vindos doutros continentes e doutras culturas para a evangelização, para a promoção de comunidades cristãs vivas, ou acolher presbíteros para manter um sistema organizativo que mais cedo ou mais tarde vai exigir reformulação?
Na vida civil procedeu-se já à fusão de freguesias para concentrar recursos e racionalizar actividades e serviços. Na vida religiosa mantém-se o figurino herdado de tempos passados: numa estrutura em pirâmide, o pároco à cabeça, concentrando e "capturando" a dinâmica da vida da paróquia. O protagonismo dos cristãos, factor de crescimento na responsabilidade que deveria ser promovida, é anulado num conceito de vida paroquial marcado pelo clericalismo.
Há falta de padres? Mas... falta de padres relativamente a que ministério, serviço ou necessidade? Padres para preencher lacunas surgidas no sistema? Padres para substituir os cristãos nas comunidades, "dispensando" estes de serem parte activa na dinâmica da vida comunitária, como é seu direito e dever?
E que capacidade de acolhimento e integração dispõem as comunidades a que chegam estes presbíteros "importados" para que se sintam mais do que funcionários do culto ao serviço de um sistema em esgotamento?
Voltarei ao assunto.
 
Arouca

Sábado, 21 de Julho de 2018

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