ELÍSIO AZEVEDO
 
Do Tejo até ao Arda
 
OPINIÃO | Chegado o tempo, os consortes juntavam-se para limpar regos e levadas
 
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Lisboa acordou há dias com o Tejo a seus pés coberto por um manto de espuma que chegou a atingir um metro de altura, o qual teria sido provocado pela poluição da indústria de papel situada a montante da cidade.
O espectáculo causou espanto, o atentado ambiental revolta e o Governo apanhado desprevenido e indiferente aos muitos e repetidos apelos e denúncias de pescadores e várias organizações, foi obrigado a agir para que o desastre não se repita e Lisboa não volte a acordar com o Tejo a seus pés pintado de branco e o país inteiro de vergonha.
Pela importância do maior rio que atravessa o país, pelo facto de correr aos pés da cidade que é a sua capital e a magnitude e visibilidade que despertou, o Governo prometeu agir, ao contrário do que acontece em relação a muitos outros atentados ambientais que acontecem por esse país fora e em relação a mais pequenos cursos de água que são verdadeiros esgotos que correm a céu aberto de norte a sul do país.
Arouca é um exemplo e nem o rio Paiva, a quem os passadiços deram grande projecção, tem escapado a algumas descargas poluentes.
O rio Arda, esse, quando as chuvas são mais fortes e as águas onde não se vê um peixe galgam as margens e de novo regressam ao leito, a vegetação das margens fica embandeirada por milhares de sacos e embalagens de plástico, num espectáculo degradante que nos envergonha a todos.
No tempo em que a agricultura era a principal actividade do concelho e os guarda-rios exerciam o seu trabalho, as margens do Arda eram limpas, as sua águas fervilhavam de peixes e os lavradores, eles próprio, zelavam pela saúde do rio, essencial à sua actividade.
Chegado o tempo, os consortes juntavam-se para limpar regos e levadas, reparar açudes e azenhas. Hoje, são poucos que ainda mantêm a tradição e as azenhas há muito que foram desactivadas ou delas apenas restam ruínas - a agricultura perdeu importância e o rio foi abandonado.
Algumas associações lutam pela sua recuperação mas apesar dos esforços, sem recursos nem apoios para cumprir até ao fim os seus nobres objectivos, não conseguem de todo vencer o desafio e as autarquias, essas, mais preocupadas com eventos e excursões, nem sempre se preocupam ou
reajam a todo este abandono.
O rio Arda, como tantos outros pequenos ribeiros em que o concelho é rico e de cuja conservação se devia cuidar, não tem merecido e continuam a não merecer os cuidados que a sua importância exige e merece e a importância para o equilíbrio de um território tão rico e diversificado como o nosso exige.
A Câmara Municipal promete agora construir uma estrutura ao longo de uma das suas margens entre a freguesia de Rossas e a sede do concelho, para ciclistas e peões - aguardemos todos que isso se concretize e o rio volte à sua pureza inicial e de novo os peixes regressem.
Será um contributo positivo e um passo importante na valorização dos nossos recursos naturais que são uma das maiores riquezas do concelho.
Em alguns locais do seu percurso, o rio Arda já foi praia e foi piscina onde a juventude desses tempos aprendeu a nadar - hoje ninguém mergulha nas suas águas poluídas, nem ninguém se sente atraído às suas margens, tal o abandono deprimente a que foi deixado por populações e autarquia.
Arouca foi bafejada pela Natureza, tal a diversidade das suas paisagens. Do cimo dos montes às várzeas por onde correm as águas, exige de todos a preservação desta diversidade e riqueza que herdamos com a obrigação de transmitir enriquecida às gerações do futuro.
Para já, qualquer pescador que se aproxime das margens do rio, arrisca-se a tirar pendurado no anzol, um saco de lixo, se não for alguma coisa ainda pior...
Aguardemos com esperança que a obra se concretize e todos dêem o seu contributo a tão importante objectivo.
 
Arouca

Sexta, 14 de Dezembro de 2018

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