PEDRO QUARESMA
 
Podas e enxertias
 
OPINIÃO | As árvores reagem a estímulos, favoráveis ou não ao nosso objectivo
 
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Com o aproximar do despertar da Primavera, chegamos à época das podas e das enxertias. Com finalidades diferentes, estas duas operações permitem-nos gerir a produção das árvores, bem como modelar o seu desenvolvimento.
A poda será sempre uma operação traumática para qualquer planta, não só pela eliminação de ramos mas também pela energia gasta para a cicatrização das feridas criadas e que precisam de serem compartimentadas e isoladas. Nem todas as plantas reagem da mesma forma perante a poda.
Temos o caso das árvores em espaço urbano, em que a poda recorrente efectuada em algumas espécies conduz inevitavelmente à sua decrepitude e consequente morte, enquanto outras, como o plátano, reage bem às podas frequentes e às condições adversas do ambiente urbano. No caso das árvores de fruto, a poda serve também para regular a produção e ajudar ao combate de pragas e doenças. De alertar que a poda nas árvores de fruto é diferente consoante a fruta provém dos ramos do ano ou dos ramos de dois anos. Também será de privilegiar a poda em verde, principalmente na fruta de caroço, em que o cancro bacteriano é uma ameaça constante e em que este tipo de poda possibilita uma cicatrização mais rápida. Havendo um largo espectro de pragas e doenças que atacam as árvores de fruto, será sempre de ponderar a época ideal para a poda e o tipo de poda a efectuar, pois muitas vezes fará a diferença na fitossanidade do pomar. A eleição de variedades autóctones, por estarem melhor adaptadas ao
local e com uma gama de inimigos mais restrita, será uma das melhores opções para a formação de qualquer pomar e que evita bastantes problemas na manutenção das árvores.
A enxertia tem várias finalidades, entre as quais propagar ou mudar uma determinada variedade, bem como antecipar a entrada em produção, como por exemplo no caso do pinheiro manso. Sendo uma operação largamente utilizada, existem vários tipos, consoante a época do ano e a dimensão
do porta-enxerto. Na enxertia, a parte que possui raiz e que irá acomodar a variedade chama-se de porta-enxerto ou cavalo, já o garfo será a variedade que queremos multiplicar.
Terá sempre de haver compatibilidade entre as duas partes de forma que a união entre os tecidos seja efectiva e duradoura. Poderemos fazer porta-enxertos através de enraizamento de estacas e no ano seguinte efectuar a enxertia com a variedade que pretendemos. Também na enxertia teremos que ter cuidado com o ataque de fungos, principalmente na zona onde se vai proceder à união entre o garfo e o porta-enxerto, uma vez que pode ser uma porta de entrada para doenças que irão inviabilizar o sucesso da enxertia. Para tal, é essencial termos cuidado com a proveniência dos garfos e efectuarmos sempre a desinfecção das ferramentas, com hipoclorito de sódio ou álcool. Por exemplo, no castanheiro, o cancro do castanheiro tem proliferado por causa do descuido na selecção do material de enxertia, que muitas vezes vem infectado e que provoca não só a morte da árvore como se torna um foco de doença para os restantes castanheiros.
Tanto nas podas como nas enxertias deveremos ter sempre a atenção que as árvores reagem a estímulos, favoráveis ou não ao nosso objectivo. Numa época em que o tempo é limitado, é importante observarmos e percebermos o desenvolvimento das árvores, pois muitas vezes evitaríamos
as asneiras a que assistimos nos mais diversos locais, quer sejam públicos ou privados.
Porque a informação não se esgota neste artigo, os leitores que desejem aprofundar alguns aspectos podem endereçar as questões através do correio electrónico: pquaresma.arouca@gmail.com.
 
Arouca

Sexta, 14 de Dezembro de 2018

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